Professores : aberta a caixa da Pandora

Muitas vezes dizemos coisas desagradáveis mas que têm que ser ditas, correndo o risco de sermos mal compreendidos, e até de perder amigos ou relações que estimamos.

Quando abordo a questão dos professores e da escola pública, faço-o por uma única razão. Porque se há coisa que me fez feliz foi a escola; se há coisa em que acredito é que só a educação nos tira da pasmaceira e da miséria, e não só cultural; porque se há profissão que tem influência nas nossas vida é a de professor.

Devo grande parte do que sou a dois/três professores, nada tenho contra os professores, mas tenho contra o estado a que chegou a educação e a dependência da escola pública dos burocratas quer do ministério quer dos sindicatos. E não vejo os professores a lutarem contra isso. Há aqui e ali quem o perceba, mas a maioria está convencida que tudo se resume à bulha de burocratas.

Leiam o editorial de hoje do “Negócios”, está lá tudo o que  escrevi aqui no Aventar. Tudo! Não sou adivinho, nem estou “a armar aos cucos” porque é fácil perceber que ,mais uma vez, o país vai pagar muito caro. Há mesmo frases iguais às minhas, com a diferença que o meu texto foi escrito há 3/4 dias.

Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública: “Exigimos a suspensão da avaliação. Vamos travar uma batalha por causa disto”.

Nobre dos Santos, coordenador da FESAP: Os professores têm que seguir um regime equiparado aos dos restantes profissionais”.

A comparação entre as condições dos professores e os outros profissionais são gritantes, desde logo na Carreira.Mais breve nos escalões e com menos escalões; Quotas: regime francamente melhor; Orçamento: a progressão dos professores não está sujeita a disponibilidade orçamental para além de ser mais breve  ; Bonificações: não há bonificações para os restantes funcionários.

A CGTP e a UGT limpam armas : …”um técnico superior pode terminar a sua vida activa sem sequer ter chegado a meio da tabela salarial…mesmo que tenha desempenho “relevante” ou “excelente” a progressão depende das decisões dos dirigentes e da existência de verba para o efeito.”

O meu texto chama-se ” A lógica do Estado Corporativo”, incomodou muita gente, mas não foi preciso esperar muito, em dois/três dias as corporações estão aí !

Um Estado fraco, balofo, acossado por escândalos, com um primeiro ministro que faz da mentira um argumento político, com responsáveis a ganharem balúrdios porque são deste ou daquele partido, ou são família ou são amigos, fortunas individuais a subirem à mesma velocidade que o país empobrece…

Quem chega primeiro ao pote do mel! Eis a questão, o objectivo, o modo de vida!

A política socialista em todo o seu esplendor!

Comments

  1. Florinda says:

    Subscrevo o que escreve! Os 3 primeiros parágrafos sensibilizaram-me profundamente, como professora… que também fui aluna 🙂 Perdemos, há muito, muito tempo, qualquer “norte” do que é realmente a importância do/a Professor/a… já estou velha… talvez haja que ter esperança nos mais jovens! Será talvez algo diferente do que foi. Mas tem toda a razão: há sempre 2 ou 3 professores que determinam as nossas vidas! Para o bem e para o mal

  2. joao j cardoso says:

    Usei ontem essa expressao para o que espero que aconteça: que o resto da função pública tenha aprendido a lição e siga o exemplo dos professores. Era muito giro se acabassemos com o estado e o privatizassemos. Custava era muito mais dinheiro embora enchesse os bolsos dos muitos que vão ficando com as privatizações dos serviços públicos. É isso que queres? É que às vezes parece.

    • Luís Moreira says:

      O que eu quero é que isso que vai acontecer fosse antecipado.Tudo não passou de mais dinheiro. A conversa da melhor escola, da melhor gestão, de mais autonomia, é tudo treta de encher…

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