A tiro de obus!

Oportunamente distraídos pela plena e ininterrupta campanha eleitoral em que há muito se empenha Belém e pelos futebóis que se tornaram no principal esteio do cambaleante Esquema, os portugueses não podem imaginar o que os seus lídimos dirigentes preparam. Nem sequer já mencionando o nada estranho conluio que representa a “força de intervenção europeia” que ditará Golpes de Praga em ocasiões azadas pelo directório bruxelense, eis que surge uma clara e incontornável programação para o enfrentar de qualquer eventualidade.

Muito pela rama, um canal noticioso passou rapidamente uma peça, cujo tema versava a segurança interna do Estado. A má nova despercebidamente se desvanecerá nos sinais rádio enviados para o insondável abismo cósmico. No entanto, consiste num preocupante motivo de rápida reflexão por parte dos potenciais e evidentes alvos da securitária intenção: nós, o vulgo.

Apercebendo-se do crescendo da situação explosiva que se avizinha a passos de gigante, vão tomando as devidas precauções. Bons alunos dos centenários princípios em fraudulenta comemoração, esta gente decidiu-se a voltar as baionetas das Forças Armadas, apontando-as ao peito de um inimigo infinitamente mais perigoso do que qualquer ínfimo grupelho medievalesco e turbantado com toalhas de pizzeria.

A conferência de segurança que hoje se realizou, propõe – com plena e natural aquiescência do sr. ministro da tutela -, a adjudicação das Forças Armadas aos serviços de preservação da segurança do Estado, a par da missão das polícias. Sabemos o que isso significa. Num país que ainda há noventa anos tinha uma GNR – a força pretoriana do regime costista – armada com metralhadoras pesadas e com canhões de tiro rápido de 75mm, o recurso à decisiva força do Exército, é por demais atraente para ser desprezado. Alega-se naturalmente, com a muito curial ameaça de potencial terrorismo, termo de contornos mais vastos e difusos do que o insondável Deserto de Gobi. Esta palavra para tudo servirá. Esperem e verão.

O estratagema poderá sair-lhes de forma imprevista. É que bastas vezes na nossa história, os canhões também dispararam… pela culatra!

* Não valerá o esforço a procura de informação acerca da escondida reunião. Até a esta hora, nada transpirou para a imprensa de referência. Percebe-se porquê.

Comments

  1. Luís Moreira says:

    Vêm aí arruaças, perturbações e outras confrontações, há que prever e estar avisado.

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Compreende-se, mas daí a quererem fazer disparar sobre a gente, vai um bom bocado. Pois é disso mesmo que se trata! Ou julgas que farão como o 1º ministro tailandês, que esteve com pachinhos durante dois meses?

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