Secret Story 5

João Sérgio Reis

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Ontem tentei (juro que tentei e vi) ver uns 15-20 minutos da xaropada da TVI que se chama Secret Story 5. Epá, eu peço desculpa a todos/as os que gostam de ver isto (incluindo aqueles milhares que dizem que não vem, mas sabem os nomes daquela Gente toda..) mas eu não aguento mesmo.. Descobri que há licenciados na casa e sabem tanto da vida e tem tanto nível que me deixam siderado. Ouvi pérolas que pensava não serem possíveis a gente de tal “gabarito”. Como disse uma amiga: “ao menos ainda conseguem escrever, já não é mau”. É mau, aquilo é tudo muito mau. Tinha de ver com os meus próprios olhos para tirar as minhas conclusões. [Read more…]

Odisseia: a televisão sem medo

odisseia-rtpEstreou, ontem, Odisseia, um programa de Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e Tiago Guedes. Estando a televisão portuguesa transformada em telelixo, é natural que evite a mistura entre inteligência, sensibilidade, provocação ou cultura. Nada disso é evitado neste programa, num duplo risco de afrontamento da indústria televisiva e do próprio humor.

Bruno Nogueira é, há alguns anos, um caso sério de humor irreverente e inteligente, mesmo quando desbragado (e o desbragamento é uma manifestação de inteligência, especialmente  numa sociedade em que se pensa que vestir um fato é sinal de seriedade). Por outro lado, fica-se com a impressão de que o rapaz sabe que o humor não pode estar obcecado em ser inteligente, até porque as piadas demasiado inteligentes podem levar tanto tempo a ser compreendidas que uma pessoa arrisca-se a perder a vontade de rir. Para além disso, estamos perante um humorista que parece gostar do risco de chocar e, até, do risco de não fazer rir. [Read more…]

Educação: isso, agora, não interessa nada

O Paulo Guinote, em quatro textos (aqui, aqui, aqui e aqui), demonstrou que os argumentos demográficos que tornam desnecessários mais professores estão errados. Tudo começou com mais uma declaração infeliz do Primeiro-Ministro, logo secundado por Miguel Relvas e reforçado por Carlos Abreu Amorim, ainda com o apoio de insurgentes e outros marialvas defensores da reconversão, da emigração, da mobilidade como valores absolutos, contra as mariquices daqueles que se preocupam com a Educação e que, por isso, são simplesmente acusados de corporativismo. Um clássico, enfim.

Até ao momento, ninguém se insurgiu contra o estudo feito pelo Paulo Guinote (e gostaria de reforçar a palavra estudo), talvez porque decidiram, prudentemente, que o silêncio é a melhor defesa, depois de, imprudentemente, terem perdido tempo a escrever sobre temas que desconhecem, talvez aproveitando as preciosas informações de Michael Seufert, insurgente deputado do CDS que tanto tem perorado sobre Educação. Mais importante do que isso é, sem dúvida, exprimir saudades de Salazar.

Não tendo muito mais a acrescentar, remeto para outros textos que já escrevi (aqui, aqui e aqui), apenas para lembrar que, seja como for, o argumento demográfico é e será sempre insuficiente, porque as decisões sobre a necessidade de contratar mais ou menos professores vão e devem ir além disso, o que não é o mesmo que afirmar que é obrigatório garantir emprego a qualquer preço a todos aqueles que tenham formação para ser professor.

Em Portugal, decide-se, na maior parte das vezes, porque se decide que é preciso decidir alguma coisa. Com frequência, essas decisões assentam em critérios errados ou simplistas, o que vem a dar no mesmo. Há reflexões, contributos e estudos mais do que suficientes sobre Educação, continuamente ignorados e/ou ultrapassados por critérios alheios à vida das escolas. Enquanto isso acontecer, qualquer decisão sobre a necessidade de mais ou menos professores está inquinada e terá efeitos negativos sobre o futuro da Educação, mas isso, agora, não interessa nada, como diria Teresa Guilherme, numa frase que resume a filosofia política de quem tem andado pelo governo nos últimos anos.

Teresa Guilherme é directora do JN

A manchete do JN de hoje, dedicada ao comportamento censurável de um médico, é a prova de que Teresa Guilherme assumiu a direcção do jornal, transformado agora numa filial da “Casa dos Segredos”. Não me espantaria que o próximo editorial fosse intitulado “Isso agora não interessa nada”, com a nova directora a explicar de que modo o estômago prescinde da ética, mostrando que um vício privado é mais importante do que qualquer outro assunto.

A ser verdade, o conteúdo da notícia refere-se, evidentemente, a factos graves, mas daí a considerá-lo digno de chamada à primeira página vai a distância entre um tablóide e um jornal. O Correio da Manhã que se cuide.