ANTROPOLOGIA

James Frazer.

Longe de mim esse estar feliz pelos comentários que andam por ai sobre a nossa ciência. Dizem que a Antropologia não tem valor porque não trabalha com estatísticas e percentagens. Não trabalha com amostras, trabalha um universo completo, estuda todas as pessoas, um universo. A Ciência Social da Sociologia e outras como a Ciência Política, inquirem apenas dentro de um grupo selecto de pessoas e aprofundam o seu comportamento de interacção social, enquanto analisam os seus afazeres engenharia social a educação e a gestão das empresas e do governo ou o comportamento político de uma sociedade, por outras palavra, o governo da polis o cidade, estado o nação.

A Antropologia tem outros objectivos, derivados da sua própria definição, anthropos ou homem, e logos pensamento, palavra grega que indica a ciência preocupada em estudar o homem e a humanidade de maneira total, ou seja, abrangendo todas as suas dimensões, como diz Rossano Carvalho Nunes, no seu texto de 2007, intitulado Anthropology, editado pelo Instituto Grupo Veritas de Pesquisa em História e Antropologia.

Citações há imensas, desde o começo do exercício da ciência. Homero, Hesíodo e os filósofos pré Socráticos, já se colocavam a questão a respeito do impacto das relações racionais, valorizando muito mais a apreensão da realidade no dia a dia da experiência humana, como procuravam os filósofos pré Socráticos. Foi, sem dúvida, na Antiguidade Clássica que a medida humana se evidenciou como centro da discussão acerca do mundo. Os gregos deixaram inúmeros registos e relatos acerca de culturas diferentes das suas, assim como os chineses e os romanos.

Nestes textos, nascia, assim dizendo, a Antropologia, e no Século V antes de nossa era um exemplo disto se revela na obra na obra de Heródoto, que descreveu minuciosamente as culturas com as quais o seu povo se relacionava. Da contribuição grega fazem parte também as obras de Aristóteles, acerca das cidades gregas, e as de Xenofonte a respeito da Índia. Entre os romanos merece um destaque o poeta Lucrécio que tentou investigar as origens da religião, das artes, ocupando-se do discurso. Outro romano, Tácito analisou a vida das tribos germânicas, baseando-se nos relatos dos soldados e viajantes. Agostinho, um dos pilares teológicos do catolicismo, descreveu as civilizações greco-romano pagãs, vistas como moralmente inferiores as sociedades cristianizadas. Na sua obra discutia de maneira pouco elaborada, a possibilidade do tabu do incesto funcionar como norma social, a garantia da coesão da sociedade.

Estas eram as bases mais antigas da Antropologia. Estudar ao ser humano não era nem fácil nem simples. As temáticas entravam dentro da privacidade das pessoas. É certo esses estudos gregos e romanos, mas nunca acabavam de definir os conceitos. Mudava a geração, tornava se a temática. Quem mais falara de felonias, era Tomás de Aquino, que entre 1267 e 1273, escrevera um imenso tratado sobre a Teologia, esse saber desses tempos, à qual acrescentara a avareza, a usura, os interesses de dinheiro penhorado e outras ideias, analisadas por mim em vários livros da minha autoria.

Séculos virados, o incesto continuava a ser analisado, com a introdução do estudo dos Grupos Domésticos ou grupos nucleares de famílias extensas. A nossa ciência centrou-se na família como elo central do estudo da conduta social, as suas formas de vida estrutura e organização, acrescentando a emotividade que entre eles existia…ou não. Os dois extremos passaram a ser pontos de interesse em relação a reciprocidade, herança, união familiar ou distância ganha entre eles.

Não foi estranho que a Antropologia entrara pelos trilhos da educação, especialmente por causa do crescimento académico da sociedade. Entender iletrados não era interessante. O interessante era como eles aprendiam e que espécie de alfabeto era usado para os estudos, si textos, ou rituais orais, ou ainda legislação que enviava a estudar em instituições especiais, como a escola, não apenas para aprender novas ideias, bem como para ser cidadão, todos iguais em frente da lei.

A nossa ciência começou a se interessar no método comparativo entre seres humanos denominados civilizados e outros, nativos. Para esta forma de comparar, a especialidade era viver com as pessoas estudadas ou analisadas durante tempos prolongados, por meio de bolsas de estudo e anos sabáticos. O Antropólogo para ser cientista, precisava viver e trabalhar como os outros.

Histórias sem fim narram de como muitos preferiram ficar a viver entre nativos analisados, em sociedades sem stress e pacíficas. Nasceu assim uma divisão entre os que habitavam entre o seu grupo analisado ou os estudava por livros: etnografia a primeira metodologia, que usava histórias de vida, as suas genealogias e as suas formas de trabalho, imitada com naturalidade pelo cientista. E a Etnologia, que costuma analisar a mente por meio de textos antigos, actuais e convívio com o grupo, sendo a semiologia a sua principal forma de estudo, uma verdadeira arte. Lévi Strauss foi o campeão deste forma.

Claude Lévi Strauss

Não me inventem agora que a Antropologia não tem utilidade prática. Estudar a mente humana dentro do seu contexto psicológico, ritual e geográfico, fazem dela um ciência imprescindível para entender a sociedade e ser a base de outras ciências que apenas estudam actividade, investimento e lucro. Sem entender o pensamento humano, não há estudo que avance e entenda o elo da humanidade.

Não era em vão começar pelos gregos, romanos clássicos e Idade Média, são as bases da nossa ciência e saber, desenvolvidos em tantas especialidades, que precisa de estudos aprofundados em história, psicanálise, teologia, catequese e rituais, especialmente essa minha frase: a religião orienta a cultura. Não por ser teísta bem como por ser pessoas que entende como entendem os grupos sociais, com divindade que faça milagres para ultrapassar as crises económicas e organizar a vida de forma totémica Por outras palavras, em grupos de solidariedade como foi estudado a partir do nosso pai refundador, James Frazer.

A educação e a psicanálise nada fariam sem a Antropologia e a Etnopsisologia, e História e a Arquitectura, a Epistemologia, Economia e Filosofia. Quem diga que Antropologia é uma ciência inútil, é apenas porque não sabe o que é a ciência e os seus objectivos. Especialmente, esse aprender a Arte de Governar por entender as ideias e as palavras e as actividades comparadas entre etnias e povos denominados civilizados. Apenas estas ideia, de civilização há mais entre os povos primitivos ou as áreas rurais ou entre o proletariado, que entre a burguesia que nos quer governar…e não consegue. Os Toqui, os Régulos, os Loncos, os Aletunchas e outros cargos, sabem melhor esse respeitinho que é necessário entre nós….para sabermos viver e viver melhor, em solidariedade e reciprocidade.

Comments

  1. Raúl Iturra says:

    Escrevi este texto como protesto pelas definições mal organizada da nosa ciência, que é pensada como pouco útil para o saber. Apenas uma pergunta, o que faria o saber sem o método comparaivo e a pesquisa in situ! Agradeço a Carlos Loures o português fixado e os tags, Apenas, meu caro que esqueceu o meu texto somre Monsieur le Proofesseur Claude Lévi Strauss, tributo a sua morte em Setembro de 2009 que até a APA fez do texto a sua bandeira de luto pela sua desparição

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.