Bufos (II)

A denúncia hoje feita no CM, informando o resto do mundo daquilo que estávamos fartos de saber, que sim, que parte da equipa governamental é paga para dar apoio ao blogues governamentais, encerra algumas questões interessantes sobre as quais me apetece opinar.

Primeira: é legítima a utilização de meios do estado para fazer passar a mensagem governamental?

Não devia ser mas é. Para todos os efeitos os governos têm assessores cuja missão consiste nisso mesmo, e nunca ninguém se abespinhou por tal. Haverá aqui assessorias que o não são para a comunicação social, e alguns gastos mínimos do orçamento do estado, mas isso são amendoins, como dizem os anglo-americanos: qualquer câmara mais municipal e menos corporativa gasta o décuplo por mês em publicidade a si própria. Não me escandaliza, desde que os envolvidos nunca tenham tido a lata de criticar a célebre central de comunicação santanista. O argumento muito usado nestes dias de que os outros também fizeram não é um argumento, é uma tolice, ou começamos todos aos tiros uns aos outros porque outros também já o fizeram.

Segunda: é correcto dentro de uma coisa chamada netiqueta que num debate político um dos lados tenha subterraneamente as assessorias todas de que precisa, sem o referir explicitamente?

Não é, mesmo que a netiqueta seja uma entidade vaga, e feita de pouco mais que senso comum. O leitor, e o problema está na recepção, tem o direito de saber que fulano escreve isto ou aquilo baseado na fonte x ou y. Servir de mero testa de ferro fica logo mal a quem o faz. Acresce que ao contrário do que alguns neófitos tentam defender o anonimato na net é uma prática de putos e de imbecis, neste caso de quem assinando com pseudónimo tenta fazer dos outros parvos.

Terceira: neste caso concreto a denúncia vinda de alguém que esteve no blogue oficioso da campanha do PS é bufaria?

Divulgar correspondência privada, nomeadamente mailes, é feio, acho eu. Nalguns casos os fins justificarão os meios, e este está nessa zona fronteiriça. Mas de mailes publicados percebe o DN e os que tiveram vários orgasmos quando tal  sucedeu. Este exemplo está mais na região do “arrependido”  que na do bufo, e embora ambas tenham uma ampla zona de intersecção não me parece que seja exactamente um exemplo de bufaria.

Já agora, o menino Pereira, que já teve vários nomes e adora insultar o próximo fazendo de conta que está a cuspir para o ar,  ficou furibundo com a notícia, e decidiu marrar com o Eduardo Dâmaso. O Eduardo Dâmaso é um setubalense que veio para Coimbra estudar Direito e saiu daqui sendo aquilo que já tinha vontade de ser: um excelente jornalista. O menino Pereira fica assim na curta distância de duas chamadas telefónicas do Eduardo para ser pulverizado, digo eu sem assessorias mas com algum instinto e conhecimento de causa.  O menino Pereira devia provocar mais vezes as pessoas crescidas como o Eduardo Dâmaso, pode vir a tornar-se bastante divertido.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    A bufaria faz sempre conta que fala com vontade própria e é exímia a arranjar razões para se esconder…

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.