Educação: isso, agora, não interessa nada


O Paulo Guinote, em quatro textos (aqui, aqui, aqui e aqui), demonstrou que os argumentos demográficos que tornam desnecessários mais professores estão errados. Tudo começou com mais uma declaração infeliz do Primeiro-Ministro, logo secundado por Miguel Relvas e reforçado por Carlos Abreu Amorim, ainda com o apoio de insurgentes e outros marialvas defensores da reconversão, da emigração, da mobilidade como valores absolutos, contra as mariquices daqueles que se preocupam com a Educação e que, por isso, são simplesmente acusados de corporativismo. Um clássico, enfim.

Até ao momento, ninguém se insurgiu contra o estudo feito pelo Paulo Guinote (e gostaria de reforçar a palavra estudo), talvez porque decidiram, prudentemente, que o silêncio é a melhor defesa, depois de, imprudentemente, terem perdido tempo a escrever sobre temas que desconhecem, talvez aproveitando as preciosas informações de Michael Seufert, insurgente deputado do CDS que tanto tem perorado sobre Educação. Mais importante do que isso é, sem dúvida, exprimir saudades de Salazar.

Não tendo muito mais a acrescentar, remeto para outros textos que já escrevi (aqui, aqui e aqui), apenas para lembrar que, seja como for, o argumento demográfico é e será sempre insuficiente, porque as decisões sobre a necessidade de contratar mais ou menos professores vão e devem ir além disso, o que não é o mesmo que afirmar que é obrigatório garantir emprego a qualquer preço a todos aqueles que tenham formação para ser professor.

Em Portugal, decide-se, na maior parte das vezes, porque se decide que é preciso decidir alguma coisa. Com frequência, essas decisões assentam em critérios errados ou simplistas, o que vem a dar no mesmo. Há reflexões, contributos e estudos mais do que suficientes sobre Educação, continuamente ignorados e/ou ultrapassados por critérios alheios à vida das escolas. Enquanto isso acontecer, qualquer decisão sobre a necessidade de mais ou menos professores está inquinada e terá efeitos negativos sobre o futuro da Educação, mas isso, agora, não interessa nada, como diria Teresa Guilherme, numa frase que resume a filosofia política de quem tem andado pelo governo nos últimos anos.

Comments

  1. Carlos Guimarães Pinto says:

    Caro António Nabais,

    Antes de mais, ninguém se insurgiu aos posts do Paulo Guinote pelo simples motivo de que a natureza da discussão se alterou. Da minha parte estive sempre disposto a discutir até ao ponto que começaram a ser utilizados argumentos de autoridade e ataques pessoais (este comentário é um bom exemplo disso http://educar.wordpress.com/2011/12/27/o-problema-demografico-educacional-2-a-evolucao-das-matriculas/#comment-660433).

    Como, por aqui, até ao momento, a discussão ocorreu sempre de forma digna, ficam aqui os meus comentários:

    1. Antes de mais é evidente que não é só a demografia a ditar, no curto prazo, as necessidades de professores. Medidas administrativas de aumento de carga horária, alocação dos professores a outras funções, aumento da escolaridade obrigatória ou expansão da rede podem de facto fazer crescer a necessidade de professores. Mas não é isso, nunca foi, o que está em causa. Toda e qualquer medida desse género, por definição, aumentará o custo por aluno do sistema de educação e essa é uma discussão completamente diferente. E os argumentos aí terão de ser completamente diferentes.

    2. Também é indiscutível que ninguém conhece tão bem os factores que condicionam a necessidade de professores como alguém que seja um participante activo no sistema. Isso não pode, porém, desqualificar mais ninguém da discussão. É ridículo pensar que só os professores podem discutir este tipo de assunto, em que, obviamente, são parte interessada. Devem ser parte activa, e estudos como estes do Paulo Guinote seriam parte importante dessa discussão, se houvese abertura para isso.

    3. Agora em relação aos “estudos” em si:
    – No primeiro, ele revela, e bem, que o número de crianças entre os 0-14 anos diminuiu em 84,000 nos últimos 10 anos. Ficou por escrever que nos 10 anos anteriores a esses já tinha caído mais de 300,000.
    – O segundo “estudo” utiliza dados para 4 anos, o que é irrelevante para a questão demográfica. Também se baseia apenas nos alunos do continente e no ensino público o que mais uma vez tornam a análise no mínimo incompleta.
    – O terceiro “estudo” é o mais relevante para a questão. E aqui são cometidos dois erros de análise. O primeiro é restringir a análise aos últimos 10 anos, quando a questão demográfica vem de trás. Mas passando ao lado desse, há outro mais sério que tem que vêr com a evolução dos alunos do secundário que o Paulo Guinote afirma que cresceram 15000. Olhando o detalhe dessa evolução, nota-se que até 2008 o número de alunos tinha caído 74000 e que em 2009 subiu repentinamente 90000 (quase tudo na categoria “Recorrente e Outros”). Salvo o facto de ter havido um baby boom em 1994, não me parece que esse crescimento tenha origem demográfica…
    – O quarto estudo é realmente importante para a discussão que falo em 1, mas tem pouco que vêr com a situação demográfica.

    Nos últimos anos têm nascido sempre menos de cem mil crianças por ano. O saldo migratório também não ajuda. Achar que isto é um problema para a empregabilidade futura dos professores não é um ataque à classe, é matemática.

    • António Fernando Nabais says:

      Não conheço o Paulo Guinote e não tenho nenhuma procuração para o defender, mas, mesmo sendo ocioso andar aqui a perder tempo à procura do ovo e da galinha, é um mau princípio de debate atribuir a qualquer futuro contendor falta de “sinapses funcionais”, por ter criticado o que disse Passos Coelho. Sei que essa frase não é da sua autoria, mas também não lhe fica bem o simplismo pontuado por alguma falta de polidez com que aconselhou Maria João Pires a, ente outras coisas, prostituir-se há uns anos ou o mesmo simplismo com que no texto “Injusto e imoral” explica de uma penada os problemas de um país viciado num socialismo que, a ter existido, tem servido, sobretudo, para assistir aos privilegiados que têm, de alguma maneira, relação com os partidos do arco do poder. Entretanto, é igualmente delirante a descrição, também ela simplista, que faz da suposta propagação ideológica feita nas escolas, em que provavelmente os professores passarão o tempo a dizer aos alunos coisas como “Vocês tirem o curso que vos apetecer, que o Estado há-de arranjar-vos emprego!”
      A partir do momento em que admite que “não é só a demografia a ditar, no curto prazo, as necessidades de professores” já consegue, praticamente, tornar desnecessário todo o resto da discussão e, ao mesmo tempo, ainda que implicitamente, criticar o incentivo à emigração de profissionais do ensino, uma vez que, afinal, não há a certeza de que sejam desnecessários ao sistema. Se isso significa aumento de custos, é outra questão, mas essa é sempre iludida, porque os vários governos alegam que as medidas são sempre tomadas a pensar nos alunos. No dia em que assumam, frontalmente, que fazem cortes porque é necessário gastar menos dinheiro, a discussão poderá ser outra.
      Ninguém pensa que a discussão deva estar limitada aos professores. O problema, especialmente nos últimos sete anos, é o inverso: o que os professores dizem é ignorado. É ridículo que os professores não sejam uma parte importante dessa discussão, sempre com base na ideia de que não passam de um bando de inúteis e corporativistas preocupados apenas com a manutenção do seu empregozinho (“se houvesse abertura para isso”, estudos como o do Paulo Guinote seriam, efectivamente, parte importante da discussão). Quem fica desqualificado numa discussão é quem produz afirmações simplistas, a começar num homem com a responsabilidade do Primeiro-Ministro que, levianamente, aconselha professores a emigrar.
      O Paulo Guinote não limita a sua análise aos dados demográficos e isso faz-nos sempre voltar ao princípio da discussão, sendo possível resumir a coisa da seguinte maneira: por um lado, os dados demográficos não são tão demolidores que permitam afirmar, por si só, que, de repente, há um grande número de professores desnecessários; por outro lado, uma análise daquilo de que Portugal necessita, em termos educativos, provará, quase de certeza, que são necessários mais professores.
      No seu último parágrafo, insiste em reduzir este debate a uma discussão entre gente razoável e professores a defenderem o emprego lutando contra os moinhos da Matemática. Os professores estão a ser atacados, como a maioria das classes profissionais. O grande problema é o ataque que está a ser feito à Educação. O desperdício de recursos humanos – os professores, neste caso – é um crime que Portugal pagará caro. O problema, veja lá se percebe, não está em garantir empregos à toa, está numa total ausência de planeamento e não me admiraria que, à semelhança do que se passa com os médicos, daqui por uns anos se venha a descobrir que são necessários mais professores, não porque a demografia sofreu alterações, mas porque não houve (nunca houve) verdadeiras “reformas estruturais”. A responsabilidade por isso caberá àqueles que, como o Carlos, vivem fascinados por aquilo a que chamo marialvismo neoliberal, que, na prática, desvaloriza a importância de tudo aquilo que não possa ser integrado num programa de gestão ou de contabilidade. São marialvas como o Carlos que estão a governar e a fazer um lindo serviço. Se é certo que ao chamar-lhe “marialva” não estou a elogiá-lo, espero que, ainda assim, não se sinta insultado.

      • Excelente comentário. Ainda por cima concordo com tudo!

      • Carlos Guimarães Pinto says:

        A noção de que o estado, ou seja os contribuintes, têm a obrigação de garantir um emprego a quem tirou cursos superiores independentemente da real necessidade de profissionais, é presença permanente nos discursos da esquerda. Mesmo o professor Paulo Guinote o evidencia aqui (http://educar.wordpress.com/2011/12/28/o-liberalismo-educacional-umas-dicas-sobre-o-funcionamento/) e indirectamente ao afirmar que só a evolução a partir de 2000 interessa, “porque os professores formados que estão agora alegadamente em excesso já o foram depois de 2000 e não antes”. É este o tipo de mentalidade de que falo no post “Injusto e imoral”. Falo da noção de que com liberdade de escolha deve vir a responsabilidade em assumir as consequências dessa escolha, e não esperar que sejam os outros a arcar com os custos dessa escolha.

        É evidente que não é só a demografia o factor relevante para o número de professores empregados, mas, como disse, qualquer outro factor implicará o aumento dos custos da educação. E é isso que está implícito no discursos de Passos Coelho: não haverá um aumento de custos para combater o efeito da demografia na empregabilidade dos professores. Porque, como saberá, qualquer aumento de custos num lado será feito por sacrifício noutro lado, e o “outro” lado esgotou a sua capacidade de fazer sacrifícios. É evidente que medidas administrativas podem, e têm-no feito, aumentar o número de empregos para professores, mas o efeito demográfico vai no sentido oposto. Mas em relação a isto parece que afinal concordamos.

        Só uma última nota em relação ao meu post (de 2009) sobre a Maria João Pires. Como expliquei inúmeras vezes na altura, e uma leitura atenta do post deveria dispensar explicações, eu não disse que a senhora deveria prostituir-se disse apenas que aquilo que ela estava a fazer era mais imoral do que se prostituir. Se quiser desqualificar-me de qualquer discussão futura faça-o com base na afirmação real e não naquilo que os senhores do 5 Dias viram nessa afirmação.

        Cumprimentos,

        • António Fernando Nabais says:

          O que fica demonstrado pelo Paulo Guinote é que o problema demográfico, só por si, não justifica prescindir de professores e os restantes factores que devem ser tidos em conta na resolução do problema educativo português obrigam a que sejam necessários mais recursos humanos. Logo, a referência simplista à demografia como razão única é, simplesmente, leviana e contrária a tudo aquilo que se deve esperar de um governo responsável, não porque seja necessário defender uma corporação, mas porque constitui um sintoma da falta de planeamento crónica nos nossos governantes.
          Passos Coelho não é, para mim, uma referência, como não o era José Sócrates e o que ele disse foi muito explícito. Nos últimos sete anos, na Educação tem havido uma redução brutal dos custos, devido a congelamentos vários e outros truques. Decidir sobre Educação implica, obviamente, ter em conta as questões económicas e financeiras, mas não pode fazer-se à custa da Educação propriamente dita: a Educação é um investimento em algo que é tão fundamental como intangível, algo que não se pode medir numa folha de cálculo, por muito elaborada que seja.
          O problema do país está numa classe política que se tem aproveitado dos dinheiros públicos e nada disso está a mudar. Este governo, mantendo os amiguismos e os favores aos poderosos, está só a aproveitar a situação para criar um mercado de trabalho assente em salários baixos e em retirada de direitos (chamando-lhes “privilégios”), ao mesmo tempo que destrói áreas em que o Estado deve ter uma presença forte e exemplar, como é o caso da Educação, da Saúde e da Justiça. Reduzir decisões sobre Educação aos custos é tão errado como querer resolver os problemas da Educação sem atender, também, aos custos.
          A deselegância em que me parece ter incorrido, mais do que uma vez, detectei-a por aquilo que li escrito por si e não por aquilo que foi escrito sobre si. De qualquer modo, só me referi a isso, porque se queixou de ataques pessoais. Seja como for, os seus argumentos não valem mais ou menos por isso. Na minha opinião, estão errados, simplesmente.

  2. Não me vou pronunciar sobre a necessidade de aumentar ou diminuir o número de professores. O rácio que gera esta discussão é o número de estudantes por professor que é dos mais baixos da OCDE, este rácio é dado por:

    Rácio = \frac {a \times b} {c \times d }

    Onde:

        a – Número horas lectivas por semana (dos professores)
        b – Dimensão da turma
        c – Número de disciplinas
        d – Carga horária disciplina por semana

    Assim, os motivos para este número ser baixo e termos turmas grandes são (sem ordem específica e sem exclusividade de argumento):

    • a‘ – os professores dão poucas horas de aulas. O que poderá ser verdade se estamos a considerar nestas contas professores que não dão aulas, por exemplo que tenham outras funções nas escolas ou que tenham um ou dois alunos (por exemplo ensino especial). Aqui a pergunta é: faz sentido usar professores dessa forma? Não se pode optimizar o processo?
    • b‘ – já vimos que o factor ‘dimensão de turma’ influi até positivamente o rácio, logo por aqui não vale a pena insistir;
    • c‘ – este é um factor importante. O número de disciplinas é muito alto, isso exige muitos professores. Necessitamos de tantas disciplinas? – Como o ensino não é uma ciência natural, não temos uma resposta definitiva quanto a isto. A pergunta que faço é: temos disciplinas a mais? Como é nos outros países?
    • d‘ – quanto ao factor carga horária apenas temos que perguntar se temos as horas suficientes para ensinar. Como, parece-me, este argumento não é muito usado, tenho que concluir que o número de horas é adequado (já não me lembro bem, mas quando andava na escola pareciam-me horas a mais!)

    Parece-me que tudo isto é governado pelo número de horas lectivas e pelo número de disciplinas.

    • António Fernando Nabais says:

      Relativamente a a), tenho alguns comentários:
      – Não sei se os professores dão poucas horas de aulas. Há uma conta que nunca nenhum legislador, que eu saiba, quis fazer: para dar uma aula de uma hora, de quanto tempo para além dessa hora precisa um professor para a preparar? É certo que, apesar dos meus 25 anos de serviço, não tenho uma resposta absoluta para te dar, mas essa pergunta deve ser feita, sobretudo a partir do momento em que Maria de Lurdes Rodrigues atribuiu mais funções aos professores, retirando-lhes tempo extralectivo. Lanço-te um desafio: imagina que tens de explicar, numa hora, a vinte pessoas um tema que lhes seja desconhecido e que tu domines. De quanto tempo precisas para te preparar? Achas que meia hora é razoável ou será pouco? Esse exercício serve de mera ilustração, claro, mas permite adivinhar o horário de trabalho semanal de um professor.
      Relativamente à alínea b), dou-te um caso-limite: durante dois anos, leccionei Português Língua Não Materna a uma aluna chinesa. No meu horário, estavam quatro horas e meia por semana (seis tempos lectivos de 45 minutos) só para isso. Para um gestor, isto deve ser algo parecido com uma heresia, mas seria justo fazer isso de outra maneira? Com base em critérios meramente economicistas, essa rapariga foi atirada para uma turma de 12º normal, o que faria com que a professora ficasse com dois níveis completamente diferentes dentro da sala: a maioria a estudar Fernando Pessoa e Saramago e a miúda a aprender matérias muito mais básicas. Não será justo que, nestes casos, devam ser formadas turmas mais pequenas, de um aluno que seja?
      Ainda relativamente a este ponto, e aceitando sempre a importância de olhar para os custos, mas há justiça em negar o direito de uma minoria que seja a aprender Grego e, sobretudo, Latim?

      • Como disse, não tenho opinião sobre este assunto, quis apenas explicar porque motivo o rácio para Portugal é baixo. Quando digo que os professores têm poucas horas lectivas estou apenas a constatar um facto, dado que é necessário que assim seja para o rácio ser pequeno tendo em conta as restantes variáveis.

        Não podemos negar uma oportunidade (real) a ninguém, isto inclui a tua aluna (coloca-la numa turma de nível diferente é deitar dinheiro fora e não é uma oportunidade real). Por outro lado é difícil de aceitar o uso de professores para tarefas que não impliquem dar aulas (burocracia nas escolas, professores destacados para o ministério e outros sítios, etc). Penso que os professores devem ser usados para fazer aquilo para que foram formados: ensinar. Os professores deviam ser libertados das tarefas não docentes, quanto mais não seja porque um professor é caro e um manga de alpaca é barato. Já agora, quanto à preparação das aulas, penso que estas devem ser adaptadas aos alunos em causa, mas parece-me que algum desse trabalho podia ser preparado a nível central, poderá ser menos interessante para o professor, mas seria mais eficiente – mas não sou professor, não ligues muito às minhas opiniões pedagógicas.

        Quanto à questão que colocas no fim, em princípio não podemos negar a ninguém nenhum tipo de conhecimento. Neste caso penso que tem de haver bom senso. Eu bem que gostava de ter aprendido Latim…

        • António Fernando Nabais says:

          O teu contributo para a discussão, em qualquer um dos comentários, é precioso, nada menos que isso.

    • jorge fliscorno says:

      Na Alemanha, há uns anos, os alunos tinham aulas apenas num turno, manhã ou tarde. Comparativamente, a carga horária e número de disciplinas cá é uma monstruosidade.

      • António Fernando Nabais says:

        Esse é um dos vários problemas que continuam a existir. A verdade é que o alargamento dos horários, em Portugal, está relacionado com a desregulação dos horários de trabalho dos pais, a quem dá jeito que as escolas estejam abertas mais tempo.
        Para além disso, a escola deve oferecer aos alunos actividades diferentes das lectivas, o que até pode ser feito com o contributo dos recursos físicos e humanos das escolas.
        Finalmente, a resolução dos problemas educativos não se pode desligar das políticas sociais.

  3. Tiro ao Alvo says:

    Permitam-me salientar que:
    1-É evidente, parecendo-me incontestável, que os professores, sobretudo os professores dos primeiros graus de ensino, ganham acima da média dos portugueses com profissões que exigem o mesmo nível escolar e com iguais responsabilidades, inclusive de funcionários de outras áreas da administração pública;
    2-Todos sabemos que muitos dos professores não o são por vocação, nem obtiveram cursos orientados para essa actividade profissional, mas que abraçaram essa carreira à falta de “melhor”;
    3-Como aqui se pode ver, o prof. Nabais usa, por regra, uma, uma linguagem provocadora, evidenciando grandes dificuldade em ouvir e estudar os argumentos de outrem, sempre que os julga contrários aos seus interesses;
    4-É sabido que o prof. Guinote vive empenhado a defender os seus interesses e os interesses da corporação que integra – não é por acaso que o seu blogue fala em umbigo -, considerando que os professores ganham o justo e que, todos, devem ser promovidos ao nível máximo salarial estabelecido para o topo da carreira, não obstante os fracos resultados obtidos pelos nossos estudantes, como é público e notório.
    E assim sendo, e é assim, não posso deixar de manifestar a minha simpatia pela forma de elevada de argumentar do Helder Ribeiro, a contrastar, como disse, com a altivez e o tom provocatório do Nabais, aspectos que considero ser meu dever realçar.
    Bom 2012!

    • António Fernando Nabais says:

      Permito-me salientar que discordo de 1 e não sei se 2 está certo, mas o Carlos deve ter alguma informação que eu, com 25 anos de serviço, não possuo. Relativamente a 3, confirma-se a sua ausência de argumentos e a falta de educação habitual que o leva a fazer princípios de intenções ou a adivinhar coisas sobre a vida alheia, podendo o mesmo dizer-se para 4, até porque não me lembro de ter lido o Paulo Guinote defender que os professores devem todos ser promovidos ao topo de carreira seja de que maneira for. No que respeita ao Hélder Guerreiro, estou completamente de acordo consigo e digo o mesmo acerca do Carlos Guimarães Pinto, pelo menos nesta caixa de comentários.
      Finalmente, qualquer crítica que me seja feita por si deixa-me sempre com a impressão de que estou no bom caminho.

      • Tiro ao Alvo says:

        Diz que tem 25 anos de serviço como professor e que não conhece colegas seus, formados nas mais variadas áreas, desde a arquitectura até às físicas e químicas, passando pelas diversas engenharias e ”gestões”, que enveredaram pelo ensino por que não arranjaram “melhor” ocupação, mais a seu gosto, digamos assim? Se não conhece, é por que vive num mundo diferente do meu.
        Pelo que diz, também não costuma ler o doutor Paulo Guinote, no Público. Só pode.
        Quanto ao dizer que, quando eu o critico, seja a que propósito for, isso lhe dá uma indicação de que está no caminho certo, penso que essa sua posição deriva da sua maneira de ser e de estar, arrogante e provocatória, como a considerei.
        Claro que, conhecendo-o mal, admito estar enganado, mas…

        • António Fernando Nabais says:

          Fazendo, então, uso da minha já lendária arrogância, explico-lhe um bocado melhor o meu comentário: nunca disse que nunca conheci colegas meus que ficaram pela docência por más razões e até conheço alguns que, apesar disso, são melhores que outros que quiseram ser professores. Limitei-me a responder que não sei se “MUITOS dos professores não o são por vocação, nem obtiveram cursos orientados para essa actividade profissional, mas que abraçaram essa carreira à falta de “melhor”, que foi o que você escreveu. Não sei se há muitos ou poucos, percebe? Limitei-me a responder a essa sua generalização, porque não vejo maneira de demonstrar isso ou o contrário, mas, como está muito preocupado a pensar que me conhece de algum lado, não perde a tempo a ler o que está escrito.
          Não costumo ler o Paulo Guinote no Público. Leio-o no seu blogue, todos os dias, e reafirmo: nunca li nada que se parecesse com uma defesa cega dos professores. Muitas vezes, já li algumas críticas – e fortes – a vários defeitos da classe.
          Como já não é a primeira vez que você, comigo e com outros aventadores, deixa escapar insinuações acerca de características ou interesses pessoais e como procura agredir em vez de argumentar, só lhe respondo por pura provocação (até lhe estou a dar razão, vê?). De qualquer modo, em bom rigor, deveria ter dito: tendo em conta a consideração que as suas opiniões me merecem, quando o leio, desconfio de que estou certo, mas não fico com a certeza absoluta. Se a minha arrogância me permite ou não dar valor a quem discorda de mim, isso é um problema que, com a minha idade, não conseguirei resolver. A não ser que eu, afinal, não seja arrogante e dê, até, muito valor a quem argumenta educadamente e não fica a pensar que me conhece porque me leu ou porque, na realidade, não percebeu o que escrevi.

  4. #1,
    O excelentíssmo postador/comentador insurgiu-se quando eu evoquei escritos anteriores em que adjectivava como “parasitas” pessoas que saiam de Portugal por cá não terem apoios.
    E depois insurgiu-se por eu ter buscado as suas credenciais académicas e profissionais para comentar um assunto que pelos escritos se notava desconhecer.

    Portanto… a “indignidade” também está em quem se renega, aos seu passado e à sua “obra”.
    Google-me a ver se me chateio.

  5. #11,
    O seu ponto 4 é hilariante.
    Mas… vá lá… como sou EE de uma petiza no ensino público… quiçá… também defensa os interesses dos alunos?

    Nem todos os que discutem isso podem dizer o mesmo.

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