E eu que pensava que tinha liberdade de expressão…

Apareci em Portugal, sem saber como nem por onde, a convite da Gulbenkian e do ISCTE, hoje IUL. Vinha da Universidade de Cambrige, onde ensinava e era Doutor em Ciência. Devia estar em Portugal apenas dois meses, não tinha mais licença de Jack Gody. Aliás, vinha do País da liberdade de expressão e da revolução temprana.

Pensei: se o UK é país de expressões livre, quanto mais não será Portugal que fez a sua Revolução apenas em 1974! Pareceu-me bem e fui ficando. Esses dois meses pasaram a ser 31 anos!

Esses 31 anos em que pensei que a liberdade de expressão era tão grande, que fiz em Portugal o que no Chile não me permitiam: falar e criticar a política do Governo, almoçar com o Presidente da República, sair com os meus discentes. Sem saber como, todo isso acabou. O Governo que nos quer orientar anda a levar-nos pelas ruas da amargura. A primeira felonia, escutas telefónicas, mas com aparência de outras intrigas palacianas.

A seguir, a ameaça do fecho do jornal «Sol» por revelar esta temática das escutas e outras ervas sobre o Primeiro-Ministro que nos governa, ou que pretende  governar-nos. Mas não parou aí quem  pretende ser um excelente Engenheiro, tanto, que em honra do socialismo que penso e executo e do meu Senhor Pai, apoiei a quem tem um aparente dom de mando e votei por ele.

Revelo assim o segredo da urna de voto, porque me sinto ameaçado. A minha liberdade de expressão acabou com o mandato do fechar o Semanário «Sol» E com a medida cautelar que será levada hoje para a Assembleia para não se discutir a liberdade de expressão, porque corresponde a outra comissão parlamentar. Serão medidas para adiar o debate da verdade. Serão boas intenções, que nas boas intenções vai ficando….

A minha liberdade de expressão treme. Nem a comentar as notícias me atrevo. Eu, que me tenho entregue em corpo e alma ao socialismo, que amortece a investigação com medidas cautelares.

Fiquei habituado ao socialismo democrático, aberto, sem punição, sem perseguições, com a verdade cara a cara, esse de Marx, Allende, Soares e Sampaio…E agora o quê, para me exprimir livremente… sem temores nem desencontros.. esses meus amigos Augusto Santos Silva, o Primeiro-Ministro que me coloca questões, a cara alegre e aberta de Jorge Sampaio, a melhor presidência do nosso país….
Será necessário o derrube de um outro muro de Berlim no país do 25 de Abril…

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Tem toda a razão, caro professor. Tenhamos todos medo.

  2. Luis Moreira says:

    Há que dizer não…

  3. Raul Iturra says:

    Devo confessar que escrevi este texto em meia hora. O que denomino “intriga palaciana”, é o temos dos temores.No meu ver, o governo minoritário que nos pretende orientar, anda perdido. Defendí as gradauação do PM, mas doravante, duvido. Defendí com dentes e unhas, o socialismo, custara me o exílio e a separação da família, sem substitutos. Confiei no governo minoritário mas esta revanche do PS, parta dele apenas, suponho eu, faqz a ferida ainda mais profunda. Como português, nnão tenho a menos dúvida que o governo deve ser mudado. Tirar a liberdade de esp
    ressão a um povo que a custa de muito esforço a cvonquistara! É evidente que não peço partidos da oposição, era pior, nem minoritários, que apoiam mas não seduzem.Penso que a honra do PS e do PM deve ser salva com novas eleições, com os Soares e Sampaios do PS, um PS às direitas. Até me ofereço a colaborar na campanha. Nunca esqueço as palavras privadas do meu grande amigo Augusto Santos Silva. Disse eu perdemos um grande cientista, ripostou, estou cá porque quiero. Então Ministro da Presidência, salva a nossa honra ou não…

  4. maria monteiro says:

    tudo está na nossa mão… não ter medo e saber dizer não

  5. Raul Iturra says:

    Parece me difícil entender os fracos comentários aparecidosd, Há medo ou que| Lamento não por puntos de interrogação escrevo em teclado britânico onde se devem inventar as palavra e a interogação não tem sido inventada. Telefonemas tenho recebido imensos, parace que não há medo às escutas, mas sim a escrita. Apenas uma exclsamação…por amor de deus, se a liberdade de espressão ou como se escreva correctamente, foi Jefferson que e explicara ao se libertarem como colºonias do UK e mais tarde, o Abade Sieyés a fez incluir a primeira Constituição da primeira República Francesa. Entendo, a ditadura portuguesa não tem sido esquecida nem pelo 25 de Abril, que é cada vez maiis fraco, como se pode ver no caso do Semanário Sol e do adiar o debate das escutas da Assembliea. Há quem diga serem intrigas da oposição.
    Meus senhores, andam muito ocupado entre eles como o gato e o rato…

  6. Carlos Loures says:

    Não, não há-que ter medo. Podemos não concordar com as medidas do Governo, podemos criticar as manobras que eventualmente terão sido feitas para calar vozes incómodas (crapulosas, mas incómodas). Todavia, parece-me um exagero falar de uma nova censura, de uma nova polícia política. O «silenciamento» do casal da TVI e do Mário Crespo é relativo, pois eles andam por tudo quanto é sítio a dizer o que muito bem entendem. Comparar esta situação com a anterior ao 25 de Abril é desconhecer completamente a realidade de então. As pessoas «silenciadas» não são inocentinhos, nem democratas impolutos. De um deles, diz-se (já que se está nesse registo das hipóteses), diz-se que é agente da CIA, o que não sendo um crime retira alguma aura de heroísmo às suas intervenções. Enquanto esteve na África do Sul (diz-se) apoiou o regime de apartheid. É por pessoas assim que estamos a fazer manifestações «pela liberdade de imprensa»? Não faz sentido. É uma guerra entre bandos mafiosos – deixá-los «matarem-se». Não me ouvirão uma palavra em defesa da Manuela Moura Guedes, do Eduardo Moniz, do Mário Crespo, do «Sol»; nem do Governo do Sócrates – como dizia há dias o João José Cardoso sobre o Pinto da Costa e o LFVieira – «são farinha do mesmo saco».´
    Raúl Iturra, volta aos teus bonitos textos – não gastes cera com ruins defuntos.

  7. maria monteiro says:

    quando digo o não ter medo e saber dizer não passa também pelas nossas próprias experiências… há uma semana não passei por S.Bento mas sim estive em S.Bento. Fui para entender o entender dos outros… não gostei do que ouvi, não gostei do que vi e porque há liberdade… a manifestações dessas digo Não.

  8. Raúl Iturra says:

    Os comentários de Carlos Loures e Maria Monteiro, são diferentes. Maria foi para ouvir um debate. Não ficou satisfeita. Carlos no se importara porque sabe em carne viva, o que é a falta de liberdade de expressão. O que diz é verdade. Também passei por essas tramas e com muita dor. Carlos exprime a sua com a escrita. Tenho juto a mim,para comentar mais tarde, um doslivros da sua autoria, A sinfonia da morte, bem escrito,de memórias, é um romance que aprendeu a escrever quando a falta de expressão era uma realidade tórrida. De facto Caro Carlos da me terror a falta de espressão, é por isso que escrevo. Todos conhecem a minha vida, sabem a distância das minas memórias e essa falta de família, um castigo inflicto sem saber porque. Agradeço esse conselho de tornar aos meus textos românticos, mas enquanto sinta a minha liberdade de acção ameaçada, sem ser capaz de ir conhecer a minha nove neta, ou acompanhar na sua triste doença uma das tres niñas que menciono em outro texto. A solidão faz parte dessa falta de razão. Bem sei que vivemos solidões dranáticas, de cadeia até. Amanhã vou recuperar a minha alegria, escrever estes textos são um crime de lesa majestade…Falto me o respeito a mim próprio, Medo não tenho, é pura tristeza de rememorar tempos idos e, pensado esquezidos. Mas se há um PM que aceita e pede ideias e, aseguir amordaça às pessoas, como podes comprender, não posso calar. Sim senhor, também fui perseguido pela CIA e qualquer persegição me associa a ela, Em Cambidge éramos vários, entre eles Henrique Cardoso, Júlio de la Fuente, Jack Goody, Meyer Fortes…e esses mil e quinhentos expatriados que consegui levar ao Reino Unid. Se neste o meu quarto país de acolhimento torna a acontacer o mesmo, para onde é que vou….seguir…Lamento não saber fazer os pontos d interrogação nesta máquina britânica..Mas, hoje joga o Benfica e vamos ganhar. É o grande consolo. A partir de amanhãs, como o JJ Cardoso diz, sacos todos da mesma farinha e esses de fora do saco que sabem das minhas fraquezas e pede e pedem…O teu comentário em sido o mais sábio de todos.brigado,,,

  9. Carlos Loures says:

    Não vais ter que sair de Portugal. Os políticos são maus, mas o País é formoso e acolhedor para os que gostam dele. Temos uma democracia formal, parlamentar, e um bloco central constituído por dois partidos gémeos. Diferentes no estilo e na oratória, iguais nos objectivos. Um dizendo-se socialista e outro designando-se social-democrata; ambos neo-liberais.No PS existe um lastro histórico que vem da luta antifascista. O PSD foi constituído por gente ligada ao regime salazarista, uma ala liberal, digamos.
    Eu sou contra este sistema falsamente democrático, com deputados que, embora eleitos democraticamente, logo que chegam ao Parlamento esquecem os eleitores e defendem os seus partidos. É uma falsa democracia. Há mais democracia no regime venezuelano do Chávez do que nas democracias ocidentais. Ali, na Venezuela, a liberdade colectiva sobrepõe-se às liberdadezinhas de gente da classe média alta. Aqui, porque jornalistas indignos são silenciados por motivos cavilosos e igualmente indignos (no caso de ser verdade o que se diz, claro). É uma luta entre gente sem vergonha, sem dignidade e sem respeito pelo seu povo. Comigo não contem para defender uns ou outros. Tem sido essa a minha posição no Aventar, porque era a minha posição muito antes de o Aventar existir. não tenciono mudar.

  10. Carlos Loures says:

    Ao reler o comentário anterior, vejo que deixei uma frase a meio. Dizia que aqui, porque, jornalistas indignos são alegadamente silenciados, querem fazer manifestações a favor da liberdade de expressão. É ridículo e ofensivo para quem lutou contra o fascismo assistir a esta comparação com esses tempos. Em suma, atacar Sócrates para o substituir por Passos Coelho? Não, obrigado.

    • Luís Moreira says:

      Carlos, temos que arranjar melhor, é só por isso que este não serve. Não se pode fazer comparações com quem ainda não esteve lá.O Sócrates sabemos que não tem ideia nenhuma para o país. Mas tambem é verdade que o PPC pode ter uma ideia para o país que não te agrade, mas é para isso que existem os votos!

  11. Raúl Iturra says:

    Caro Carlos,
    nem por isso ia deijar Portugal. Tenho vivido em várias democracias, todas ela cheias de mentiras. Apenas dizer que eu não sabia que a luta do govero era contra jornalistas mentirosos a de mal feitio, comprometidos com pessoas de má calanha. Apõs um comentário que li sobre o comportamento de Sócrates que diz mas vale dobrado que quebrado, penso que fui duro demais com o nosso PM. É verdade que Guterres foi se embora por ser incapaz de remediar a sua situação com a oposição. Sócrates luta. Mal informado, escrevi o que escrevi. Portugal é uma democracia na que o seu PM aceita insultos, mas não se quebra! Vou pensar mais e vou escrever de novo partes do meu texto. Obrigado pela dica!

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