Como Se Fora Um Conto – O Descalabro do J

O Descalabro do J

O estrondo, enorme e contínuo, baralha as ideias, impede o pensamento e perturba o imperturbável caminhar das horas e dos dias.

As casas, os prédios e as pontes, caem como baralhos de cartas, lançando a destruição à sua volta. As estradas, as ruas e os caminhos, desaparecem, deixando no seu lugar, uma amálgama de trilhos sem sentido e sem indicação de rumo.

No meio de tanta desgraça, J sente-se perdido. Olha à sua volta e só a devastação e a ruína se encontram à vista. O desespero ameaça tomar conta das suas acções. As soluções não existem, os caminhos não se vêm, a solidão está presente.

Os familiares, mesmo que voltassem com os seus esforços e cheios de boa vontade, não apagariam a tristeza nem acalmariam a desesperança.

J é a imagem personificada do desânimo.

Ao seu lado, não tem companheiros de infortúnio. Ninguém repara no seu sofrimento, ou ao menos se importa. Cada um tem a sua própria dor. E as dores dos outros são sempre privadas. [Read more…]

Mário, Mário, Mário Crespo…

Por mero acaso, quinta-feira assisti ao ‘frente-a-frente’ da SIC Notícias, conduzido por Mário Crespo. Teresa Caeiro, do CDS, e Helena Roseta, dos Cidadãos por Lisboa, seriam as esperadas protagonistas; e digo esperadas porque quem do debate sobressaiu, ufanado e enfeitado de plumas, foi Mário Crespo.

O protagonista, que a certa altura admitiu ser figura contraditória e parcial, foi, de facto, o moderador Mário Crespo. Em descarado apoio à Caeiro, destruiu insistentemente os raciocínios e o discurso de Helena Roseta, ao ponto de esta, a certa altura, questionar se o Mário, Mário, Mário Crespo estava ali no papel de moderador. Sem vergonha e ao arrepio de elementares regras deontológicas, o Mário, Mário, Mário Crespo teve o atrevimento de dizer que estava investido dos dois papéis – só não percebeu quem não quis: foi moderador – será que foi? – e ‘supporter’ da opositora de Roseta, Teresa Caeiro.

Se atendermos à ética e regras deontológicas do jornalismo, Mário, Mário, Mário Crespo fez algo de parecido àquilo de que acusou Sócrates e que, na altura, teve a minha reprovação em relação ao PM. Em suma, ontem, o Mário, Mário, Mário Crespo destacou-se por um comportamento deplorável.

Há tempos tive um bate-papo acalorado com amigos, jornalistas da SIC e da RTP, que me afiançavam que Crespo, ao contrário do que eu defendia, era uma personalidade volátil e falsa. A não ser assim, acrescentaram os meus interlocutores, Nuno dos Santos teria agido em sua defesa, sem reservas. Na altura, discordei. Porém, agora sinto-me forçado a dar a mão à palmatória: ele é mesmo o Mário, Mário, Mário Crespo, capaz de concorrer com Leite Pereira, do JN, em actos censórios, mesmo de forma sinuosa.   

Acim naum pode cer

(a propósito disto)

Cenhor premeiro menistro:

Tenho kinse anus e tou no oitavo anu e axo muinto enjusto esta envenssão da cenhora menistra de paçar para o déssimo anu purque tou cançado da escola e kero ir kurtir cos meos amigus cem ter tpsês e eças tretas a xatiar. Com kinse anus devião dar um deploma há jente e prontos, deichavão a jente em pás a kurtir na boa emvês de irmos otra vês para a escola apanhar ceca. tãobem pudião dar um subecidio há jente para tar na boa envês de cermos obrigadus a gamar para mamar umas begecas e fomar umas brokas. Convenssa a cenhora menistra que acim naum pode cer e eu convensso o meu pai a vutar em ci e ponho uma coiza no facebok a diser bem do cenhor. Tá serto?

Obrigado

Kikas

No dignity

Hoje depois das aulas, depois de umas horas ao computador mudei para o canal História e dei por mim a ver um documentário semelhante a um outro que já tinha visto, sobre os acontecimentos na Praça de Tiananmen há 20 anos atrás. Só depois, ao ler este texto do Sérgio Almeida Correia, é que percebi porquê.

O que aconteceu em Tiananmen faz-me sempre lembrar uma cena do início do século. E no fim de contas estávamos no fim do século Não sei explicar bem porquê sinceramente mas sempre tive a, sem dúvida, rídicula sensação de que há vinte anos o que aconteceu não devia ter acontecido. Há coisas que há vinte anos – como agora – não deviam ter acontecido. E é por isso que me faz impressão. O facto de ser recente, logo quando se pensava que depois de tudo aquilo já não devia acontecer.

As pessoas não gostam de se lembrar de Tiananmen. Provavelmente porque não gostam de ser lembradas que uma das maiores potências mundiais é uma ditadura. E porque no fundo era muito mais fácil se a China fosse um país pobre de extrema direita com um general no poder provavelmente já nos convinha lembrar Tiananmen.

Nesse documentário, uma das dissidentes dizia que enquanto os Direitos Humanos não forem respeitados na China ela vai continuar a lutar e vai continuar a manifestar-se. Porque esse era o seu dever. A China é uma país que não respeita os Direitos Humanos. É uma país onde não há Liberdade de Expressão, onde há vinte anos milhares de estudantes morreram e não porque eram perigosos reacionários. There´s no dignity. Deles e nossa. E isto tem que ser relembrado. Vezes e vezes sem conta.

(Esta fotografia é para mim, uma das melhores fotografias do século. Representa toda a luta de UM só homem por um ideal justo)

Palestina – Porquê agora a Frota da Liberdade?

Não há situação nenhuma de calamidade eminente. Não há Intifada. O Muro  é profundamente eficaz, não há “mártires suícidas” nem mortes de inocentes.

Mas os “autodenominados” defensores da causa palestiniana, mais não têm feito que diminuir a possibilidade de se encontrarem soluções justas, como seja um estado autónomo a que os palestinianos têm direito nem a uma vida normal. Pelo contrário, sempre prontos a fazerem o papel de “idiotas úteis” uma e outra vez, o que fazem é que a causa tome mediatismo pelas razões erradas.

Correcto, e onde há unanimidade de posições, é trazer para a luz do dia a politica de colonatos que , na prática, inviabiliza as fronteiras de um estado palestiniano com um território digno desse nome. Os colonatos, depois do sofrimento humano, é a maior barreira para se encontrar uma solução aceitável de coexistência pacífica, devia estar na frente das preocupações da comunidade mundial. Mas a verdade é que dá trabalho e não dá folclore, é preciso determinação, trabalho de sapa, fora das objectivas e dos holofotes da televisão.

Porque não seguiu a frota para a parte de Gaza controlada pelo Egípto? Ou pelo Líbano onde os palestinianos experimentam condições de vida bem mais dificeis? Ficam aqui perguntas que não pretendem obter respostas, nem encobrir o que o exército israelita fez de excessivo, mas antes chamar a atenção para factos que exigem explicações, e que vão direitinhos para a Turquia e para sua política de liderança de toda uma região, encostando-se a países como o Irão, e a Síria .( Estados democráticos e moderadíssimos, exemplos de virtudes humanistas…)

Os “idiotas úteis” e os menos idiotas, mas igualmente úteis, verberando o que nem sequer alcançam na  complexidade das políticas geoestratégicas, deixando que o povo mártir da palestina e a sua causa, sejam usados em operações que em nada o ajudam , fazem o papel que lhes é distribuído, agora a favor da Turquia , o estado que “gazeia” milhões de Curdos. A Turquia que faz aos Curdos( assassinando-os aos milhões e arrazando povoações inteiras com o “gaz pimenta”) o que Israel ainda não conseguiu ( ou não pode fazer por se tratar de um estado democrático e de Direito) aos Palestinianos, passou agora a ser o paladino da paz!

O preconceito ideológico, pretensamente superior, em todo o seu esplendor! Agora estão ao lado da Turquia que assassinou milhões de Curdos, e ai de quem não pensar como os “bonzinhos” da esquerda! A esquerda jacobina, que herdou, não se sabe de quem nem por que meios, uma clarividência moral superior aos que não pensam da mesma forma, que estão sempre de acordo entre si mesmo quando não sabem bem do que se trata.

Dizem que é parecida com o pai

Texto para um amigo

(jaime casais)

(Este meu amigo, arquitecto e pintor galego que vive na Corunha, pediu-me para escrever um pequeno prefácio ou texto de apresentação para um livro seu a sair em breve. Transcrevo-o aqui para aqueles que, eventualmente, se interessem por estas coisas da pintura).

JAIME CASAIS

 Este livro, há muito tempo esperado, sobretudo a partir do dia em que tivemos o privilégio de ver o volte-face da pintura deste grande artista e amigo, Jaime Casais, está para breve. O amigo Jaime quis dar-me a honra de o prefaciar. No entanto, como na altura em que escrevi este texto ainda o livro estava em projecto, eu preferi dar-lhe não o título de prefácio, propriamente dito, o que implicaria uma abordagem da obra nas suas diversas vertentes, mas o nome do autor. Até porque, para mim, é mais grato falar do autor e da sua obra, mesmo sem livro, do que propriamente fazer a clássica análise de um livro. E quer o autor quer a obra são do meu profundo conhecimento. Para felicidade minha. [Read more…]

Intervalo para Publicidade:

Hoje é dia de “Intifada na Rede

Será menino ou menina?

Violência policial, agora ouçam

Ao minuto e 45:

“traz esse gajo. traz esse gajo das fotografias”

O que tinha a dizer sobre isto já o escrevi. Mais informações num blogue que corre o risco de ter muito que escrever, e onde se clarifica este ponto, que tem entretido jornalistas de merda (não há outra expressão) que se esquecem do pormenor de o fotógrafo agredido ser seu colega (sim, colega e não camarada, que como dizia um outro, colegas são as putas):

No passado dia 3 de Junho, surgiram notícias em alguns orgãos de comunicação social, nomeadamente o DN e a TVI sobre o caso das agressões policiais da madrugada de 30 de Maio. As notícias são relacionadas com alegados processos-crime anteriores de 4 das 5 vítimas.

Plataforma Contra a Violência Policial, que tem vindo a acompanhar as vítimas nos últimos dias, quer relembrar os orgãos de comunicação social que esta notícia serve somente para denegrir as vítimas. Relembramos que os agentes da PSP envolvidos nas agressões brutais aos jovens e ao cidadão inglês não tinham qualquer informação prévia antes de os espancar nem os revistaram. A sua actuação foi pura violência gratuita, atentando mesmo contra a liberdade de imprensa, espancando o fotojornalista que tentava fotografar a agressão à rapariga.

Onde anda o Sindicato dos Jornalistas?

Disfunção eréctil

Para aliviar um pouco a tensão (não quero tirar o “n”) dos últimos dias, queria dizer algumas coisas sobre a disfunção eréctil.

Não é assunto da minha especialidade, mas como ultimamente há estudos sobre a etiopatogenia da disfunção eréctil que sugerem que esta alteração representa uma manifestação precoce de aterosclerose, pensa-se que a disfunção eréctil poderá ser um marcador precoce de doença cardiovascular, nomeadamente coronária. Por isso gostaria  de deixar aqui umas breves notas.

Nos países industrializados a prevalência de disfunção eréctil tem vindo a aumentar, em paralelo com todas as doenças cardiovasculares. O facto destas doenças se associarem a uma grande morbilidade e mortalidade cria um enorme peso na sociedade. Daí a necessidade de se obterem métodos de prevenção e detecção precoce. O estudo da disfunção eréctil, dado que esta pode corresponder a uma aterosclerose ou arteriosclerose, como queiram, das artérias penianas, tem levado urologistas e cardiologistas (duas especialidades aparentemente tão distantes), a convergirem esforços no sentido do diagnóstico, identificação e prevenção precoce da doença cardiovascular.

Neste sentido, tem vindo a ser proposto aos doentes com idade superior a 45 anos, que referem disfunção eréctil, sem outra sintomatologia cardiovascular, a avaliação para os factores de risco cardiovascular, na tentativa de detectar a presença de doença coronária assintomática ou numa fase sub-clínica.

Aqui fica a informação, que pretende ser um pequeno alerta, e nunca um factor de preocupação e pânico, que desses já estamos fartos e cheios através da espectacularidade que os meios de comunicação social  fazem quando se põem a falar destas matérias.

E hoje é dia de…

A minha resposta ao mais velho Adão

POR JOAQUIM QUICOLA

Bom mais uma vez desculpa pelo atraso nos mambos e mujimbos, mas vocês sabem como é que é, não é? Entre o salo e o taxi, aturar os pulas, o molho dos supervisores, puxar pela gasosa, chupar cuca, tratar da mboa fixa e das outras variáveis, me complica muito esse mambo de blog. E depois tem a farra de sexta de feira. Tás a ver não?

Hoje, que sobrou tempo e disposição, quero, com todo o respeito, dar a minha opinião sobre as makas lá nesse quê de médio oriente, ou quê.

O mais velho Adão fez uma pergunta que é a realidade. A minha resposta é esta. Se eu fosse palestianiano, se barrassem o meu país e fizessem todos esses desaforos com o meu povo, eu movimentava a minha AK, como então? Foi o que eu fiz aqui em Angola com a Unita do Savimbi e os sul-africanos. Me alistei nas Fapla e fui no mato. Fazer como então? Essa é a realidade. Dizem que os muadiés do Hamas são terroristas. Eu não fiz a guerra colonial, mas era assim que os portugueses chamavam o MPLA. Os turras. Mas para nós, os guerrilheiros eram nacionalistas. É verdade que os anos passaram e esses muadiés do M tomaram conta deste país e agora estão a roubar sozinhos, o que me deixa muito fudido (peço desculpa), muito fudido mesmo (outra vez desculpa). Mas na época a escolha era aquela, não havia outra.

Eu era candengue, e quando vejo os candengues lá na tal faixa de Gaza ou quê, pegar nas pedras, nas Kalas, nos roquetes e mandar bala sobre os israelitas, estão a fazer bem, pois então. Se alistam no Hamas ou quê, viram terroristas e é mesmo assim. Os outros estão a ocupar a terra alheia assim sem mais, a explorar, a bater, a humilhar e a matar, tal como os pulas aqui no tempo colonial, e não pode fazer nada. Tem de ficar quieto, como então? Não. Há que reagir. Não foi o que os israelitas fizeram quando reclamaram a terra deles? Então?

Pode ser que o tal de Hamas se venha a tornar como aqui o M. Tudo muito bem. Pode ser que sejam uns filhos da puta para o seu próprio povo. Tudo muito bem. Pode ser inclusive, que depois de tomaram a sua terra, vão já querer ir na terra alheia e se apropriar do que não lhes pertence. Tudo muito bem. Mas isso é no pode ser que, no talvez vai ir-se tornar-se assim. São outros quinhentos. Nos quinhentos de hoje a circunstância é essa. A realidade é que esses tais do Hamas podem ser uns filhos da puta. Mas na verdade, são os filhos da puta patriotas disponíveis para lutar e nesse instante a realidade é essa.

Mas o cota Adão faz outra pergunta, e se eu fosse israelita? Como pensava? Sinceramente não sei. Na circunstâncias da minha vida, não tive os problemas que ele teve. Eu sempre estive do lado certo. Nunca tive dúvidas sobre o que fazer

Saudações a todos

portugal fatimizado e a faixa de gaza

O que hoje acontece em dias santos

Nos dias da minha inocência, escrevia estes textos.

Nos dias de hoje, como se constata na imagem, as ideias mudaram. Vou lembrar essas  palavras, essa minha premoniçao…Especialmente pelos assassinatos na faixa de Gaza pelos hebraicos, que enterraram o seu holocausto, para criar outros…

Com a licença das pessoas que acreditam em Deus. Queiram estimar que o que vou dizer é apenas uma análise do observável na população. Dessa população da qual eu também sou parte. Uma população não apenas portuguesa, mas ocidental e das suas antigas colónias. Com a licença das pessoas que acreditam serem criadas por uma divindade eterna e omnipotente. Uma divindade que dá descanso eterno no prazer do não trabalho, ou trabalho eterno na ira do mau comportamento. Como cientista social, só posso observar o agir dessas pessoas e respeitar a sua forma de pensar e de sentir a existência duma divindade, o que é denominado fé. Fé na existência duma testemunha que observa todos esses agires, desejos e pensamentos. Como se fizesse observação participante dos afazeres de todos, em todo o sítio. [Read more…]

E de que lado estavam vocês em 1992?

A diferença entre a missão Lusitânia Expresso em 1992 no mar de Timor e o que agora ocorreu em águas internacionais ao largo da Faixa de Gaza é apenas a de que os indonésios souberam conter-se, os israelitas não.  E parece que os portugueses não levavam berlindes.

A diferença entre a Palestina e Timor-Leste não é nenhuma: a mesma ocupação, a mesma tentativa de fazer um povo desaparecer da face da terra.

A Fretilin também era uma organização terrorista?

A memória das pessoas é mesmo muito curta. A leitura sempre ajudava a suprir a amnésia, mas para isso era preciso saber ler, o que está logo vedado a quem nem escrever articulando ideias consegue, limitando-se a despejar o mesmo loop, dias a fio. Temos as caixas de comentários cheias disso.

Educação ou a vão glória de destruir um país

Há muito que o Ministério da Educação (?) trabalha mais para a estatística que para o futuro dos jovens e, claro, o futuro do país. Por entre algumas medidas positivas, aquela que foi a paixão de António Guterres foi desbaratada pelos seus camaradas de partido em nome dos números que surgem nos relatórios internacionais. Mas só mesmo os estrangeiros poderão ficar impressionados. Por cá, já percebemos que é tudo uma mentira.

Desde a contínua e progressiva perda de autoridade dos professores nas salas de aula, passando pela enorme vontade de pais de meninos minados quererem mandar na escola, continuando no facilitismo dos exames (sem falar das provas de aferição) e das avaliações (sem esquecer a celebre questão das faltas), e terminando nas fantásticas Novas Oportunidades que permitem fazer três anos de escolaridade em apenas um (e ganhar um computador portátil de presente, vá lá).

Terminando, não, porque agora o Governo quer dar aos petizes a oportunidade de fazer gazeta ao 9º ano, passando do 8º para o 10º. Diz o jornal i que para evitar a maçada de cumprir o 9º ano, os jovens lusos, graças aos inúmeros conhecimentos, terão de se autopropor às provas nacionais de Português e de Matemática do final do 3º ciclo, em Julho, e fazer os exames a nível de escola em todas as disciplinas do 9º ano. Já se imagina o terror dos adolescentes perante os perigosos exames que poderão enfrentar, atendendo aos exemplos recentes de exames.
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Foxcoon: a morte de mais um trabalhador

A Fábrica Letal

O trabalho assassino continua. Segundo o jornail “i”, ocorreu mais uma morte na Foxcoon. A vítima, desta vez, foi um engenheiro de 27 anos. A família atribui a morte à sobrecarga de trabalho do jovem técnico.

A Foxcoon, como já escrevi aqui, é uma empresa chinesa, propriedade de um coreano, e produz equipamentos para a Apple, Dell, HP, Nitendo, Nokia e Sony – não me canso de repetir – com o recurso a operários pagos ultimamente a 120 / 130 euros mensais, para 12 horas diárias em 6 dias de trabalho por semana.

A OIT – Organização Internacional do Trabalho integra 183 países-membros, entre os quais a China. Teoricamente, através de Declaração pública e internacionalmente aceite, a citada organização e respectivos países-membros estão vinculados ao compromisso de fazer cumprir princípios e direitos fundamentais no trabalho – só teoricamente, porque na prática não se aplica.

Sabe-se lá quantas Foxconn’s e respectivos governos gozarão de impunidade semelhante por esse mundo fora? Mas, citando Joseph Stiglitz, “o modelo global sem governo global” lá vai produzindo iniquidades e, neste caso, até a morte de trabalhadores.

A teoria do mercado, tão ao gosto dos liberais e do próprio FMI, é que o trabalho também se insere no jogo “da oferta e da procura”. Isto, porque consideram as energias do ser humano equivalentes a mercadoria; e ainda que uns desgraçados morram e as multinacionais prossigam na insaciável conquista de poder e lucros globais e crescentes, a própria vida de quem trabalha é matéria irrelevante.

Palestina – O veneno ideológico!

Esta questão da palestina há muito que interessa a todos nós. Uma e outra vez somos chamados a trocar argumentos e uma e outra vez ninguem apresenta nada de novo, ninguem se move um centímetro da sua posição inicial . Mas todos sabemos que enquanto fazemos gala do nosso “excelso saber” há pessoas a morrerem, a passarem fome, e isso não interessa para nada.

O que interessa é a posição ideológica, o mundo a preto e branco, um é fascista e nazi, porque não pensa como eu, o outro é comunista e “filho da puta” porque me quer roubar a liberdade, veneno destilado, que não trás qualquer contribuição para a resolução do problema e que nega as evidências.

Há aqui perguntas, feitas por pessoas a quem reconheço razoabilidade e bom senso noutros assuntos, que não suportam a mais pequena análise se honesta. A única pergunta que se deve colocar e que é razoável é porque não deixam que os povos se pronunciem ; que se crie um estado de Direito, onde haja a primazia da Lei; onde exista a separação de poderes; uma constituição sufragada e onde estejam estabelecidos os direitos de cada povo, com a sua religião, os seus costumes. Numa palavra, uma democracia!

Todas as outras propostas não passam de veneno ideológico, baba rançosa de quem tudo resume  ao ser de “esquerda” ou de “direita”, sem nunca perguntarem nada a quem sofre e a quem vê os seus morrrerem todos os dias. Não apresentam um único argumento válido ou original,  se estendermos as suas posições, chegamos a conclusões vergonhosas como seja a de que um dos povos tem que ser deitado ao mar, exactamente o argumento que mantem esta guerra sem fim.

E porquê ? O que leva gente inteligente, boa, bem intencionada a querer que todo um povo seja deitado ao mar? Seja ele qual for, é gente de carne e osso, pais, mães e filhos! Querem matar? Matem os políticos! De ambos os lados!