A insustentável extraordinariedade do milagroso défice geringonço


mrstc

Teodora Cardoso afirmou que o facto do défice se ter fixado nos 2,1%, “ate certo ponto”, foi um “milagre”, e que o resultado foi obtido através de medidas extraordinárias que não são sustentáveis. E talvez tenha razão. Eu, depois de ver no que deu a Geringonça condenada à nascença, deixei de ter certezas. Tantas profecias da desgraça não podiam estar erradas. Só que estavam.

Claro que eu, ao contrário da Dra. Cardoso, não percebo nada de economia e finanças. What do I know? And yet, não preciso de um curso na Business School da moda para perceber que medidas extraordinárias insustentáveis foram o prato do dia no tempo da Caranguejola, como o foram de todas as caranguejolas que a antecederam. Fossem o património público que o ex-primeiro não ia vender “como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro”, fossem os cortes e os brutais aumentos de impostos, o défice de Passos e Portas, como o dos seus antecessores, nunca cumpriu a meta europeia. Aliás, governo algum conseguiu um défice mais baixo que os 2,1% da Geringonça. E não faltaram medidas extraordinárias insustentáveis nos últimos 20 ou 30 anos. 

A reacção de Marcelo, esse grande comuna, é a mais óbvia possível. Milagres são em Fátima, para quem acredita neles. O défice saiu mesmo do pelo dos portugueses. Como de resto tem sido ao longo dos anos, com a diferença que os números exigidos por Bruxelas nunca tinham sido atingidos. Com ou sem medidas extraordinárias insustentáveis. Foi preciso vir o PREC geringonço para a coisa entrar nos eixos. E livrem-se de acusar Marcelo de destratar o seu partido, que o professor não deixou de referir que o esforço já começou em 2011. Algo que, em bom rigor, tem um toque de facto alternativo. O esforço existe desde sempre. A governação é que tem sido uma merda.

Fotos: Lusa e RR

Comments

  1. Paulo Só says:

    A verdade é que as finanças públicas continuam completamente fora de controle. Os Bancos fazem o que querem, a autoridade tributária não tem autoridade nem tributa, os ricos, claro. O Banco de Portugal não faz nada, a roubalheira continua, o Relvas quer comprar o Novo Banco que o governo dele deixou falir, e fez os desgraçados imigrantes pagar, os hospitais estão aos pedaços, não há transportes públicos, as empresas pagam os impostos na Holanda, e temos uma classe de bandidos acima da lei, que junto com os bandidos franceses alemães, chupam tudo o que se produz neste país. Olhamos a Grécia com highbrow. eles tiveram o Homero e o Sófocles, nós o Camões e e o Vasco da Gama, a verdade é que além disso só temos uma escumalha dos diabos. A pergunta que eu gostaria de fazer à D. Teodora é a seguinte: como é que eu posso educar os meus filhos para serem ladrões também? Ou se põe isto em ordem ou a democracia neste país não dura 20 anos.

    • joão lopes says:

      “os bancos fazem o que querem” pura verdade e tratam inclusivamente os depositantes com meia duzia de patacos ,como puro gado.

  2. joão lopes says:

    milagres,só do (paulo) nuncio apostolico,que vai á missa ao domingo e lava a alma imediatamente,para a voltar a sujar na segunda feira(e os “catolicos” do cds só o são por interesse,porque fica bem)

  3. ZE LOPES says:

    Afinal o Papa vem anunciar a canonização de Santa Geringonça, palavra da postuladora Teodora! Atendendo ao inequívoco prestígio de tal personagem, nem vai passar pela beatificação. Seria uma perda de tempo.

  4. Manuel Silva says:

    Caro João Mendes:
    Tire-me uma dúvida.
    A idade da reforma aumentou assim tanto?
    Ou para falhar todas as previsões e entalar os governos de que se não gosta não há idade de reforma?

    • José Peralta says:

      D. Teodora, está parada no Tempo ! Conheci-a na década de 1970 e, para minha surpresa, o seu aspecto físico e idade aparente, pouco difere dos dessa época !
      Portanto, a senhora, em matéria de “aposentação”, deve ser… intangível…

  5. Ricardo Ferreira Pinto says:

    O discurso dela, miúdo, é realmente incrível. É que, mesmo sem aquela medida extraordinária, o défice ficaria sempre abaixo dos 3%.
    E só de pensar que, se o Governo realmente quisesse – rendas excessivas da Energia, benefícios fiscais aos grandes grupos económicos, isenções de tudo e mais alguma coisa, despesas de consultoria e afins para os grandes escritórios de advogados, lobbies dos deputados do PS-PSD-CDS, etc. – o défice ainda ficaria abaixo dos 2%.
    Não é que isso do défice me preocupe muito. Qualquer dia, querem que o Estado dê lucro.

  6. anti pafioso. says:

    A Madama , está lélé da cuca, ou então pergunto ! o que anda a madame a fumar ?.

Trackbacks

  1. […] está a safar muito mal, o que explica em parte o discurso catastrofista-paranóico da oposição. Mas não nos venham falar de medidas extraordinárias como se o anterior governo a elas não tivesse…. A diferença foi a ausência de resultados. E isso, como é óbvio pelo que vamos lendo e ouvindo, […]

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