Cavaco, PS, PSD e a embrulhada orçamental

O Presidente Cavaco Silva cumpriu mais um itinerário de campanha eleitoral negada, a despeito de ser um intencional programa de visitas a diversas zonas do País. Hoje, foi a vez dos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró. Os problemas locais, certamente existem, ficaram ofuscados. Nas preocupações e palavras aos jornalistas, o PR insistiu na necessidade do acordo entre PS e PSD para aprovação do OGE para 2011.

Por sua vez, noutras bandas, o ministro Silva Pereira anunciou em Lisboa a recusa do PSD em negociar previamente a viabilização do referido Orçamento de Estado; e em Arouca Passos Coelho afiirmou: “não aceito presentes envenenados do governo”.

Há quem afirme, nas hostes do PSD e mesmo entre economistas mediáticos, Vítor Bento por exemplo, que é possível a governação, em 2011, sob um regime de duodécimos equivalentes ao orçamento de 2010. Ser possível é, mas, como diz o anúncio, não é a mesma coisa.

A política económica e financeira de Portugal, em termos de opções e alternativas, está naturalmente condicionada por compromissos com a União Europeia e, em particular, com a Zona do Euro; esta última, diga-se, sob a prepotente tutela da Alemanha da Sra. Merkel. E, para adensar o imbróglio em que nos enfiaram ao longo de três décadas ‘rosa e laranja’, as nossas fragilidades constituem o pasto ideal para os insaciáveis investidores internacionais. Estes, lembre-se, estão muito atentos ao correr do filme cuja realização é assumida pelo PS e PSD. Tudo isto é, justamente, o que assusta Cavaco.

A falta de aprovação do OGE para 2011 transformar-se-á, em nosso entender, em mais penalizações para a vida da maioria dos portugueses. Os juros das dívidas do Estado continuarão em inexorável subida e agravar-se-ão sacrifícios e carências dos cidadãos mais desprotegidos.

Ao PS não basta invocar propósitos de baixar a despesa e, na prática, dar cobertura a ‘boys’ pagos chorudamente, multiplicar cargos de gestores e de ofender os portugueses comuns com amplas frotas de viaturas de luxo, nos ministérios e em organismos e empresas do Estado. Ao PSD não é suficiente recusar, no vago, mais impostos, sabendo-se da existência de operações financeiras – a venda da Vivo pela PT e outras – cujas mais-valias gozam de inaceitável benefício da falta de tributação.

‘The Picture goes on’. Aguardemos o desfecho em ‘suspense’. Com crescente escassez de dinheiro e paciência, sublinhe-se.

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