Utopia

Sempre te amei utopia!

Pequeno sol deste universo sonhado

insondável magia!

Como te amo ainda

fímbria de meus restos

teofânica nuvem deste cabalístico mundo!

Os mesmos dedos

o mesmo perfil

o mesmo cabelo

o mesmo cigarro

o mesmo voo de abutre

sobre a minha cabeça tonta

o mesmo voo de milhafre

de corvo

de cisne

de gaivota

de pomba inocente.

Como te amo

abetarda que sou

presa à terra sem asas de pássaro!

Na planura dos mil campos e das mil fontes

corro atrás do teu cheiro

dia e noite

como louco animal de pêlo macio

sem medo dos espinhos de acanto.

Como te amo nos escombros dos meus dias!

A miragem do teu perfume

combina o ar e a luz

que fazem respirar a memória.

Ninguém te viveu e amou como eu!

Peregrino de mim mesmo

só em ti me detenho.

Por te amar

só a ti eu não via.

Eras o céu e o mar

eras a noite e o dia.

Comments

  1. Carlos Loures says:

    Bem bonito este poema. E, já agora, pergunto eu: tens publicado os teus poemas, estão reunidos em volume(s)?

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