a globalização do genocídio infantil

acontece todos os dias, especialmente a partir da gula do petróleo oriental

agradeço aos comentadores do meu texto Guerra, publicado ontem, Adão Cruz e Xico que acordaram em mim pensamentos banidos por causa do que eu próprio vivi. Mas se tem que ser, que seja….claro e lato…uma diferença há: consegui salvar aos meus…de dois, somos dez… mas com lembranças que não nos permitem vivermos juntos…

Genocídio arménio, (em armênio: Հայոց Ցեղասպանութիւն, transl. Hayots tseghaspanut’iun), holocausto arménio ou ainda o massacre dos arménios é como é chamada a matança e deportação forçada de centenas de milhares ou até mais de um milhão de pessoas de origem arménia que viviam no Império Otomano, com a intenção de arruinar sua vida cultural, económica e seu ambiente familiar, durante o governo dos chamados Jovens Turcos, de 1915 a 1917.[1]

Está firmemente estabelecido que foi um genocídio, e há evidências do plano organizado e intentado de eliminar sistematicamente os arménios. É o segundo mais estudado evento desse tipo, depois do Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial, e vários estudiosos afirmam ter Hitler pronunciado a frase:

Afinal quem fala hoje do extermínio dos arménios ? em 1939, nas vésperas da invasão da Polônia.[2]

Adopta-se a data de 24 de abril de 1915 como início do massacre, por ser a data em que dezenas de lideranças arménias foram presas e massacradas em Istambul.

O governo turco actual rejeita o termo genocídio organizado e que as mortes tenham sido intencionais. Quase cem anos depois, ainda persiste a polémica[3]

Fontes:1Akçam, Taner, From Empire to Republic: Turkish Nationalism and the Armenian Genocide, Zed Books, 2004.

2: “É preciso condenar o genocídio armênio”. Daniel Sokatch e David N. Myers, O Estado de S.Paulo, 6 de Maio de 2007. Citado em Resenha de Imprensa Nacional – Ministério das Relações Exteriores do Brasil (visitado em 6-3-2010).

3EUA tentarão bloquear resolução sobre ‘genocídio’ de arménios. BBC Brasil (5 de Março de 2010)

Não sou adivinho. Apenas observo o que acontece no mundo. E tremo de indignação.

Gostava de ver risos, notícias de que a vida está menos cara, saber que foi editada uma nova versão de uma obra de Bach, que o leite já não é caro, que se ganha mais, que baixou a inflação, aumentou o Produto Interno Bruto, o PIB. Que não é apenas o Presidente Chávez da Venezuela a recuperar o cargo, ou que a Rainha-mãe da Grã-bretanha, esse exemplo de vida cuja história me agrada ler, pregou um grande susto ao Fascismo na Segunda Grande.

Mas sabe o leitor que ando sempre a tocar os sinos para chamar a atenção sobre o sentir das crianças. Escrevi neste sítio, em Setembro de 2008, um conjunto de ideias sob o título de: Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos. Em Fevereiro de 2008, tentei chamar a atenção para um debate político socialista – capitalista, no qual é usada uma criança: Prostituição das crianças. Devolvam-nos al niño, quando Elías González era o centro do debate entre Cuba e USA. Debate que levou a que o meu artigo fosse publicado, em castelhano, na Espanha e na América Latina. Em Janeiro de 2001 escrevi As ditaduras e o saber das crianças”. Tinha visto o filme de Spielberg A lista de Schindler, e outro dele, La Amistad, ou O império do sol; bem como a de Roberto Benigni, A vida é bela e o de John Irving: Regras da casa.

Fui ficando horrorizado pela experimentação de novas formas de acasalamento humano dos adultos, sem pensarem nas crianças envolvidas e sem tentarem entender como o conflito entre adultos se repercute nos mais novos.

Tentei ajudar-me com conversas e leituras da obra de Daniel Sampaio. Procurei entender enquanto escrevia os meus próprios livros. Mas nada mudava. Lia os jornais e via a televisão e cada dia parecia pior.

O Afeganistão foi atacado porque o orgulho do Governo americano não perdoa a morte lamentável de 4 mil pessoas da Indonésia, Colômbia, Japão, Chile e de outros países, nas torres gémeas de Nova Iorque.

O Iraque fechou as fronteiras aos refugiados do regime imposto pelos norte-americanos no feudal Estado Afegão.

O Paquistão obrigou-se a mudar de ideias e a aceitar refugiados, enquanto ataca os que lá vão ficando.

Israel define uma política de recuperação das terras que entende serem suas, enquanto os Palestinos defendem os seus territórios de há centenas de anos.

O resultado é simples: fala-se das mortes dos soldados, nada se diz das mães que amamentam os seus filhos e menos ainda, dos pequenos que vão ficando empilhados por não se saberem defender das balas.

Os soldados estão em guerra, as crianças a crescer, a entender, a definir conceitos, a conhecer. Quem? Os seus? Quais? Os seus verdugos? Os inimigos? Os seus compatriotas? Muito importante deve ser o Papa João Paulo II, mas se não soube resgatar a Igreja da Natividade, de quantas crianças perde o respeito? Muito condecorado será Colin Powell, que precisa de adiar encontros marcados para que os adultos não parem as suas lutas.

Se uma criança morre, mais quatro vão nascer. É isso que pensará Bush ou os Sheiks dos Emiratos Árabes? Para quando o 25 de Abril das crianças vítimas do lucro do capital?

Estou cansado de escrever e de falar. Diana de Gales andou entre as minas para mostrar que se deviam eliminar as bombas que feriam as crianças. Teresa de Calcutá e as suas freiras, a ONU e os direitos da criança. Para que? Para que continue o extermínio de crianças causado pela vaga do pensamento fascista que me faz tremer e chorar? O genocídio do séc. XX entra, dentro do séc. XXI pelas mãos daqueles que eu não imaginava que podiam matar crianças e as suas mães. Haja um Deus para sermos perdoados. Pena é que não exista nenhum. Preferia não ter escrito o que referi. Não adianta… Quem escreveu o Capital, alertava já para estes genocídios, organizados apenas para angariar lucros. Ai das crianças queimadas com napam e outra bombas químicas, pela apetecida mais-valia que pertence a outros e não a quem invade terra estrangeira. Ai das mães que assim perdem os seus bebés. Ai do mundo que lê a notícia e se importa da sua vida! Ai dos que por terem imenso dinheiro, podem ter filhos sem perigo e pelo próprio prazer, como quem adopta um animal de estimação.

Em 1945, o nosso Prémio Nobel de literatura, Gabriela Mistral, amiga de família, dizia já:

Piececitos de niño, azulosos de frío,

como os ven e no os cubren, Dios mio.

Comments

  1. António Soares says:

    Se conseguíssemos inverter isso…talvez, no próximo Big Band!!!!!!!!!!!!


  2. As pessoas – globalmente – não perdem 45 segundos para assinar 1 petição para tentar impedir a execução de outro humano … Os Primeiros Ministros Y Ministros dos Negócios Estrangeiros não tomam diligências juntos dos governantes dos países em que se executam execuções para os demover de tal aplicação de Justiça. … … Pensar em algo que ocorreu em 1939 só … distracção lúdica …

  3. Raul Iturra says:

    Meus Caros,
    um bom exemplo, não fornecer a identidade! Saibam que o genocídio é quotidiano. Um bom exeplo é o nosso próprio governo. Quiz dar um exemplo de anos pasados, mas saibam que este genocídio armênio continua e outros, sobre os que tenho escrito, como a Faixa de Gaza. Se assim não for, não seria parte de Amnistia Internacional Secções Britânica e Espanhola. E os senhores?

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.