Chile, um país em recuperação

destas casas cresceram outras

É-me impossível parar a escrita sobre a tragédia do Chile. Examinar a imagem, mostra-nos de imediato como um prédio em construção (em tijolo e zinco), ruiu no meio de outros prédios pintados de branco e direitos. A casa estava já ocupada pelos proprietários ou construtores, porque um dos maiores castigos do Chile, é a falta de habitação. A maior parte da população vive, como explico em ensaios anteriores, em casas cujos materiais de construção se resumem a zinco, papelão e cartão. O desenvolvimento económico do país nos últimos vinte anos, permitiu aos mais pobres saírem das suas casas de «brinquedos» para casas mais sólidas. Sólidas até um certo ponto, porque são feitas pelos moradores desconhecedores das técnicas de construção. Desde o nascimento do Chile, como narra Isabel Allende no seu livro de 2006: Inês del Alma Mia, Arreté, Barcelona – versão portuguesa do mesmo ano, Difel, Lisboa, intitulado Inês da Minha Alma, que existem os alarifes ou mestre-de-obras, arquitectos aprendidos com a prática e com estudos matemáticos nas Universidades do seu tempo. O seu primeiro trabalho é dividir a terra em palmos, medida que equivale a 8 polegadas ou 22 centímetros, medida, tomada com a mão aberta, que vai da extremidade do dedo polegar à ponta do dedo mínimo.

 Largos palmos de terra eram adjudicados aos colonizadores, os que, com a ajuda do alarifes, desenhavam as casas de apenas um piso (térreas), sem mais construções por cima, por causa da necessidade de usar pedra trabalhada por canteiros, e coladas para construir um prédio com cimento e gemas de ovo. Pedras canteadas usadas na construção de prédios certos e duradouros, de vários andares, como as igrejas, os paços ou a sede do governo.

A Catedral de Santiago, a Igreja de São Domingos e o Paço da Moeda, foram preparadas e construídas pelo arquitecto italiano Toesca, e nunca ruíram em nenhum dos terramotos que assolaram o país. Al fundar Pedro de Valdivia la ciudad, destinó el costado nor-poniente de la Plaza Mayor o Plaza de Armas para la construcción de un templo. Muchos templos precedieron al que existe hoy en día. El actual templo fue el quinto levantado en el lugar. Iniciada durante el gobierno del Gobernador español Domingo Ortiz de Rozas en 1748, su construcción fue dirigida por el arquitecto Antonio Acuña según planos propuestos por hermanos jesuitas bávaros de Calera de Tango. El Obispo Manuel de Alday presidió su consagración en 1775. Sólo cinco años más tarde, el prelado encomendó al arquitecto italiano al servicio de la Corona Española, Joaquín Toesca, la ejecución de las fachadas de la Catedral y de la Iglesia del Sagrario. Toesca impuso el estilo neoclásico. Las dos torres fueron agregadas a fines de 1800.

A passagem do tempo permitiu o crescimento da população que construía as suas casas em adobe (peças paralelepipédicas, com formato idêntico ao tijolo, compostas por argila, areia, água, palha e ovos; o adobe é seco, primeiro à sombra, depois ao sol). O sol ao secar esta massa, permitia a confecção de um tijolo não cozido no fogo lento do carvão (forno), descoberta disponível, bem tarde, no Século XIX para toda a população. Antes, era um recurso apenas para os que tinham meios para custear tão pesada carga de dinheiro. Aliás, o tijolo era oco e leve e podia cair ao menor tremor da terra e mais ainda, nos terramotos. As pessoas preferiam casas de adobe, leves se caiam por cima dos seres humanos, do que a utilização de materiais duros, embora mais agasalhadores. Não consigo esquecer a adega da nossa propriedade rural, imensa, fria no inverno e fresca no verão, construção em adobe que não permitia a fermentação do álcool, fruto das vinhas da nossa terra. Grande e pesada, acabou, após mais de trezentos anos, por solidificar e as suas paredes a serem, praticamente, muros de granito. Foi o único prédio que não ruiu com o forte terramoto de 1939, que destruiu as nossas casas de Concepción, feitas em mármore, tijolo, argamassa e madeira de carvalho, leves para suportar o peso de um terramoto. Um terramoto precisa de prédios fortes que sejam a contraparte do movimento da terra. O mais perigoso é que esses edifícios possam ruir por causa dos profundos alicerces escavados na terra que funcionam como estrutura do prédio, como aconteceu com o Paço dos Governadores do Chile, construção com mais de quinhentos anos, que ainda hoje se mantém.

A falta de dinheiro não permite este tipo de construções e as melhores casas construídas, segundo as técnicas e com materiais anti-sísmicos, acabam por desaparecer por não serem capazes de se opor ao peso do movimento. Eis o motivo de tanta destruição hoje em dia: a permanente crise económica na qual moramos apenas permite construir casas de um andar para não caírem. A tragédia do Chile de hoje, é fruto da pobreza da construção das habitações.

Catdral de Santiago que nunca ruiu e prédios anti sismos

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