Nossa Senhora da Censura

Fotografia Fecebook/Gate 7

Devido à intervenção da Igreja, o cortejo do Carnaval de Torres Vedras vai ficar privado da imagem de Nossa Senhora da Bola, criação satírica de Bruno Melo. Ou seja, quem se mete com a Igreja continua a levar. [Read more…]

A promessa do Hermenegildo do Ramalhal, candidato da caranguejola local

É a promessa do costume – porco no espeto – mas desta vez – pasmem-se – não é a junta que paga. Isto para não falar na “animação com vários motivos de interesse”, planeados para o Dia do Trabalhador. Está prometido, camarada Hermenegildo. O Ramalhal é seu!

via Bocage 2.0

Carnaval – o meu sonho brasileiro

O Rodrigo publicou excelente texto pedagógico da história do Carnaval de Torres Vedras. Mera coincidência: na última noite – vá lá saber-se por que razão – sonhei com o Rio de Janeiro e o Carnaval Carioca.

De calção, “t-shirt”, ténis e com um “Swatch” de plástico, baratinho, vi-me a sair de um hotel, na Avenida Atlântida, encaminhando-me para a direita. De súbito, dou comigo no Bar Garota de Ipanema, antigo Bar Veloso, onde algures nos anos 60, Vinicius e Jobim compuseram a mais internacional das canções da MPB, precisamente chamada ‘Garota de Ipanema’ – a musa inspiradora foi Helô Pinheiro, hoje assim conhecida, mas, ao tempo, era a jovem cidadã Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, descendente de uma família portuguesa, Gonçalves de Menezes.

Com uma ‘caipirinha’ no bucho, a imaginação sonhadora deambulou para o ‘Carnaval Brasileiro’, versão carioca, considerada a mais autêntica e refulgente de todas. Dados históricos revelaram-me que o início Carnaval do Rio remonta a 1846, quando ali emergiu pela primeira vez a figura do ‘Zé Pereira’ e do Entrudo, festa popular portuguesa, então desembarcada na capital de Guanabara.  

Até passar algum tempo, entre os dois carnavais – português e brasileiro – as semelhanças tinham algum sentido. Mas no final do Século XIX, a folia brasileira, em termos de conteúdos e formatos, havia de se destacar dos costumes lusos, nomeadamente das características ainda hoje prevalecentes em Torres Vedras.

 Independentemente da pobreza sofrida em ambos os azimutes, os prazeres carnavalescos no Rio – e em outras cidades do Brasil – servem para gozar a euforia de viver, com hinos populares à alegria, como ilustra a letra do samba dos anos 40 de Francisco Alves: ‘Com pandeiro ou sem pandeiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco / Com dinheiro ou sem dinheiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco…

Em Torres Vedras, o argumento de fundo é, como acentua o Ricardo, a sátira política. É divertido sim senhor, mas não é a mesma coisa…

O Carnaval de Torres


O Carnaval de Torres Vedras marca a vivência quotidiana das suas gentes. Não só durante a quadra mas ao longo de todo o ano. Diz-se que a vida são dois dias e o Carnaval são três. Em Torres, são seis. Seis dias de puro prazer e entretenimento, que só se podem comparar à tradicional Feira de S. Pedro.
É ainda na primeira metade do século XIX que, em contraponto aos festejos de rua, desorganizados e desordeiros, começam a aparecer os bailes públicos nos teatros ou no Casino Lisbonense, destinados a uma burguesia endinheirada.
Ao longo do século XIX, o Carnaval de Lisboa foi definhando, na mesma medida em que nas terras em redor as comemorações da quadra eram cada vez maiores. Foi o caso de Torres Vedras.
A primeira referência à sua comemoração data de 1547, através da queixa de um tal de Jerónimo de Miranda, revoltado pelo facto de uns moços, moradores na vila, terem provocado uma briga, «trazendo rodelas, espadas, paus como costumam o tal dia.» O «tal dia», obviamente, era o dia de Entrudo.
Em finais do século XIX, o Carnaval de Torres Vedras era muito desorganizado, limitando-se a bailes e récitas em colectividades e casas particulares, alguns mascarados pelas ruas e pouco mais. «Como nos anos anteriores, o Carnaval passou-se em completa desanimação, o que não é para admirar. Velho caduco, já não está para grandes coisas», era a tónica dominante dos comentários da imprensa, neste caso publicada em «A Voz de Torres Vedras» de 26 de Fevereiro de 1887.
Mesmo assim, nesse ano e nos que se seguiram, já se notava uma característica que ia marcar estes festejos ao longo de toda a sua história: a sátira política. O costume de «lançar pulhas», por seu lado, serviu muitas vezes como pretexto para as autoridades municipais tentarem «calar» os foliões. Por essa época, o Carnaval de 1908, realizado pouco depois do Regicídio de D. Carlos, foi o mais animado de todos. [Read more…]

Breve história do Carnaval


O termo Entrudo serve para designar o período que antecede a Quaresma e provém da palavra latina introitu – início. Quanto a Carnaval, está relacionado com o abuso da carne (em todos os sentidos) na mesma época do ano.
A comemoração do Entrudo perde-se na poeira dos tempos. Antes ainda do nascimento de Cristo, estava relacionada com os cultos da fertilidade, no início da Primavera. Era o regresso da luz e da abundância que então se comemorava. Os egípcios dedicavam a festa a Isis e a Apis, os atenienses dedicavam as suas «festas de Bacanais» a Dionísio, os Romanos a Saturno, protector da agricultura e das sementeiras.
Em 340, o Papa Júlio I autorizou que, em Milão, os cristãos pudessem despedir-se em grande dos prazeres da carne antes da Quaresma. Daí os excessos que se começaram a cometer no Carnaval a partir daí em países de forte tradição católica. Foi a forma encontrada pela Igreja, segundo algumas versões, de se apropriar de todo o simbolismo popular.
«Segundo uma lenda popular recolhida no concelho de Torres Vedras, existia no tempo de Cristo um santo que gostava muito de carne, chamado de Santo Entrudo, fazendo grandes festas com muitos convidados, onde só se comia carne. Quem não estava contente com essa situação eram os pescadores, que não vendiam o seu peixe e foram queixar-se a Jesus Cristo, que então definiu os dias em que se podia comer carne, dançar e fazer festas, e marcou a época para os pescadores, a quaresma, durante a qual não se podia comer carne, nem dançar ou fazer festas.» (Jornal Área, 4 de Março de 1980, in Venerando de Matos, «Carnaval de Torres: Uma História com Tradição»)
A moda das máscaras e dos cortejos de rua iniciou-se durante o Renascimento, na Itália dos séculos XV e XVI. Incomparável, em relação a todos os outros, era o Carnaval de Veneza. Um Carnaval que é hoje sinónimo de charme e de classe, mas que na época significava libertinagem sem limites. No resto da Europa, a quadra também se comemorava, mas de forma mais pobre e mais espontânea. [Read more…]