Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte IV

(Parte I, II, III)

3- Avaliação

Sempre defendi que a questão central da nossa luta era a divisão na carreira (impossibilidade de chegar ao topo) e não a avaliação. Neste aspecto, o acordo resolve.
Entendo as dúvidas dos professores – que são também as minhas. Muito em particular no que diz respeito à avaliação.

Maria de Lurdes construiu um modelo IMPOSSÍVEL de aplicar – só isso explica o aparecimento dos SIMPLEX’s que lhe seguiram. Pois bem, este acordo, o que garante é a continuidade do SIMPLEX, mais coisa menos coisa e isso é muito mau para as escolas, e por isso, péssimo para os alunos.
Ciclos de avaliação de dois anos é um absurdo (“pelo menos duas por ano lectivo” é uma formulação infeliz que tem de ser clarificada em sede de regulamentação). Não vamos fazer mais nada na escola e isso vai condicionar as práticas e com isso prejudicar os alunos.
A introdução de uma lógica de competição na escola também não ajuda nada, a Escola, claro. Não tenhamos dúvidas – os Professores vão competir e vão tentar ter Muito Bom e Excelente. Acontece que isso seria o mesmo que o Cristiano Ronaldo competir com o Iker Cassillas (guarda-redes do Real): precisam um do outro e o trabalho de ambos é complementar. Não faz qualquer sentido que elementos da mesma equipa tenham que competir, principalmente quando o “objecto” dessa competição é o trabalho com pessoas, neste caso com crianças e jovens.
Esta mudança conceptual nas práticas docentes vai arrebentar a curto prazo e como o António Avelãs, estou convencido que mais cedo do que tarde vamos ter que mudar este sistema de avaliação.
Ao contrário do que defendem os do costume, ele não distingue, não permite identificar os melhores e não ajuda a melhorar. Um exemplo para ilustrar: “Um colega que nas férias e fins-de-semana vai à escola tratar dos jardins, que durante um ano não deu qualquer falta, foi avaliado com BOM na assiduidade. Argumento do Director: “porque sim!”.
E há ainda uma questão central: o modelo de gestão. Reparem. No pedagógico, 13 / 14 pessoas, mais de metade são nomeadas pelo Director, que é também, à luz deste acordo o responsável principal pela avaliação.
O Paulo Guinote sugere que a formulação do acordo pode implicar a revisão do 75/2008 – porque, creio, usa a palavra eleitos. Penso, salvo melhor leitura, que isto se refere à eleição dentro do próprio pedagógico.
De qualquer modo o problema central está lá – uma só pessoa ( e reitero a opinião de que neste momento a maioria são umas bestas!) fica com o poder total sobre a vida das pessoas!
Neste aspecto o acordo é péssimo, ainda que a porta para a revisão do modelo de gestão fique aberta!
Assim, entendo porque se assinou (todos até ao topo), mas não deixo de considerar como MUITO NEGATIVA a manutenção deste modelo de avaliação que vai continuar a prejudicar os alunos porque é burocrático, sem sentido e permeável a todo o tipo de burrice, como foi possível verificar num passado recente!
Nota: tenho dúvidas se o que realmente levou as pessoas para a rua não foi a carga burocrática que a avaliação trouxe. Temo, que a manter-se o modelo, o inferno vá continuar… e a Paz longe das escolas

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