Sempre te amei utopia!
Pequeno sol deste universo sonhado
insondável magia!
Como te amo ainda
fímbria de meus restos
teofânica nuvem deste cabalístico mundo!
Os mesmos dedos
o mesmo perfil
o mesmo cabelo
o mesmo cigarro
o mesmo voo de abutre
sobre a minha cabeça tonta
o mesmo voo de milhafre
de corvo
de cisne
de gaivota
de pomba inocente.
Como te amo
abetarda que sou
presa à terra sem asas de pássaro!
Na planura dos mil campos e das mil fontes
corro atrás do teu cheiro
dia e noite
como louco animal de pêlo macio
sem medo dos espinhos de acanto.
Como te amo nos escombros dos meus dias!
A miragem do teu perfume
combina o ar e a luz
que fazem respirar a memória.
Ninguém te viveu e amou como eu!
Peregrino de mim mesmo
só em ti me detenho.
Por te amar
só a ti eu não via.
Eras o céu e o mar
eras a noite e o dia.






Bem bonito este poema. E, já agora, pergunto eu: tens publicado os teus poemas, estão reunidos em volume(s)?