Credo, tanto Bom!

A Ministra da Educação afirmou que a inflação de “Bons” na avaliação dos professores deriva da “tradição da atribuição desta nota aos docentes por parte de quem avalia”. Depreende-se daqui que Isabel Alçada sabe que parte dessa avaliação foi mal efectuada. Conclui-se, então, que, por um lado, alguns (Isabel Alçada saberá, com certeza, quantos) desses professores não deveriam ter tido “Bom”, e, por outro, alguns avaliadores não desempenharam o seu papel com competência, pois a tradição não deve ser critério de avaliação.

A assunção destes dados tem de levar a Ministra a reagir, alterando as classificações atribuídas e chamando à pedra os avaliadores incompetentes, nos casos em que isso esteja verificado. Não vejo que se possa fazer de outro modo, uma vez que a atribuição de classificações erradas pode levar a que os professores mal avaliados se sintam dispensados de melhorar as suas práticas, com evidentes prejuízos para os alunos.

Em vez disso, Isabel Alçada aproveita o ensejo para falar… de progressão na carreira, explicando que é por causa desta tradição nefanda que o Ministério quer “distinguir os professores que obtenham Muito Bom e Excelente com uma progressão mais rápida” Perceberam? Não? Eu resumo, então: o problema – grave – de haver um grande número de professores mal avaliados com “Bom” resolve-se fazendo progredir os que tiverem “Muito Bom” ou “Excelente”. E agora? Já perceberam? Eu também não.

Estava a brincar: percebi muito bem. É fácil de perceber, porque a questão é a mesma da anterior porta-voz do governo para a Educação: cercear ao máximo a progressão na carreira. As outras questões menores como a qualidade do ensino ou as condições de trabalho ou a formação contínua e inicial dos professores ficam para os discursos de circunstância ou para os preâmbulos palavrosos dos decretos.

Prevejo que, mais logo, Isabel Alçada apareça com um sorriso sofrido a lamentar a falta de flexibilidade dos sindicatos. Será bom sinal.

Comments

  1. maria monteiro says:

    «Será bom sinal» credo, mais um bom!

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