Kissinger- Clínton

Kissinger-Clinton

A Newsweek traz um diálogo entre Kissinger e Hillary Clinton. Tudo paleio de chacha, daquele que estamos fartos de ouvir desde Nixon e mesmo antes. A conversa de Kissinger cheira a ranço. As tretas de Clinton cheiram a requentados em micro-ondas.

Mas numa coisa, apenas, me detive. Diz Kissinger, aquele Nobel da Paz (?!), amigo de Soares, que foi um dos principais responsáveis pelo vergonhoso e sujo golpe do Chile, e pelo assassínio de tanta gente bem intencionada, boa e pacífica, que, terminar a guerra, passou a ser considerado, segundo muitos, como a retirada das forças, única estratégia de saída. Ou então, segundo este santo estratega, após a vitória pelas armas, ou a vitória decorrente da diplomacia ou da extinção da guerra a pouco e pouco.

Coitados, andam todos a tentar sair de cara lavada, desta fossa onde se enfiaram e enfiaram o mundo. Mas não há detergente capaz de limpar a merda que vão deixar nas páginas da história.

Vitória nem vê-la, por um lado, porque nem que conseguissem o domínio físico, longe e bem longe do seu alcance, nunca teriam, pelo menos nas mentes que, em todo o mundo, ainda se orgulham de alguma honra, dignidade e lucidez, uma vitória moral.

Quanto à diplomacia, a diplomacia dos EUA toda a gente a conhece. Apertam a mão a todos os que rastejam a seus pés e tentam destruir tudo e todos os que se opõem aos seus instintos demolidores.

A terceira hipótese é, quanto a mim, a mais condizente com a natural cobardia deste tipo de bárbárie, a extinção da guerra a pouco e pouco, como aconteceu no Vietnam, como está a acontecer no Iraque, como vai acontecer no Afeganistão, com os calcanhares a bater no cu, deixando atrás de si um rasto de  milhões de mortos e feridos, refugiados, famintos e desgraçados.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.