os filhos e as suas mães

...tempos em que o Manuel era bebé...com a sua mãe a acaricia-lo

para Manuel Melo…

Deve ser a primeira vez que falo contigo. Deve ser a primeira vez que me endereço a ti. Nunca nos temos visto, jamais olhado uma foto tua. Mas atrevo-me a endereçar-te estas palavras. A ti, enquanto penso na tua mãe. Bem sei que já és quase um menino que oferece presentes à mamã. Tomas conta dela, te enterneces quando a vês aparecer, como eu próprio, avô como sou agora, gritava de alegria quando estava coma mãe que me dera a vida

Não há ternura maior, que dar a vida a outro, cria-lo, amamenta-lo, lutar para ser ela quem trate de ti.

Bem sabes que nem sempre pode estar contigo, mas faz todos os esforços possíveis para sair cedo de casa e tornar cedo e estar contigo. Cansada do trabalho, acaba por se encostar um pouco em casa para ouvir-te, tratar dos teus trabalhos, ou brincar comigo.

Penso que a tua mãe não te mima, é apenas carinhosa e gosta que andes limpo e vestido como pensas. Como a minha mãe fazia comigo: se descalço, sem sapatos pois, se nadar, ir para a praia, pois, se andar com amigos, uma tarte esperava por nós, pois.

Nos homens, mal sabemos cuidar às nossas crianças. Há uma grande diferença entre homem e mulher: as senhoras, durante nove meses, começam a engrossar o corpo porque um pequeno estar a crescer dentro dela. O nascimento não sem dor, mas essa dor dura um instante. A minha neta mais nova, May Malen Isley, acaba de completar os seus oito meses: não sabe falar, mas adora brincar com os colares e braceletes da mãe… e a imita de uma maneira simpática e divertida: não é uma senhora, é uma menina que só fala dadadada, ou mamamama sons que emite, não sabe falar ainda. Adora a sua casa porque está a mãe com ela e espera que o pai apareça para andar de cavalitas pelos andares da casa.

Nós, homens, sentimos ternura pelos nossos pequenos, mas é difícil demonstrar. Apesar de ter sido pai – mãe das nossas filhas ao longo da sua infância, tive que começar a aprender a pentear, engomar, lavar roupa, trabalhar, lava-las à escola e ir procura-las as horas adequadas as 15.30 da tarde, com neve ou com sol.

Talvez um dia sejas pai, porque vás crescer e vás-te namorar. Não esqueças como essa mãe te trata, não tenhas medo de ficar só com as tuas crianças. Podes ver que outros homens já o têm feito e com imenso amor, sem punir nem envergonhar. Ensina aos teus pequenos, no distante futuro, a se comportarem contigo como o mesmo amor que um dia tu vás dará eles.

Estou agradecido da tua mãe. Empenha-se em trabalhar, sabe rir no minuto certo, mas ai! se fazemos birra: as birras não podem ser aceites, ensina arrogância. Arrogância, dirás? O que é isso? É pensar que somos melhor que os outros.

Calo, nada mais digo. São muitas palavras para um pequeno da tua idade. Aliás, a tua mãe deve explicar muitas coisas y explicar, cansa.

Felicidades para ti do avô de quatro netos: duas meninas e dois meninos. Uma, da tua idade, outros mais velhos, mas sabem brincar a bola comigo

Comments


  1. ” Nos homens, mal sabemos cuidar às nossas crianças. ”

    Desculpe, mas cada um fala por si. Isto é incrivelmente ofensivo, para milhares de Pais (homens) que sabem cuidar de tudo , mas de tudo, dos seus filhos.
    Se o Sr, ou os homens da sua família, e seu círculo, não sabem, devido a tradições machistas, SFF não generalize.
    Pode achar que isto não é importante, mas para mais de 250.000 homens – sim, leu bem, mais de duzentos e cinquenta mil homens – que foram a tribunal nos ultimos anos, para tentar ver seus filhos, espalhar e GENERALIZAR ESTAS FRASES, é gravoso, danoso.
    Que se diria, de frases como “os canadianos não sabem educar seus filhos ” ? Ou de generalizações como “os italianos são meio mafiosos ” ? Ou “as máes, tendem a abortar se não gostam do sexo do bébé” ?
    Seria injusto, e mtas vozes viriam contra.
    Pois espalhar, que os homens, não sabem cuidar de TUDO , dos filhos, é mentira, primeiro que tudo.
    Bastava isto
    Segundo, é gravoso, porque espalha mentiras, e isso terá influencia em várias crianças, que estão entregues a más mães (máe da joana, mãe do daniel, mãe do levi, etc, etc etc), e que devido a essas generalizações machistas, morreram

    Desculpe se fui directo, e talvez um pouco demais.
    Mas acredite, generalizações como esta, acontecem e são regra nos tribunais, e até em jurisprudencia, que mto mal fizeram a mtas crianças.

    É preciso , começar a ter noção , que faz mal a crianças. Repito, devido a generalizações como estas, crianças como Joana do Algarve, Levi de Chaves, Daniel da Margem Sul, Mónica do Barreiro, e tantas outras, MORRERAM

    Não ás generalizações , “todas as mámás são boas, e todos os pais sao incapazes ”

    ” Há uma grande diferença entre homem e mulher: as senhoras, durante nove meses, começam a engrossar o corpo porque um pequeno estar a crescer dentro dela. ”

    Pena, isso acontecer também aos animais. É um mito.
    Pena, muitas abortarem, e provar que não queriam os filhos, e que estar dentro delas, é indiferente. Puseram-nos cá para fora.
    (não discuto o aborto, provo que nada tem a ver o feto estar lá dentro, como prova de o querer, de o amar. O aborto, é uma prova.
    A segundo, como já disse, é a quantidade incrivél de crianças mortas pelas mães, fora as que são maltratadas.
    E que depois no dia – a – dia, vemos na rua, e se critica os estalos fortes, etc.
    Uma visão romantica, do que se vê – a mulher grávida – que não corresponde a nada.
    Terceiro, para não nos esquecermos, os animais mamíferos também vem da mãe, e não os amam por isso.

    Desculpe, mas espero que compreenda porque fui directo. Nada contra si, mas para clarificar várias coisas


  2. Lamento não dar a conhecer o seu nome. Lamento não ter lido o texto completo. Se reparar, era capaz de apreciar que é a carta para uma criança, nem para si nem para adultos, que tem sofrido a desventura de ficar sem pai. Assim como eu fiquei sem mãe para as minhas crianças. Dá-me a impressão que leu apenas a parte do seu ressentimento. No meu tempo, eu também fiquei ressentido, mas com o cuidado das minhas crianças é que aprendi, fizeram-me entender que é necessário endereçar as cartas pelos caminhos adequados. Reconheço que não devia ter publicado a carta, mas o rapaz ficava assim mais certo e seguro e e isso o que interessa. Se o Senhor(a) fica ressentido, é porque ainda não ultrapassou as suas tristezas. Lamento
    Cumprimenta
    Professor Doutos Raúl Iturra
    Especialista em etnopsicologia da infância

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