Quem me dera que o dia da Mulher me fosse indiferente:

(Por Isabel Diogo, Blogger, Intervenção Maia)

Escuso-me a comentar a pertinência da comemoração(?) do dia, bem como a abordar a questão no que transcende a nossa sociedade e a nossa cultura, porque me falta conhecimento e sensibilidade para tanto.

Gostava de poder ver o dia em que este deixe de fazer sentido. Gostava de acreditar que lembrá-lo ou comemorá-lo são pertinentes ou consequentes. O problema ( que é extremamente grave e fatal, em muitos casos) é, na minha opinião, para além do óbvio sócio-cultural, educacional.

Perdoem-me aqueles que se sentirem ofendidos na minha visão eventualmente simplista e redutora da questão, mas eu creio, e tenho poucas dúvidas, que o problema e que a sua solução ( ou, no mínimo, a sua minimização) a médio e longo prazo está nas mãos das mulheres. A discriminação e a desvalorização (e, notem que não referi desigualdades, porque essas são incontornáveis) persistem teimosamente, porque são alimentadas (acredito que de forma inconsciente) pelas próprias mulheres: as mulheres-mães, as mulheres-sogras, as mulheres-companheiras, as mulheres-amigas, as mulheres-colegas (as mulheres-professoras, também !). São as mulheres que detêm grande parte do poder educativo da nossa sociedade. São as mulheres que podem efectivamente produzir mudanças significativas e consistentes ao nível da educação e formação dos indivíduos enquanto cidadãos. O poder da mudança (esta soa a slogan:))) está, essencialmente, nas mãos das mulheres-mães-de-homens e nas mulheres-sogras-de-noras… que são as mesmas!!!

Esta realidade evidencia-se numa história humorística simples, que muitos já terão ouvido:
Duas amigas encontram-se ao fim de alguns anos sem se verem:
– Há quanto tempo ….
– Então? Os teus filhos como estão?
– Já casaram. A minha filha está muito bem. Teve muita sorte. O marido é um anjo. É muito amigo dela, ajuda-a em casa… em tudo!!
O meu rapaz, coitado … não teve sorte nenhuma: a mulher não lhe faz quase nada. Farta-se de trabalhar e ainda chega a casa e tem uma série de coisas para fazer… até as camisas dele passa …coitado!!

Como ouvi (ou li) o Dr. Júlio Machado Vaz “explicar”: o machismo, tal como a hemofilia, é uma “doença” de homens transmitida pelas mulheres!

Comments

  1. Luis Moreira says:

    O Prof Vaz é um convencido! A mulher transmite a todos os homens o melhor que tem. E diz bem, a desigualdade( por serem diferentes) é um bem supremo!

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