Respostas às dúvidas no Umbigo

Na Educação do meu Umbigo podemos ler algumas dúvidas sobre o acordo entre o ME e os Sindicatos. Para não ser acusado de só escrever o que é simpático para os sindicatos, vamos lá às respostas:

A – Deverá ser, ou não, absolutamente inadmissível que os sindicatos aceitem que as classificações do 1º ciclo de avaliação tenham qualquer tipo de consequência, beneficiando ou prejudicando quem quer que seja e no que quer que seja?

Considero que sim – que o que aconteceu até agora não deve ser considerado – ou seja, penso que se pode resolver isso considerando que o próximo ciclo “cobre” o que aconteceu até agora, tal como se sugere para os regulares.

B – É ou não verdade que este novo estatuto irá beneficiar muito mais quem está próximo do topo da carreira?

Sim. Concordo. Este acordo, a curto prazo é melhor para os que estão no topo da carreira.

C – É ou não verdade que, com este estatuto, pode acentuar-se ainda mais a desigualdade de tratamentos salariais entre aqueles que fazem igual trabalho?

Sim. Com progressões em ritmos diferentes, teremos gente a receber diferente para fazer trabalho igual. Mas, é também verdade que temos gente, há muitos anos, a ganhar igual e a fazer MUITO diferente.

D – O que vai acontecer a quem está no índice 218 (actual 4º escalão e antigo 7º)? Não irá essa imensa massa de gente ser a mais penalizada?
Sim. Admito que estes são um grupo CLARAMENTE prejudicados, a curto prazo, com este acordo.

E – Irá ser suficientemente garantida a isenção e igualdade de tratamento no processo avaliativo futuro em todas as escolas do país? Será isso viável?

Não é isento e não é viável (já o escrevi antes: http://www.aventar.eu/2010/01/09/acordo-o-que-la-esta-nao-esta-deveria-poderia-parte-iv/)

F – Já está claro que parâmetros de avaliação vão ser tidos em conta? Já alguém percebeu o que distingue o B do MB? O que é um professor (qualquer profissional) Excelente?

Não.

G – E se de repente todos começarem a pedir aulas assistidas?
Uma tremenda confusão.

H – E se de repente todos, a partir do 3º escalão, resolverem que querem ser avaliadores e adquirem formação específica: quem, e em que condições, lha dará? ou E se ninguém, ou muito poucos (era giro, mas não acredito!) quiserem ser avaliadores?
Para esclarecer em sede de regulamentação, mas também não me parece que isto seja um problema que resulte DESTE acordo – iria resultar de qualquer acordo.

I – É ou não verdade que a carreira docente corre o grande risco de tornar-se cada vez menos atractiva, e daqui a poucos anos só entrará nela quem não “tiver onde cair morto”?
Talvez… Quase de certeza… Aliás, é o que acontece há uns anos…

J – A Escola, por este andar, está ou não condenada definitivamente a tornar-se uma empresa, ficando completamnete descaracterizada?

Também concordo com isto – a matriz da escola, por força da “obrigatória” competição, vai mudar… para pior.

L – Alguma vez, por este andar, será possível ambicionar que “a paz volte às escolas“?
Não.

Agora se me permites uma questão minha:
comparando este acordo com o Estatuto Maria de Lurdes e considerando o contexto actual da mobilização dos professores, foi ou não um acordo “suficiente”?

Comments

  1. Florinda says:

    Olá João Paulo!
    A tua capacidade de análise continua brilhante, esmiuçando o Acordo. Mas não estou de acordo contigo. Para mim este foi apenas um Acordo Politico/Partidário, pelo tempo, pela forma e pelo conteúdo do mesmo. Sim, houve umas “coisas” sobre a carreira e sobre a avaliação… não seria preciso tanto show para o que se acordou naquele dia. Fico muito contente com o fim da divisão da carreira e dos “titulares”. Mas “isto” já estava garantido. Não dependia de qualquer assinatura naquele dia.
    Não tenho qualquer esperança que este Acordo vá pacificar a Escola, promover melhor ensino, promover uma carreira mais aliciante.. antes pelo contrário…
    Bom ano João Paulo

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