Poesia Macho / Poesia Fêmea

O conclave poético parece que decidiu que existe poesia macho Y poesia fêmea, contudo o género feminino ainda não é reconhecido como apto para a arte. Desculpam-se com algumas – raras – excepções. Pois, caso contrário, o conclave arriscava-se sempre, em todos os casos, a levar uma valente surra (exclusão cultural/social) ou do pai ou do esposo. Estas são as únicas excepções à prática poética feminina num país de machos poéticos.
Mais do que o futebol e outras artes-macho, parece que a poesia é uma coisa para quem, olhando-se ao espelho, aprende – desde tenra idade – que os golpes não são para se fazer na cara, mas noutras coisas. Os machos poéticos, mesmo aqueles que escrevem poesia fêmea, iluminam-se, y o golpe, esse, só pode ser dado com as palavras. Logo, a finura para o golpe é, desde tenra idade, adestrado pelo futuro macho ou quiçá fêmea poético como se fosse um brinde tardio da natureza – aquela malandra que só aos poucos releva os desígnios – para que as dúvidas quanto ao género se diluam tão naturalmente no espírito de cada um como o hábito de representar a reprodução da percepção da noite com lua e do dia com sol.
Assim, qualquer garotinha desviada, pela sua vaidade, desta verdadeira relação com o espelho nunca, mas nunca será uma boa golpeadora, seja em que campo for, muito menos na poesia, essa arte de bem tratar o sangue. Bem, se for menos dotada pela natureza (isto é, se não corresponder ao padrão vigente do apetite alheio), ou tiver a sorte de perder algum dente, nesta idade certa, talvez tenha alguma probabilidade de aproximar, apenas, um pouquito mais o seu nariz, nesta coisa para a qual não é chamada pela natureza. Logo, se a menina fugir ao padrão que desperta a devoração, ainda que loira, prescindindo, só por si, do papá, arranca o seu mérito em apoteose. Y o flagelo da magra qualidade da sua poesia (na falta de palavra mais polémica) será factor secundário – sombra corroborante do carácter quase atlético-macho do seu verso; y não faltará macho, quiçá fêmea poético, que em sua defesa a erguerá como uma excepção puramente excepcional, assim como qualquer princípio sintético a priori da razão.
Escapou à natureza!!
Depois é uma chatice! Como se apelidará? Poetisa!? Não, isso é um termo pouco conveniente ou adequado a tão excepcional desvio da natureza! Logo, passa a Poeta! Depois, há quem em bicos de pé grite “eu sou poeta!” “Tá bem, és poeta!” Depois, assistimos à banalização da Poeta! Tão “stopoetry” quanto a poesia macho, quanto a poesia fêmea, que por aí se impinge como poesia!
Depois, por onde andam essas garotas, de condição de possibilidade à priori de poetisas privadas, pelo malvado espelho – esse aferidor de actualização de potência tão enganador quanto a ausência de sol durante a noite?
Dada a extraordinária e inqualificável qualidade poética produzida pelos perseverantes poetas subsumíveis na poesia macho-fêmea, faço votos para que a castidade editorial (confesso que penosa, a que votaram os leitores) descubra em 2010 que o sol é uma borboleta que faz da noite um casulo ou qualquer outra fantasia…! Mas, que se questione, perante tão evidente anomalia.
Será que não existem pelo menos umas 10 mulheres cuja qualidade não seja passível de desdenhoso pudor macho-fêmea? Dada a pitoresca mentalidade editorial, é bom lembrar: Ter calma, p. ex. não vão a correr perguntar às mulheres, companheiras, filhas, vizinhas, amigas dos poetas macho-fêmea, ou vips, ou políticos, ou empresários, ou construtores civis os às irmãs Medeiros, ou à Portas ou … Bem, é que estamos a falar de POESIA, não é bem cartas de amor! É que ” se todas as cartas de amor são ridículas”,
mais ridículas são quando os conhecidos as publicam em divinização pública. Já aconteceu, como que uma gracinha singela da pitoresca identidade editorial tuga. Mas não façam isso à POESIA!! Ok?? Já nos basta o mercado actual, muito Macho&Fêmea, exclusividade do masculino.
É! Tão absurda quanto a metáfora do espelho é a ausência de isenção na avaliação Y aferição da poesia escrita por indivíduos do sexo Feminino em Portugal. Ser Mulher y/ou ser Pobre são dois factores de exclusão. Um indivíduo do sexo masculino pobre a escrever poesia todos aceitam. Um indivíduo do sexo feminino pobre a escrever poesia é um puro Ultraje a tudo Y a todos. Estranho, não?

Comments

  1. Poetisa says:

    Será?

  2. Luis Moreira says:

    É estranho e não é pouco! Por isso a Madre, deixe-me que recorde, é que iniciou este seu Aventar com um poema líndissimo da sua autoria. Olhe, vou dizer-lhe um segredo, quando comecei a ler poesia e a escrever umas coisas, percebi que para se fazer algo de muito bom, sofre-se muito. Ora se cá, com algumas excepções, edita-se poesia nos intervalos das festas de jet set? Talento? Claro, mas muito trabalho e um nome de família tambem ajuda…


  3. Poetisa : Não tenho dúvida. O País, os critério editoriais estão aí Y falam por si.
    Ou achas que um verso da Sofia Mello Breyner teria visto a luz do dia se não fora o seu enquadramento social?
    Podes escrever em BLOGs os teus Poemas 🙂 Dúvido que uma Assíro&Alvim se disponha a ler-te um verso se não fores da Elite. ( Falo de uma Assírio&Alvim sem Hermínio Monteiro ) … Y quem diz a A&A diz todas as Outras :)!
    Aliás, a Vulgarização da Edição Poética é uma coisa confrangedora no Masculino, são tão más a vozes masculinas que dá mais pena do que inveja 🙂 .
    Vale.


  4. Olá Luís Moreira …
    É verdade a Poesia actual é uma mariquice 🙂 um capricho com a tutela do Masculino … dps as poetisas Ou são MUITO Feias ou são Ricas 🙂 LOL LOL LOL … estes dois critérios são os únicos que o mercado aceita para considerar o verso no feminino 🙂
    Abraço p ti 😉


  5. é um ótimo poster, eu sempre gosto de ler o que você encreve, em meu blog tambèm tem ums contéudos e umas notícias legais. beijos.http://sensuaisegatas.blogspot.com

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