Repor a família tradicional

Repor a família no centro da política social, sem motivos morais, mas porque é a melhor forma de proteger crianças e adultos.

A maior preocupação, não é a forma de relação dos pais, mas a que mais e melhor estabilidade e qualidade der às crianças e aos adolescentes.

E daqui se parte para políticas concretas e que o Estado deve promover: a) apoiar activamente o papel do pai e as responsabilidades partilhadas entre ele e a mãe. b) substituir incentivos fiscais por apoio público à família nos momentos chave c) construir redes de apoio para ajudar adultos e crianças a ultrapassar situações de divórcio ou de rupturas .

É desta forma séria que se discutem os problemas inerentes à família, na velha e democrática Inglaterra. À direita, não se resiste à tentação de se ver na família tradicional e no casamento um superior princípio moral, à esquerda, não se resiste à tentação de desvalorizar em absoluto esta forma de vida.

A verdade é que famílias intactas produzem excelentes resultados no futuro das crianças (quando comparados com os resultados de crianças criadas em outros ambientes) e não interessa se há ou não casamento, o que interessa é que exista família intacta: pai, mãe e filhos.

Não há, nestas propostas, qualquer sentido moralista, mas sim porque é na família tradicional que as crianças e adultos concretizam o seu maior potencial.

PS: ver Martim Avilez Figueiredo no i “Politics for a new generation,the progressive moment” de 2007 e “The progressive manifest” de 2004 -livros de Antony Giddens.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Inteiramente de acordo (não sei se estás a reparar que, em 2010, ainda não discordei…)
    Interessante que se chame «família tradicional» à família normal, nuclear – pai, mãe e filhos – por oposição à família disfuncional que, a bem dizer, não é família. Gostava de ouvir a opinião do Professor Iturra (pois tudo o que dele tenho lido sobre o tema é muito interessante – simultaneamente revolucionário e sensato – coisa que parece quase impossível).

  2. Luis Moreira says:

    Estares de acordo comigo se mostra que estás inserido numa família como deve ser…

  3. maria monteiro says:

    Bom agora sou eu que começo a discordar e logo no inicio do ano… Eu represento o oposto disso tudo, não criei uma família tradicional: sou mãe e solteira por opção. Não me tenho saido mal no duplo papel de paiemãe

  4. Carlos Loures says:

    O que eu quis dizer é que o conceito de «família tradicional» é redundante. Não concordo com a designação, por me parecer uma sobrecarga conceptual. E, por certo, apliquei mal o conceito de disfuncional que só faz sentido quando aferido relativamente à tal família nuclear, normal, por assim dizer. Não é coisa do foro das tradições, tem a ver com a natureza social da espécie. Que existam outras formas «exóticas» de organização familiar e que funcionem bem, acredito. Mas são atípicas. E nem sequer estou aqui a considerar «exóticas» (o termo é teu) as famílias de outras culturas, como as islâmicas, por exemplo – para mim são famílias normais. Embrulhei tudo ou fiz-me entender?

  5. Luis Moreira says:

    Desculpem, mas o que está em causa no texto é que a família (conjunto de pai, mãe e filhos; podem ser os meus, os teus e os nossos) deve ser recentrada como o instrumento fundamental das políticas sociais de apoio, unicamente, porque é a célula mais eficaz no combate aos problemas que atingem crianças, jovens e adultos.
    Quando se refaz a familia, a que fica, ou a que se cria, passa a ser a formula mais eficaz para se atingirem os objectivos sociais .
    Digo mais que uma vez ( até porque o que está em causa é a eficácia, o que dá melhores resultados) que não há aqui valores ou juízos acerca da legitimidade desta ou daquela forma.

  6. carla romualdo says:

    Luís e Carlos, eu não pretendo fazer considerações sobre qual é o modelo familiar mais adequado.
    Apenas pretendi ressalvar que não se deve considerar disfuncional uma família por não se enquadrar no modelo tradicional. Se não era isso que querias dizer, Carlos, as minhas desculpas, mas de facto foi assim que o entendi.

  7. Carlos Loures says:

    Não, não era isso que queria dizer – o que quis dizer foi um pouco o contrário – não se deve desvalorizar o modelo «tradicional» porque nesta matéria não deve funcionar o conceito de moda. Quanto ao resto, só é disfuncional o que não funciona (e esta pérola de sabedoria?). E não tens que pedir desculpa, até porque a minha primeira intervenção pecou por falta de rigor de linguagem. Este meio de comunicar é tão expedito que quase queremos nele integrar a linguagem gestual. Creio que não há desacordos em questões de fundo, o que houve foi desacertos de comunicação.

  8. Luis Moreira says:

    Maria, o teu exemplo deve servir para clarificar. A tua família (por opção) é eficaz assim, tu e o teu filhote são felizes e isso é tudo. Mas o cerne da questão é: se a tua família ( que tu queres que seja assim) fosse disfuncional, o Estado deveria dirigir as suas políticas de apoio social à família disfuncional e não ao individuo Maria, ou Tomaz…
    A Carla diz o essencial da questão, ( mas não esgota) não interessa a forma, interessa que as POLÍTICAS se dirijam à família , e não ao individuo. O que leva as famílias a tornarem-se disfuncionais? É aí que o Estado deve ajudar (sem entrar em razões de amor, paixões assolapadas e repentinas, Alzheimer precoce…) antes ou depois, repondo factores de equilibrio nas famílias.

  9. maria monteiro says:

    gosto dessa Maria do exemplo.
    Ela vê a família não assente no “até que a morte nos separe” mas no até que o fim nos separe mas sempre mantendo a amizade.


  10. Embora tardiamente, eu queria dar inteira rezão à Carla. Qualquer família, tradicional ou não, pode ser funcionante ou disfuncionante, sendo muito difícil saber exactamente o que isto significa. Luis Moreira, penso que é o Estado que se deve adaptar, evolutiva e progressivamente, ao tipo de familia, seja ela qual for, e ao tipo de organização social que for emergindo, e não o tipo de família que deve definir-se de modo a facilitar a organização previdencial e assistencial do Estado. Até porque a constituição social de uma família é um fenómeno muito complexo que ultrapassa as instituições e não se constitui do pé para a mão com o preenchimento de qualquer documento notarial.

    • Luís Moreira says:

      A questão colocada não tem a ver com a funcionalidade e ou legitimidade da família, tem a ver com a maneira mais eficaz de o Estado orientar as sua políticas de apoio social.


  11. Estamos na mesma , Luis. Para que haja mais eficácia na orientação das políticas de apoio social do Estado, constituamos famílias que a isso se adaptem.

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