os amores são como o vento

 

Namoro, ele e ela em procura da igualdade

 para Maria da Graça

O título precisa  uma certa certa definição. Amores há muitos e de diversas maneiras. Há o amor à Mãe, há o amor à Pátria, há, finalmente, o amor à Humanidade, e dentro de Humanidade, há o amor personalizado. Esse amor a dois, que é nosso melhor alimento espiritual e que dá força para continuar a vida.

Vivemos num país de brandos costume, como é denominado Portugal, que causam estragos se nós sabermos por não saber precaver situações de alto risco. Apenas durante estas duas passadas semanas, tivemos uma hecatombe na Madeira, como já comentara num ensaio anterior; a seguir, e por esse descuido, o Chile ficou de joelhos: nem partido nem quebrado, mas sim, dobrado. Faz dos dias antes desta data, a Turquia ficou de rastos. O que segue, não é sabido. Quem nos dera sermos bruxos ou uma divindade qualquer. Conheceríamos assim o futuro e aprenderíamos a gerir o presente.

Mas o presente tem um senão. Especialmente em amores privados. O homem quer mandar, assim foi habituado desde a sua mais tenra infância, e não consegue suportar o machismo crescente da mulher. Pelos menos, na minha geração que não a dos mais novos: novos são meus netos que, a todo minuto, devem começar a namorar, especialmente o mais velho, que neste Junho faz dez anos. A sua pequena irmã de sete, já pretende ter sedutores, porque imita a mães que é linda como o sol, sabe que é assim e, sem se exibir, aceita com paciência as simpatias dos seus colegas e compatriotas holandeses e ingleses. Tomás segue os passos do pai, que está sempre a trabalhar no seu Museu da Insurreição, que bem dirige. É um genro de bom feitio e lindo, como o seu filho, meu neto. Nem um nem o outro, reparam se são pretendidos ou não, não têm vaidade, não se exibem.

Acontece que há esse tipo de amar que não comanda e que dá ideias para o outro ir em frente: coma paciência, sem seduções permanentes, sem a libido sempre a rebentar de desejo, libido que e uma força da natureza que não nos permite amar. O amor é simples, casto, envergonhado, sabe ser prazenteiro com a pessoa dos seus sonhos e tem medo que ela o não saiba entender e o puna e corrija sistematicamente e trate dele como um filho e não como companheiro. Não é bem o meu caso, mas pode, as tantas, acontecer

Ainda mais, hoje em dia, como tenho referido em outros ensaios deste sítio de debate académico, é aprovada a liberdade de amar, com justiça, esse reconhecimento a expansão da liberdade de expressão emotiva e libidinal. Como diz Freud em 1922 no seu texto o Ego e o Id – por tê-lo lido em francês, é para mim Le Moi et le Ça-, esse amor entre homens, entre senhoras e o habitual amor heterossexual, que a maior parte de nós usamos, respeitando os outros. Estudado por Mèlanie Klein, Alice Miller, Wilfred Bion especialmente em 1968 no seu Experiences of Goup e Boris Cyrulnik, os meus santos padroeiros na volubilidade do vento do amor. Especialmente Cyrulnik em 2001: Les vilains petits canards, Odile Jacob, ÇParis, versão lusa do mesmo ano. Piaget, Lisboa. Todos definem, de formas diferentes essa inaudita capacidade de amar e de construção humana quando os ventos sopram do avesso.

O que eu não consigo respeitar, e que a dama dos meu sonhos, me queira corrigir sistematicamente. O amor é travado, a paixão não consegue acordar, mas confesso que o desejo dessa companhia sem trabalho e a passear, é um vento de tipo alísio, que vai do quente para o frio e procura a nossa expansão libidinal, se somos seres iguais e tratados como tal.

A liberdade da mulher é como o vento: sopra para ir trabalhar, para tomar conta dos filhos, satisfazer o seu parceiro, ou procurar alívio a sua congestão de querer dar a luz e educar aos filhos sós, por ser os pais indivíduos que não prestam na educação: não foram ensinados.

Os amores são como o vento, e como o vento muda de força no seu sopro. Tendo que soprar para todos os sítios ao mesmo tempo, pagando a conta do seu descontentamento quem acompanha e procura essa companhia da mulher dos seus sonhos, pela qual sopramos coo o vento, para rir e brincar com ela de forma gentil, sem desespero, como acontece com muitas delas. Mal sopra um vento contra os seus sentimentos, nos pagamos os sarilhos que, sem se saber porque, aparecem. Mas, com santa paciência, cá vamos vivendo a intempérie do dia em que ao vento calham soprar contra elas, donde, conta nós.

O amor é como o vento, aparece de repente de todos os cantos e lá vamos nos apagando os fogos, pelo amor a mulher dos nossos sonhos…

Apenas um comentário ao meu ensaio da manhã, que causara surpresa… uma resposta tenra e amorosa… com dignidade e respeito…

em procura da igualdade

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