A antiga casa do guarda florestal ainda não ardeu este ano

Há muitos anos, ainda Vila Real de Santo António tinha um parque de campismo onde era possível passar uma semana agradável no Verão, ardia outro parque de campismo no Algarve, que isto de incêndios não é de agora, apesar de ter piorado. Um cavalheiro com idade para ter netos tinha deitado à minha frente uma beata de cigarro para o chão, ainda acesa, ali mesmo no meio do parque, abundante de caruma e pronto para um belo incêndio. Chamei-o à atenção, até porque se aquilo ardesse seria a minha preciosa tenda canadiana que se perderia. O que eu fui fazer. Só não houve porrada porque o cavalheiro, ao contrário de mim, era pessoa educada. 
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E depois da tragédia

As imagens e informações que nos chegam das áreas afectadas pela tragédia de Pedrógão Grande chocam, revoltam e fazem-nos sentir pequenos, impotentes. Dezenas de mortos, centenas de feridos e desalojados, uma gigantesca área florestal ardida, casas destruídas, animais carbonizados, colheiras arrasadas, o pânico e sofrimento das pessoas, um cenário desolador. Ano após ano, a história repete-se. Eterniza-se.

Existem muitos culpados, sabemos quem eles são, mas daqui a umas semanas as massas acabarão por esquecer e virar a página. Como fizeram com os milhares de fogos de 2013 ou com o grande incêndio na Madeira do ano passado. E não, não o fazem por serem insensíveis ou más pessoas. Fazem-no porque a vida é uma correria, porque são inundadas de informação nova a cada minuto, porque o campeonato recomeça em Agosto, porque o Verão vai ser de poluição eleitoral, enfim, por uma mão cheia de razões. Lambem-se as feridas, enterram-se os mortos, a vida recomeça e a dor permanece apenas entre aqueles que verdadeiramente viveram o inferno das chamas. [Read more…]

Para quê?

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Morrem em vão, sim, e choca especialmente a morte dos mais jovens, pessoas que ainda há pouco começavam a vida, cheias da coragem da juventude imortal pronta para mudar o Mundo com as próprias mãos, por tão grande desejo de fazê-lo, contribuindo com o que têm: essa coragem, a força dos seus braços, abalançando-se contra florestas cheias de eucaliptos combustíveis que continuam a plantar-se, combatendo os incendiários sem escrúpulos, cujos favores e/ou taras pirómanas outros tantos prosseguem comprando, cumprindo agendas sinistras. Morrem para nada, porque ninguém quer saber, a começar pelos patrões do Estado para quem o território é uma abstracção, [Read more…]

Cuidado com o dono do cão

«Cuidado com o cão»; «cuidado cão bravo»; «cuidado cão feroz Pit Bull»; «Beware of the dog enter at your own risk».

Vemos estas inscrições nos portões das casas. Algumas nem cão têm, mas dar a entender que ali há um, pode assustar eventuais larápios e afins… Um cão mete respeito.

Só num mês soube-se de três casos, dois deles fatais (a senhora de 71 anos do Faial e a menina de 20 meses no Porto).

Há que prevenir o próximo ataque!

Há que responsabilizar os donos destes cães perigosos e «potencilamente perigosos»!

Do que é que se está à espera?

Saiba o que fazer Antes, Durante e Depois de um sismo

Os sismos, como já aqui vimos, ocorrem  de forma inesperada e sem data marcada, ainda que, como também referimos, existam alguns mecanismos genéricos de previsão.   A probalilidade de ocorrência de sismos em Portugal é real , como pode ser facilmente confirmado pelo historial que incluímos no início deste debate. Acresce a isso que grande parte da população portuguesa habita, precisamente, nas zonas em que o risco sísmico é mais elevado.

 

 Nesse sentido é importante saber o que fazer antes, durante e depois de um sismo. Apresentamos um resumo das indicações da Autoridade Nacional de Protecção Civil antes que o sismo ocorra. No final encontrará um link para o artigo completo.Saiba ainda como, no presente, direccionar correctamente a sua ajuda.

O que fazer antes?

Conheça o historial sísmico da zona onde vive.

Se viver junto ao litoral informe-se sobre a altitude a que se situa. Em caso de tsunami estes dados são importantes.

Certifique-se que os seus familiares sabem o que fazer em caso de sismo. Combine um local de reunião para essa eventualidade. [Read more…]

O que é um sismo, quanto tempo dura, quando pode ocorrer?

Esquema representativo da libertação de energia, quando se dá um sismo

Em Junho de 2008, profissionais de camionagem e algumas empresas de transportes fizeram um bloqueio em alguns pontos do país que teve a duração de quatro dias. Tal bastou para que se formassem longas filas nas bombas de gasolina, os combustíveis esgotaram em algumas regiões, a água, o peixe, carne, frutas e legumes frescos faltaram noutras, as dificuldades de distribuição ameaçaram paralisar Portugal. Numa sociedade tão interdependente como a actual são vários os riscos (naturais ou artificiais) que podem conduzir rapidamente a situações de caos: greves, ataques terroristas, pandemias, quebras no fornecimento de energia electrica e de água, derrames petrolíferos, incêndios, etc. De todos esses factores, poucos terão o potencial destruidor de um sismo de grande magitude. Mas o que é, afinal, um sismo, como acontece, quando pode ocorrer?

Eis o que nos diz a Autoridade Nacional de Protecção Civil:

Um sismo é um fenómeno natural resultante de uma rotura mais ou menos violenta no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, e que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante.

Na maior parte dos casos os sismos são devidos a movimentos ao longo de falhas geológicas existentes entre as diferentes placas tectónicas que constituem a região superficial terrestre, as quais se movimentam entre si.

Ao longo dos tempos geológicos, a terra tem estado sujeita a tensões responsáveis pela construção de cadeias montanhosas e pela deriva dos continentes. Sob a acção dessas tensões as rochas deformam-se gradualmente e sofrem roturas. A rotura do material rochoso ocorre após terem sido ultrapassados os seus limites de resistência, provocando vibrações ou ondas sísmicas, que se propagam no interior da terra. São estas vibrações que se sentem quando ocorre um sismo. [Read more…]

Sismos e Património

Domingo, 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos, a cidade de Lagos acordou com um tempo primaveril. Muitas pessoas acorreram às igrejas para celebrar a missa.

Sentia-se no ar um odor a enxofre.

Por volta das nove e meia da manhã ouviu-se um rugido medonho.

Poucos minutos depois a terra começou a tremer. Abriram-se fendas no chão e muitos edifícios caíram.

Cerca de quinze minutos depois o mar recuou, deixando as praias em seco. De seguida, uma vaga gigante, ou melhor, uma enorme massa de água, surgiu do lado Sueste da Baía de Lagos e abateu-se sobre a frente ribeirinha da cidade, penetrando terra adentro até à zona de S. João. A esta vaga seguiram-se duas outras, intervaladas de pouco mais de dez minutos. A última foi a mais destruidora, não só pela entrada de uma massa de água com cerca de seis metros de altura no interior da estrutura urbana, como principalmente pelo seu refluxo, que arrastou pessoas, construções, haveres e víveres para o mar.

Descrições da época relatam este terrível acontecimento.

 “Pelas 9 ½ horas da manhã do predicto 1º de Novembro, estando o dia claro e sereno como d’estio, vento N. O., ouvio-se um grande trovão surdo; logo passado 3 ou 4 minutos principiou a tremer a terra com espantosa violência; o mar recolheo-se em parte mais de 20 braças, deixando as praias em seco; e arremettendo immediatamente para a terra com tamanho ímpeto, que entrou por ella dentro mais de uma légua, sobrepujando as mais altas rochas; tornando a retrair-se e rompendo por mais três vezes dentro de poucos minutos, arrastando no fluxo e refluxo enormes massas de penhascos e edifícios; e deixando por isso arrazadas quasi todas as povoações marítimas.”

“Continuou a terra a tremer até 20 d’agosto seguinte com poucos dias de interpolação, principalmente nos primeiros 5 mezes, quasi sempre de noite nos quartos de lua nova e velha.” [Read more…]

Vamos discutir o risco sísmico em Portugal?

A análise do nosso passado histórico e da sismicidade instrumental permite-nos concluir que o território português tem sofrido o efeito de eventos sísmicos destruidores com intensidades máximas superior a VIII. De entre os acontecimentos que marcaram a história da sismologia em Portugal, podemos destacar os eventos:

  • 26 de Janeiro de 1531 – Causou severos danos no centro de Portugal continental e em particularmente na região de Lisboa. O seu epicentro situa-se provavelmente na região de Benavente.
  • 27 de Dezembro de 1722 – Afectou Principalmente a região Algarvia provocando danos consideráveis em Loulé. Teve o seu epicentro provavelmente no mar e gerou um tsunami local em Tavira.
  • 1 de Novembro de 1755 – Um dos maiores sismos de que há memória histórica. Foi o sismo com consequências mais catastróficas em Portugal, causando destruição generalizada na região de Lisboa e Algarve, tendo sido sentido nos Açores, na Madeira, em Marrocos e por toda a Europa. Desencadeou um tsunami de enormes proporções. O número de vítimas provocado por este sismo foi entre 60000 e 80000 pessoas, sendo grande parte desse número em consequência do tsunami.
  • 11 de Novembro de 1858 – Um dos grandes sismos que afectaram Portugal, provocando danos na zona de Setúbal;
  • 23 de Abril de 1909 – Foi o sismo com maior intensidade que afectou Portugal continental neste século, registado em vários observatórios sismográficos, destruindo Benavente, onde se situou o epicentro. O epicentro deste sismo situa-se na margem sudoeste portuguesa no entanto não existe ainda consenso relativamente à sua localização exacta;
  • Sismo de 28 de Fevereiro de 1969 – Trata-se do maior sismo instrumental jamais registado em Portugal. Teve o seu epicentro numa região localizada 200 km a sudoeste do cabo de S. Vicente, no limite sul da Planície da Ferradura. Apesar da sua elevada magnitude (Ms=8.0) e elevadas intensidades sentidas (em particular na região algarvia com intensidade máxima VIII) não causou qualquer vítima mortal, tendo só provocado danos materiais na região algarvia.
  • 1 de Janeiro de 1980 – Este sismo, de magnitude 6.8, afectou os grupos Oriental e Central do Arquipélago dos Açores, causou enormes danos na cidade de Angra do Heroísmo. Causou a morte a 61 pessoas e provocou danos em cerca de 15000 habitações tendo 5000 destas colapsado;
  • 9 de Julho de 1998 – Este sismo, de magnitude 6.0, teve epicentro a escassos quilómetros a Este da Ilha do Faial e provocou 8 mortos, 150 feridos e a destruição de 1500 habitações nas Ilhas do Faial e Pico. (Informações obtidas aqui – pdf).
  • 17 de Dezembro de 2009 – Um sismo de magnitude 6.0, com epicentro no Oceano Atlântico, a 185 km de Faro e a Oeste de Gibraltar, foi sentido esta madrugada, à 01h37, um pouco por todo o país. O Instituto de Meteorologia diz que este foi o maior abalo registado no nosso país desde 1969.

Em vista disto, lançamos um repto aos leitores do Aventar. Acha que o país está preparado para sismos de elevada magnitude? O que acha da Protecção Civil de que dispomos ? E das infra-estruturas? O leitor tem conhecimentos técnicos ou académicos na matéria? Conhece alguém que os tenha e queira participar numa discussão séria no Aventar? Alguém que possa publicar artigos elaborados sobre o assunto? Deixe a sua opinião na caixa de comentários ou envie-nos textos para o sítio do costume.