A vida desconhecida de Camões!

Numa antiga cripta de uma igreja transformada em moinho de farinha por alvará industrial de D.Maria, jazem os elementos de uma das famílias mais poderosas do tempo de Camões e onde o poeta teria servido como pajem.Os Menezes!

Estão lá D. Francisco de Menezes e D. Violante e os seus filhos, com excepção da benjamim, Joana de seu nome.O filho, tambem Francisco, foi resgatado de Alcácer-Quibir, tendo sido um dos jovens nobres que lutara ao lado de El.Rei D. Sebastião e lá perdera a vida nas areias quentes do norte de África.

Tinha acabado de ler o livro do Prof. Hermano Saraiva que revelava a existência desta cripta e, curiosamente, fazia agora parte da garagem de uma grande empresa industrial onde eu próprio trabalhava.Em vez de almoçar, juntamente com o engenheiro director industrial e, munidos de uma lanterna e roupa a condizer para quem tinha que rastejar para passar por entre instalações velhas de séculos, lá fomos à descoberta.

E, na realidade, lá estão os túmulos onde repousam em paz os elementos daquela família e que segundo o historiador é um elemento essencial para se compreender a vida de Camões. A lírica de Camões é considerada por alguns especialistas, de nível literário acima da épica, embora seja por esta que Camões seja conhecido mundialmente e há séculos.Toda a lírica de Camões, não seria mais que o relato pelo próprio, da sua atormentada vida, por onde passariam os amores perigosos com D. Violante e sua filha Joana e que levaria D. Francisco de Menezes, já ancião, a desterrar Camões, enviando-o para Macau, “onde carpindo estou saudoso amante” chora o Bocage, comparando-se a Camões na desdita.

Que a lírica de Camões é portentosa não restam dúvidas, que a sua vida foi atormentada e que morreu pobre e esquecido nada se sabendo da sua última morada, tambem é verdade, ( o que não deixa de ser significativo quando a sua obra já tinha sido publicada e reconhecida)e que o livro, com esta versão da vida de Camões me persegue e me encanta, está aqui a prova neste texto simples.

Conta como a minha singela, simples e modesta homenagem à figura da história de Portugal que sempre povoou o meu imaginário!

PS: tambem publicado no estrolabio.

E hoje também é dia de mentiras

Passam cinco anos sobre um dos maiores embustes da história do jornalismo nacional. Inventou-se um arrastão à brasileira, aterrorizou-se um país, vendeu-se a peçonha racista do costume. Desmontado peça a peça neste documentário, não tem sexo, mas tem mentiras e vídeo.
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Diana Andringa: Era uma vez um arrastão

A valsinha das medalhas

Quando chega o 10 de Junh0 , só me lembro desta música. E de como, um dia, até esse vulto do jornalismo português que se chama Leonor Pinhão foi condecorado. E de como, um dia, até eu hei-de ser condecorado.


(peço desculpa pela qualidade do som, mas o meu velho vinil de 1986 já não está para grandes andanças).

A VALSINHA DAS MEDALHAS

Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas, e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

REFRÃO
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos

Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d’Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos heróis d’alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Índias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

Letra: Carlos Tê
Música: Rui Veloso

Entrevista a Luís Vaz de Camões

Herman José: Humor de Perdição – Entrevista Histórica a Luís de Camões

Café Central – O Tango ‘Mano a Mano’

José Sócrates é um político cercado por desventuras, uma das quais confessada, mas falsa: a solidão, por falta de parceiro da oposição com quem dançar o tango. Passos de Coelho, lembre-se, reagiu e afirmou publicamente estar indisponível para tal dança.

Desde a reabertura do ‘Café Central’, quem quis percebeu que o discurso de ambos é melífluo e simulado. Até porque, eles e respectivas tribos são impotentes para contrariar as ordens de Bruxelas, sob a poderosa batuta do par Merkel – Karkozy; com notória ascendência da alemã.

Ontem, conforme testemunho do Diário de Notícias, e da imprensa em geral, rosas e laranjas aprovaram na Assembleia da República o chamado PEC II; não, sem que antes essa pesada figura do ‘Cavaquistão’, Fernando Ruas, tivesse forçado o Ministério das Finanças a prescindir de controlar a admissão de trabalhadores por parte das autarquias.

Todavia, outras perversidades resultaram do acordo parlamentar entre PS e PSD: (i) efeitos da retroactividade do IRS aplicado aos rendimentos dos cidadãos; (ii) a isenção da redução das retribuições de assessores e todo um punhado de contratados políticos.

Os contributos para a crise assentam, em grande parte, no esforço do cidadão comum – assalariados do Estado e de entidades privadas, pensionistas vulgares (há os invulgares!) e desempregados. Os políticos, certamente a contragosto e por vergonha, lá contribuirão com 5% das respectivas retribuições, ao contrário dos tais assessores e contratados.

Com reclamações das minorias de direita e de esquerda, as tribos do ‘Café Central’ brindaram a aprovação do PEC II com ‘espumante da Bairrada’ – os tempos vão maus para ‘Moët et Chandon’ ou outros champanhes de renome. E, assim, no átrio do ‘Central’ os cabeças de cartaz, José e Pedro, dançaram mesmo o ‘Mano a Mano’, cujo último verso reproduzo:

“p’ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión’.

E ao José e ao Pedro não faltarão ocasiões para nos tanguear. O resto é conversa fiada. 

O dia de Camões, das não condecorações e das não comunidades portuguesas

povo esquecido

Luís Vaz de Camões (Lisboa[?], c. 1524 — Lisboa, 10 de Junho de 1580), célebre poeta de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura em língua portuguesa e um dos grandes poetas do Ocidente.

Quem queira saber mais, pode ler o meu texto, resultado de uma intensa pesquisa,  no nosso blogue Estrolabio, em http://estrolabio.blogspot.com/.

Que nasceu em Lisboa, sabe-se. Que descende de Galegos, sabe-se. Que foi soldado, pajem e descobridor, sabe-se. Que faleceu de peste no Hospital Santa Ana de Lisboa, antes da sua mãe, é conhecido demais. Que reformulou a escrita lusa, é bem conhecido. Que passou a ser famoso em 1880 e repousa no Mosteiro dos Jerónimos, após escavações no cemitério do Hospital, é por demais conhecido.

Que não se saiba ao certo de quem são as ossadas dos Jerónimos, é o que assalta todo o investigador camoniano, incluindo o meu grande amigo Carlos Loures. Que eu diga que não tem importância, é comigo: o interessante é ter um corpo que se pensa ser do alguém que transformou a escrita lusa e todos as línguas lusas do mundo, parte importante e real desta história, um sítio onde lhe prestar homenagem.

E as homenagens são outorgadas, em nome de alguém que em vida, não teve muita publicidade nem sorte, excepto com outro fantasma lusitano, El-rei D. Sebastião de Avis. [Read more…]

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Ref: E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

aparvalhando…

Cantiga, de Luís de Camões


Lida por Manuela de Freitas

Hoje é o Dia da Raça

Hoje é o Dia da Raça, da raça’s’parta, da raça do caralho…

Camões e a Tença

Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invoscaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Homenagem a Luis de Camões !

No estrolabio.blogspot.com o dia é dedicado a Luis Vaz de Camões. A sua vida e a sua obra. A  épica e a lírica. Vários autores abordam Camões de diferentes perspectivas!                                                                                          

Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente

Erros meus, má Fortuna,  Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a Fortuna sobejaram,
Que para mim bastava Amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De Amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

Luís Vaz de Camões

E indaha quem faça propaganda d’isto:

a patria onde Camões morreu de fome

e onde todos enchem a barriga de Camões!

Almada Negreiros, A Cena do Ódio

imagem Magnus Muhr

Conta! Conta! Conta!

Estamos todos à espera e já todos o esperavam