O zumba no caneco…

Estes rapazes e raparigas de capa e batina, com instrumentos musicais a tiracolo, com as as capas no chão a pedirem dinheiro para uma qualquer viagem de  curso, cheiram-me a carnaval, a “fazer de conta”, aquilo não é nada para arranjar dinheiro para uma viagem.

Hoje no Mosteiro dos Jerónimos lá vi uma “Tuna académica” e fiquei com a ideia que é de uma das novas Universidades, há por ali muita novidade quanto à vestimenta, parece que sairam do atlier da Ana Salazar, barretes, casacas à maneira, botas a condizer. Cheira-me a fim de semana bem passado, com uma noitada no Bairro Alto e umas quecas longe das vistas .Estamos a melhorar, até agora o que se via (na mais bela praça do Mundo) eram excursões de gente da terceira idade, garrafão na mão e uns petiscos de fazer água na boca, saboreados entre os belos jardins e àrvores frondosas.

Mas, estava eu, com a “tuna”, os rapazes e as raparigas têm um grande orgulho em serem alunos universitários e tocarem um qualquer instrumento porque não fraquejam, não desistem, não param um minuto que seja. E, ali estão, com o pézinho a dar para o lado compassadamente, e nem se apercebem do alívio na cara dos turistas quando se vêm livres deles.

É que visitar o mosteiro com aquelas dezenas de pessoas à nossa frente é penitência suficiente!

Comments

  1. maria monteiro says:

    Luís, mas com o CCB ali ao lado a “fauna” tem que ser outra … tem que ser mais dada a doutores e engenheiros


  2. A ordinarice das canções das tunas devia preocupar os conselhos científicos. Isso e o uso do traje em universidades sem qualquer tradição. Um exemplo – o ridículo traje da Universidade de Braga (século XVIII, com tricórnios e tudo) baseia-se em quê? As univerdidades de Oxford e Cambridge, por exemplo, fundadas há muitos séculos, usam blasers e calças iguais o que é democrático e permite manter um certo decoro, sem piercings e badalhoiquices semelhantes. Aqui optou-se pelo Carnaval e as tunas, com as suas canções idiotas e porcas, são uma montra dessa tontice. Já reparaste que o Quim Barreiros, e outros «cantores» de nível semelhante, são convidados preferenciais das festas universitárias?

    • Sem nome says:

      Eu sou tunante e com muito orgulho! as letras das tunas não são porcas. na maioria das vezes até são adaptações de poemas e de músicas bem portuguesas, como por exemplo da Amália, entre outros. Vai ver a actuação de uma boa tuna e então depois podes opinar.
      Sabes qual é a historia do traje ao menos? Sabes porque é que é usado? E um estudante trajado não usa ‘badalhoquices’.

  3. Sara Cartaxo says:

    Caro Luís,

    encontrei o seu blog passeando “pelas internetes”, em busca de algo relacionado com tunas, mais especificamente com a minha Tuna, a TAISCTE. Qual não é o meu espanto ao verificar que a fotografia postada por si nesta entrada se trata de uma fotografia dessa mesma tuna, circa 1998 e que não tem nada a ver com o seu texto, nem em termos temporais, nem pela tuna referida.
    Garanto-lhe que não foi a TAISCTE que viu actuar em frente ao Mosteiro dos Jerónimos.

    Assim, sem qualquer “embirrice” ou desagrado pelo texto, peço-lhe que mude a foto ou inclua na publicação um disclaimer de alguma espécie.

    Espero que não leve a mal este reparo e de certeza que, tal como não foi por mais do que coincidência ter vindo visitar o seu blog, também não foi sua intenção incluir a Tuna Académica do ISCTE especificamente como “acompanhamento visual” da narrativa.

    Cordialmente,

    Sara Cartaxo

  4. Joao Fernandes says:

    Caro Luís,

    O seu post demonstra um enorme desconhecimento da temática sobre a qual escreve…

    É um facto que como qualquer outra forma de cultura, as tunas, não podem agradar a toda a gente e também é claro que a proliferação de grupos de génese duvidosa que se auto intitulam tunas em nada ajuda a credibilização de grupos que sendo tunas têm uma trabalho coerente e de qualidade.

    O facto é que as tunas e a sua tradição remonta o século XV ainda em Espanha tendo sido no século XIX importada para Portugal e consequentemente adaptada ao contexto português, tentando incorporar a musica tradicional portuguesa no seu repertório, o traje que então era usado nas universidade e muitas das tradições então existentes nas republicas e nas universidades.

    Desde ai surgiram naturalmente inúmeros grupos apresentando trabalhos muito diversos e como em qualquer área haverá por certo muitos maus exemplos, como igualmente existirão bons exemplos. Tunas que dignificam o nome da sua universidade e da cultura portuguesa nos melhores palcos de portugal e estrangeiro e tunas cuja única preocupação é aferir quem se embebeda mais rapidamente. No entanto e por mais estranho que parece as tunas acabam por ser o reflexo do ambiente estudantil que as cerca e portanto os alunos da tuna não serão assim tão diferentes dos restantes com quem convivem todos os dias.

    Assim, penso que terá todo o direito de não gostar da música, da tradição e até do traje no entanto penso que não será justo tomar a parte pelo todo nem realizar criticas gratuitas sem perceber que efectivamente existem fundamentos históricos para esta tradição que gostando ou não tornam as tunas algo profundamente ligado à génese da universidade e das suas tradições em portugal, tendo estas tido um papel fundamental na consolidação do papel dos estudantes nas estruturas do ensino superior. Para isso lembro a o luto académico de 1969 onde tendo sido destituída a direcção da AAC a principal resistência do estudantes era feita através dos grupos culturais existentes na universidade.

    Certo que será uma pessoa com a mente aberta e ecléctica no seu pensamento deixo-lhe ainda alguns dos que considero ser bons exemplos de tunas académicas, pela sua coerência e pela qualidade do seu trabalho:

  5. J. Rui Machado says:

    Exmo Luis,

    reparo que na secção “sobre o aventar”, diz :

    Se o seu comentário descer ao nível do pensamento de um troll pode ficar descansado: será eliminado e não se fala mais nisso.

    Meu caro, fica desde já alertado que da qualidade dum blog não depende apenas dos seus comentários mas sim dos comentários e post. Devia ter consciência de que não faz ideia do que é o mundo das Tunas como parte da tradição académica que é a praxe. Assim sendo este post parece-me poder ser avaliado de aspirante a troll.

    Se realmente queria ilustrar o seu texto se calhar devia optar por uma fotografia sua a escrever este post. É que me parece que seja a melhor forma de mostrar o quanto as pessoas parecem estúpidas quando fazem coisas erradas a pensar que são as mais correctas.

    Fica também desde já convidado, a assistir dia 7 de Dezembro, à comemoração dos 20 da TAISCTE – Tuna académica do ISCTE-IUL, no auditório nobre do mesmo, a mudar a sua opinião a respeito das tunas, e a alterar a fotografia que ilustra esta coisa.

    Melhores cumprimentos
    J. Rui Machado

  6. maria monteiro says:

    assim como há estudantes e estudantes também há tunas e tunas…

    Não fica nada bem ver jovens fardados de capa e batina a “cantarem” e depois, de pandeireta na mão, dirigirem-se a quem está na esplanada da pastelaria Suíça a pedir uma moedinha.
    E mais os outros (ou os mesmos) que vão para o PNações, escolhem os locais mais povoados, estendem a capa e “cantam” para o peditório.
    Falo porque já vi várias vezes

    • J. Rui Machado says:

      Olá Maria,

      Concordo plenamente. Existem tunas e tunas, estudantes e estudantes. O principal problema aqui é que o autor escolheu a imagem errada para ilustrar uma parta do mundo das tunas. Como em qualquer coisa, nunca devemos tomar o todo pela parte. E deixo aqui o convite para o dia 7 de Dezembro. Podem assistir a um espectáculo digno. É sempre preciso seleccionar aquilo que queremos ver.

      Cump.

  7. maria monteiro says:

    é bom que a parte boa das tunas perceba o que de tão errado vai acontecendo com a tal outra parte má. Francamente não é bonito de se ver. Daí que o casamento da fotografia com o texto sirva de exemplo porque as tunas têm que se divorciar das figuras tristes que outros fardados (candidatos a doutores e engenheiro) andam por aí a fazer….É que quem está na rua não pode seleccionar o que quer ver … apenas se pode indignar dizendo ou escrevendo o que presenciou.

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