O grande terramoto de 1755

O sismo que conhecemos como o Terramoto de 1755, é por muitos considerado como o maior sismo de que há notícia histórica. Lisboa, por ser a mais importante cidade atingida, deu-lhe o nome, mas o abalo foi sentido com violência também no Algarve, no Sul de Espanha e em Marrocos. Sem causar prejuízos, sentiu-se em toda a Europa, nos Açores e na Madeira. Para Norte de Lisboa, a intensidade foi sendo menor, embora registando-se danos em Alenquer, Torres Vedras e Óbidos.

Em Lisboa, no dia um de Novembro, um sábado, o tempo estava quente para a época, atribuindo-se essa circunstância a uma antecipação do Verão de São Martinho. A temperatura andava na ordem do 14 graus centígrados. Em 31 de Outubro a maré atrasara-se mais de duas horas. A hora a que o sismo teve início é objecto de alguma controvérsia, podendo ser calculado entre as 9,30 e as 9,45. [Read more…]

Saiba o que fazer Antes, Durante e Depois de um sismo

Os sismos, como já aqui vimos, ocorrem  de forma inesperada e sem data marcada, ainda que, como também referimos, existam alguns mecanismos genéricos de previsão.   A probalilidade de ocorrência de sismos em Portugal é real , como pode ser facilmente confirmado pelo historial que incluímos no início deste debate. Acresce a isso que grande parte da população portuguesa habita, precisamente, nas zonas em que o risco sísmico é mais elevado.

 

 Nesse sentido é importante saber o que fazer antes, durante e depois de um sismo. Apresentamos um resumo das indicações da Autoridade Nacional de Protecção Civil antes que o sismo ocorra. No final encontrará um link para o artigo completo.Saiba ainda como, no presente, direccionar correctamente a sua ajuda.

O que fazer antes?

Conheça o historial sísmico da zona onde vive.

Se viver junto ao litoral informe-se sobre a altitude a que se situa. Em caso de tsunami estes dados são importantes.

Certifique-se que os seus familiares sabem o que fazer em caso de sismo. Combine um local de reunião para essa eventualidade. [Read more…]

O terramoto de 1969

Em 1969 foi uma espécie de pesadelo. Acordei mas a minha irmã continuou a dormir.
Os meus pais e a minha avó apareceram no quarto e sossegaram-me … também eles tinham sentido “o pesadelo”. No outro dia, já no colégio, não se falava noutra coisa e aí sim com as notícias a espalharem-se percebi o quão grave tinha sido o nosso “pesadelo”.
O meu professor de geografia comparou o sismo/a morte/o pânico/o terror… com os “sismos humanos” que nós estávamos a provocar nas colónias. Nesse dia jurámos que faríamos tudo para acabar com a guerra e que ajudaríamos os colegas para não irem combater.
Em 1969 tinha 16 anos.

MARIA MONTEIRO

Prever os efeitos do sismo

O texto que aqui se apresenta pretende dar a conhecer o estudo realizado para a cidade de Lagos denominado “Risco Sísmico no Centro Histórico de Lagos”, elaborado na sequência da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Lagos e o Instituto de Ciências da Terra e do Espaço, ao qual se associaram o Centro Europeu de Riscos Urbanos, o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa e a Universidade de Lisboa.

A primeira fase do estudo, coordenado pelo professor Luís Mendes Victor, já se encontra publicada.

Tendo em conta que à data da sua realização, enquanto arquitecto da Câmara Municipal de Lagos, exercia funções na Autarquia como responsável pelo centro histórico da cidade de Lagos, coube-me acompanhar a sua elaboração e promover por diversas vezes a sua divulgação, não só em Lagos, como no âmbito de encontros de carácter nacional e internacional.

Este texto tem por objectivo divulgar o estudo através de uma linguagem acessível para o comum do cidadão, numa perspectiva pedagógica e de sensibilização para o problema, transmitindo a visão de um arquitecto sobre o mesmo, não tendo portanto um carácter de publicação científica.

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O sismo de 1 de Novembro de 1755

Este texto foi publicado em 1 de Novembro de 2009 na série «A máquina do tempo».

Eram as 9,30 do dia 1 de Novembro de 1755. Dia santo, grande parte da população de Lisboa encontrava-se nas igrejas. Subitamente, um rugido medonho subiu das entranhas da terra e sucessivos abalos destruiram em minutos uma das maiores e mais ricas cidades da Europa. Aos abalos sucedeu um pavoroso tsunami e um enorme incêndio. O cálculo do número de vítimas mortais vai em alguns autores até quase às cem mil (a cidade teria 275 000 habitantes).

O primeiro abalo, o mais forte terá durado entre três minutos e nove minutos, pensando-se que terá atingido o grau 8,7 na escala logarítmica de Richter. Abriu fendas com cinco metros de largura. Minuto e meio depois, uma violenta réplica provocou o tsunami com vagas que atingiram os 20 metros e devastaram o que o abalo deixara de pé. Horas depois, desencadeou-se um forte incêndio que completou a destruição. A Sul, a região de Setúbal e o Barlavento algarvio foram também grandemente afectados. [Read more…]

Sismo 1969 – a cor do medo

Madrugada de 28 de Fevereiro, duas e trinta, à volta disso, andava eu a fazer ronda no Quartel, ali na Av. de Berna onde hoje está uma faculdade de Sociologia. Do outro lado da Rua a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Como o pessoal era diligente e a ameaça pequena, estava a conversar na parada com dois soldados, já não me lembro sobre quê, mas naquela situação e com aquela idade devia ser sobre a guerra colonial que se mostrava cada vez mais aguerrida e cada vez mais próxima de quem vestia farda.

De repente, os camions ONIMOG, que tinham enormes pneus e eram grandes e pesados começam aos saltos ali a cinco metros de nós.  Ainda o meu cérebro não tinha descodificado os sinais e há uma espécie de “burburinho” a crescer do mais profundo, um ronco ameaçador, paralisante. A sensação é que não há saída, não se percebe, estamos cercados por algo que não vemos e não compreendemos. Imediatamente a seguir, os prédios onde estavam as camaratas com duas centenas de homens a dormir começam a abanar, estranhamente, o único som familiar são os vidros a partirem-se.

Lembro-me bem, que este som familiar, que eu conhecia, foi uma espécie de conforto, era algo que fazia parte da matriz e que me permitiu comparar, situar, estabilizar, compreender…

As paredes rachavam com um som cavo o que me levou a pensar na situação dos homens que lá estavam dentro. Mandei os dois soldados que permaneciam ao meu lado, um para cada camarata, acordar o pessoal que já encontramos a meio caminho na fuga generalizada. Há conversas cruzadas e sem nexo, interrompidas pelo badalar lúgubre dos sinos da Igreja defronte, resultado dos abanões que o edificio da Igreja  sofrera. Irrompe um silêncio sepulcral…

A natureza descansa para novo ímpeto, desta vez definitivo ou esgotada ? É uma interrogação que só obtem resposta com novos abanões agora mais ténues, sem os silêncios aterradores do primeiro, o que paradoxalmente traz alguma paz aos corações em tumulto. Devagar a natureza volta à vida, com os sons de que não damos conta mas que estão presentes no dia a dia, sem os quais não reconhecemos a matriz por onde nos guiamos. Começamos a voltar “à vidinha…” que tanto criticamos…

Nos meses seguintes houve muitas receitas de calmantes e antidepressivos…

Quem é que aqui escreveu sobre felicidade?

Ver mais artigos sobre este assunto em Sismos, discussão no Aventar

O que é um sismo, quanto tempo dura, quando pode ocorrer?

Esquema representativo da libertação de energia, quando se dá um sismo

Em Junho de 2008, profissionais de camionagem e algumas empresas de transportes fizeram um bloqueio em alguns pontos do país que teve a duração de quatro dias. Tal bastou para que se formassem longas filas nas bombas de gasolina, os combustíveis esgotaram em algumas regiões, a água, o peixe, carne, frutas e legumes frescos faltaram noutras, as dificuldades de distribuição ameaçaram paralisar Portugal. Numa sociedade tão interdependente como a actual são vários os riscos (naturais ou artificiais) que podem conduzir rapidamente a situações de caos: greves, ataques terroristas, pandemias, quebras no fornecimento de energia electrica e de água, derrames petrolíferos, incêndios, etc. De todos esses factores, poucos terão o potencial destruidor de um sismo de grande magitude. Mas o que é, afinal, um sismo, como acontece, quando pode ocorrer?

Eis o que nos diz a Autoridade Nacional de Protecção Civil:

Um sismo é um fenómeno natural resultante de uma rotura mais ou menos violenta no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, e que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante.

Na maior parte dos casos os sismos são devidos a movimentos ao longo de falhas geológicas existentes entre as diferentes placas tectónicas que constituem a região superficial terrestre, as quais se movimentam entre si.

Ao longo dos tempos geológicos, a terra tem estado sujeita a tensões responsáveis pela construção de cadeias montanhosas e pela deriva dos continentes. Sob a acção dessas tensões as rochas deformam-se gradualmente e sofrem roturas. A rotura do material rochoso ocorre após terem sido ultrapassados os seus limites de resistência, provocando vibrações ou ondas sísmicas, que se propagam no interior da terra. São estas vibrações que se sentem quando ocorre um sismo. [Read more…]

Sismos e Património

Domingo, 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos, a cidade de Lagos acordou com um tempo primaveril. Muitas pessoas acorreram às igrejas para celebrar a missa.

Sentia-se no ar um odor a enxofre.

Por volta das nove e meia da manhã ouviu-se um rugido medonho.

Poucos minutos depois a terra começou a tremer. Abriram-se fendas no chão e muitos edifícios caíram.

Cerca de quinze minutos depois o mar recuou, deixando as praias em seco. De seguida, uma vaga gigante, ou melhor, uma enorme massa de água, surgiu do lado Sueste da Baía de Lagos e abateu-se sobre a frente ribeirinha da cidade, penetrando terra adentro até à zona de S. João. A esta vaga seguiram-se duas outras, intervaladas de pouco mais de dez minutos. A última foi a mais destruidora, não só pela entrada de uma massa de água com cerca de seis metros de altura no interior da estrutura urbana, como principalmente pelo seu refluxo, que arrastou pessoas, construções, haveres e víveres para o mar.

Descrições da época relatam este terrível acontecimento.

 “Pelas 9 ½ horas da manhã do predicto 1º de Novembro, estando o dia claro e sereno como d’estio, vento N. O., ouvio-se um grande trovão surdo; logo passado 3 ou 4 minutos principiou a tremer a terra com espantosa violência; o mar recolheo-se em parte mais de 20 braças, deixando as praias em seco; e arremettendo immediatamente para a terra com tamanho ímpeto, que entrou por ella dentro mais de uma légua, sobrepujando as mais altas rochas; tornando a retrair-se e rompendo por mais três vezes dentro de poucos minutos, arrastando no fluxo e refluxo enormes massas de penhascos e edifícios; e deixando por isso arrazadas quasi todas as povoações marítimas.”

“Continuou a terra a tremer até 20 d’agosto seguinte com poucos dias de interpolação, principalmente nos primeiros 5 mezes, quasi sempre de noite nos quartos de lua nova e velha.” [Read more…]

Vamos discutir o risco sísmico em Portugal?

A análise do nosso passado histórico e da sismicidade instrumental permite-nos concluir que o território português tem sofrido o efeito de eventos sísmicos destruidores com intensidades máximas superior a VIII. De entre os acontecimentos que marcaram a história da sismologia em Portugal, podemos destacar os eventos:

  • 26 de Janeiro de 1531 – Causou severos danos no centro de Portugal continental e em particularmente na região de Lisboa. O seu epicentro situa-se provavelmente na região de Benavente.
  • 27 de Dezembro de 1722 – Afectou Principalmente a região Algarvia provocando danos consideráveis em Loulé. Teve o seu epicentro provavelmente no mar e gerou um tsunami local em Tavira.
  • 1 de Novembro de 1755 – Um dos maiores sismos de que há memória histórica. Foi o sismo com consequências mais catastróficas em Portugal, causando destruição generalizada na região de Lisboa e Algarve, tendo sido sentido nos Açores, na Madeira, em Marrocos e por toda a Europa. Desencadeou um tsunami de enormes proporções. O número de vítimas provocado por este sismo foi entre 60000 e 80000 pessoas, sendo grande parte desse número em consequência do tsunami.
  • 11 de Novembro de 1858 – Um dos grandes sismos que afectaram Portugal, provocando danos na zona de Setúbal;
  • 23 de Abril de 1909 – Foi o sismo com maior intensidade que afectou Portugal continental neste século, registado em vários observatórios sismográficos, destruindo Benavente, onde se situou o epicentro. O epicentro deste sismo situa-se na margem sudoeste portuguesa no entanto não existe ainda consenso relativamente à sua localização exacta;
  • Sismo de 28 de Fevereiro de 1969 – Trata-se do maior sismo instrumental jamais registado em Portugal. Teve o seu epicentro numa região localizada 200 km a sudoeste do cabo de S. Vicente, no limite sul da Planície da Ferradura. Apesar da sua elevada magnitude (Ms=8.0) e elevadas intensidades sentidas (em particular na região algarvia com intensidade máxima VIII) não causou qualquer vítima mortal, tendo só provocado danos materiais na região algarvia.
  • 1 de Janeiro de 1980 – Este sismo, de magnitude 6.8, afectou os grupos Oriental e Central do Arquipélago dos Açores, causou enormes danos na cidade de Angra do Heroísmo. Causou a morte a 61 pessoas e provocou danos em cerca de 15000 habitações tendo 5000 destas colapsado;
  • 9 de Julho de 1998 – Este sismo, de magnitude 6.0, teve epicentro a escassos quilómetros a Este da Ilha do Faial e provocou 8 mortos, 150 feridos e a destruição de 1500 habitações nas Ilhas do Faial e Pico. (Informações obtidas aqui – pdf).
  • 17 de Dezembro de 2009 – Um sismo de magnitude 6.0, com epicentro no Oceano Atlântico, a 185 km de Faro e a Oeste de Gibraltar, foi sentido esta madrugada, à 01h37, um pouco por todo o país. O Instituto de Meteorologia diz que este foi o maior abalo registado no nosso país desde 1969.

Em vista disto, lançamos um repto aos leitores do Aventar. Acha que o país está preparado para sismos de elevada magnitude? O que acha da Protecção Civil de que dispomos ? E das infra-estruturas? O leitor tem conhecimentos técnicos ou académicos na matéria? Conhece alguém que os tenha e queira participar numa discussão séria no Aventar? Alguém que possa publicar artigos elaborados sobre o assunto? Deixe a sua opinião na caixa de comentários ou envie-nos textos para o sítio do costume.

 

O Acordo Ortográfico discute-se aqui

acordo_ortograficoDizem que entrou ontem em vigor, mas nem parece. Apenas um jornal e a Agência Lusa afirmam começar desde já a utilizá-lo.

Discutido ao longo dos anos pelos profissionais do ramo, abrimos a porta para que avente a sua opinião, nós iremos deixando aqui a nossa.

Ao longo dos próximos dias os aventadores  explicarão se aderem, e porque o fazem.

Tentaremos igualmente deixar sugestões de páginas na net que possam ser úteis a quem queira escrever de acordo com as novas regras, e não sabe como fazê-lo.

Pode participar através de comentários, ou deixando a sua opinião no sítio do costume.

Todos os textos serão publicados, desde que respeitem as regras da casa, é claro.