A problemática do Tempo e do Espaço- contributos para uma análise critíca das filosofias de Galvão Bueno e Gabriel Alves

Gabriel Alves e Galvão Bueno, são sem dúvida os maiores filósofos de bola ainda em actividade.Ambos platónicos, a realidade comezinha da matéria não lhes interessa. Seria de esperar que como comentadores desportivos olhassem para o jogo que decorre no relvado. Mas não, Bueno e Alves, olham, tal como Platão,  para o alto, para o transcendente. No pensamento destes homens, espaço e tempo adquirem contornos que ultrapassam a percepção empírica.

Bueno, por exemplo,  nesta simples pergunta : o juiz marca falta na área… será que foi penalti? , inverte de forma sublime o bom-senso corriqueiro do foi penalti…será que o juiz marca? , dúvida que terá assolado ontem os adeptos do Porto, quando o Ruben Micael caiu na área. Ora, se Jesualdo fosse leitor de Bueno, saberia que tudo o que se passou foi que o jogador foi para o chão e caiu. Sem razão para protestos, portanto.  Bem sei que lhe ocorreram as palavras de Thierry Henry, esse grande ético dos nossos tempos: se o árbitro não queria que a gente ganhasse deveria tê-lo dito antes do jogo. Mas para Bruno Paixão – indubitávelmente um dos melhores árbitros portugueses- gamar o Porto, é, nas palavras do Grande Gabriel, algo de substantivo que não precisa de ser adjectivado.

Já quanto ao golo do Benfica é preciso perceber a importância de Ramires,  somente adjectivável pelas palavras de Mestre Alves. Trata-se de um jogador que joga pela direita pela esquerda e pelos flancos. Só assim se percebe a qualidade daquele centro para a cabeça de Cardoso. O  Tacuara não tem o tempo de salto de um Jardel, que segundo Alves, rondavam os 78cm, mas foi o que bastou para facturar. Registo no entanto que, tal como venho afirmando nos meus posts anteriores, o Benfica não está bem. Dizem que é cansaço, mas não. A verdade é que Jesus no início da época adoptava uma táctica inventada por Alves, o 3.4.3.3, e agora, não se percebe porquê, joga num limitado 4.4.2 clássico.

Adenda: Há um momento sublime no Benfica-Belenenses protagonizado pelo guarda-redes Bruno Vale. Depois de defender com a mão fora da área leva as mãos à cara. Não se tratou de uma tentativa de enganar o árbitro fingindo que a bola tivesse acertado no nariz. Bruno Vale tapava os olhos como que dizendo se não os vejo a eles como poderão eles me ver ? Uma das questões filosóficas mais importantes alguma vez colocadas por um jogador da bola.

Comments


  1. Lembro com sorrisos a diferença entre jogadores com lapsos de memória que surgem a defender o clube de coisas que não eram suas porque não era do clube e jogadores do SPORT LISBOA E BENFICA! O jogador do GLORIOSO chama-se RUBEN!
    Depois, creio, basta ler o expresso, para incluir aqui o LFL. O futebol também é isto, complicar o que é descomplicado, filosofar sobre o que não exige qualquer tipo de ciência do pensamento. Mas, poderia o futebol viver sem a filosofia? Podia e seria certamente a mesma coisa!

  2. Luis Moreira says:

    O Bruno levar as mãos à cara é um reflexo na linha dos que lhe permitem ser guarda redes, institivo, corajoso, sem medo do rídiculo (já viram coisa mais rídicula do que aqueles mergulhos dos guarda redes para apanharem bolas que todos vêm só pararem no fundo das redes?)

  3. Miguel Dias says:

    JP tratou-se de um compreensível lapsus linguae. O Ruben em causa não é Amorim mas Micael.


  4. Eu não leio posts de futebol. Faço uma excepção com os do Miguel (sei que é meu amigo e não me dá uma cabeçada) que anda, persistentemente, á cata de uma relação familiar do futebol com a filosofia. Coisa que a mim me parece tentar misturar azeite com água. Não falo do futebol como desporto, evidentemente, mas como máquina infernal de alienação e anquilose mental, manipulada por um exército de gajos e de himalais de interesses mais ou menos sujos, que, de uma ponta á outra me metem nojo. Penso que, para tentar dar alguma credibilidade ao futebol, se empenha nesta, quanto a mim, insólita e pouco promissora tarefa. Mas enfim, quem sou eu para falar de futebol, do qual não entendo a ponta de um corno…e muito menos de filosofia.

  5. Miguel Dias says:

    Caro Adão,
    credibilidade e futebol são antónimos inconciliáveis, mas faço minhas as tuas palavras:
    “… quem sou eu para falar de futebol, do qual não entendo a ponta de um corno…e muito menos de filosofia.”

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