Têm 24 horas, caso contrário chamo o Hugo Soares

Foto via Cátia Domingues@Twitter

Sobre as declarações de Isabel Monteiro, a tal empresária que afirmou ter a confirmação de 73 mortes em Pedrógão Grande, crescem agora as suspeitas de que possam ter a mesma credibilidade que os suicídios confirmados por Pedro Passos Coelho, esse ex-líbris do nojento aproveitamento político que o PSD vem fazendo deste caso.

A confirmar-se a veracidade do comunicado emitido ontem pela Procuradoria-Geral da República, o número de vítimas mortais da tragédia mantém-se igual: 64. Significa isto que um certo número de jornais e jornalistas está a prestar um péssimo serviço ao país, aldrabando-o. Por este motivo, proponho um ultimato à comunicação social, com vista a apurar que forças se escondem por trás do spin a que temos sido submetidos nos últimos dias. Têm a partir de agora 24 horas para esclarecer o país, caso contrário chamarei o Hugo Soares para por ordem nisto.

Última hora: “Entre os detidos se encontra José Sócrates”

escreveu a Veja (com agência EFE), citando a Procuradoria-Geral da República: “Entre os detidos encontra-se José Sócrates”. Ainda bem que “a unificação da ortografia permite a divulgação do mesmo texto em vários países”.

Pergunta para a Procuradoria Geral da República

Destruir deliberadamente um bem público para benefício de privados não é crime? ou já prescreveu?

Liberdade de expressão e galopes de estado

Nem imaginam o gozo que me deu isto:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou hoje que não vai abrir qualquer inquérito com base nas declarações feitas por Otelo Saraiva de Carvalho a propósito das manifestações de militares, “a não ser que factos posteriores o justifiquem”. in Público

depois de ter escrito ontem mais ou menos o mesmo: há leis parvas, o artigo 326º do Código Penal, pela sua inutilidade óbvia , ultrapassa todos os limites. A menos que a ideia tenha sido a de muito simplesmente violar a liberdade de expressão (alteração violenta do Estado de Direito pode muito bem ser lido como defender uma revolução, por exemplo), desconfio que foi mesmo.

Ou seja, só pela sua designação, vários partidos políticos portugueses seriam imediatamente extintos, numa golpada semelhante à que tem afastado os independentistas bascos de processos eleitorais, e a ideia era essa, não era?

Não houve foi até hoje condições políticas para a aplicar mas a nossa direita desde que foi vítima de um golpe de estado seguido de um processo revolucionário que não sonha com outra coisa (esquecendo-se de que chegou ao poder através do 28 de maio, uma verdade agora muito inconveniente).

Cromo do Dia: Procuradoria Geral da República

As coincidências começam a ser demasiadas para parecer acaso: de cada vez que há personalidades sonantes envolvidas acontecem os atrasos, os desentendidos e os emperramentos. Levar quatro meses a responder a um e-mail é falta, no mínimo, de profissionalismo. Já o procurador fazer piadas com o português que acha oriundo do Brasil é provincianismo bacoco  e faz cair a substância em saco roto.

Um cromo a rasgar e substituir por outro.

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Porque está Pinto Monteiro estarrecido com as fugas de informação?

Vá-se lá perceber porque, mas o jornal i diz que Pinto Monteiro “terá ficado estarrecido” com a divulgação de um dos seus despachos em vários jornais, no fim-de-semana. O "Diário de Notícias" e o "Correio da Manhã" transcreveram mesmo diversas frases do despacho de Pinto Monteiro que arquivou as certidões para eventual investigação de um eventual ‘atentado ao Estado de Direito’ que envolveria o primeiro-ministro, José Sócrates, no caso Face Oculta.

Até já mandou abrir um inquérito “com prioridade e urgência" para determinar de onde surgiu a fuga de informação.

Não se percebe a razão do espanto do Procurador-Geral da República. As fugas de informação em questões de justiça são quase o pão nosso de cada dia. Seja ou não segredo de justiça.

Se calhar é altura dos órgãos de justiça olharem para o umbigo e procurarem ai as causas do estarrecimento permanente em que vivemos.