a saúde em Portugal

no nosso país todos os hospitais são velhos,estreitos e sem recusrsos

No meu entender, no nosso país temos, pelos menos, três problemas: a educação, a crise financeira e o atendimento da saúde pública.

A educação tem recebido pouca ajuda do Estado para organizar Bibliotecas, criar campos desportivos ou convidar pessoas sábias, fora do recinto estudantil, para suplementar o que sempre se ensina. Já estou farto, nos meus 50 anos de docência, de aceitar convites para falar em escolas, colégios secundários ou universidades. Mas, como o povo merece, nunca disse que não e sempre apareci. Apenas começava a falar, o cansaço desaparecia, passava a ser era para mim um grande prazer, apenas compensado pelos diálogos estabelecidos com estudantes e a minha pessoa. Costumava ir às escolas com menos alunos, até que a brilhante ideia de juntar sítios de estudos, apareceu, foi aprovado e os aglomerados escolares passaram a ser um sucesso, sobre o qual já tenho escrito e não vou repetir.

A seguir, medidas político financeiras para tratar de aumentar as entradas de dinheiro nas arcas do Estado, tema tratado por mim em imensos textos deste sítio de debate.

Confesso que hoje apareceu-me um terceiro problema: a gestão da saúde pública. Não apenas há imensos doentes, com ou sem motivo, bem como poucos hospitais e equipamentos para tratar deles. Parece-me uma manha infantil, este assunto das doenças. O Estado importa-se até ao cúmulo do seu orçamento, para atender o melhor possível os denominados utentes. Mas, para tratar de uma doença no mesmo dia, é preciso, como tenho constatado nos Centros de Saúde, aparecer a formar fila às 5 da manhã. Tenho constatado este facto no Centro Hospitalar de Cascais: os ditos doentes aparecem de madrugada, as portas do Centro Hospitalar abrem as nove, com uma fila de mais de duzentas pessoas à espera de ter senha. Os médicos que prestam serviços nos Centros, aparecem perto do meio-dia e nem têm tempo de tratar a fila multitudinária, que espera um dia e outro, vão-se embora e regressam: a senha não é válida, todo deve começar outra vez. Observei que há pessoas a vender as suas senhas, ou a pagar a quem as gere, para poder entrar. Triste espectáculo!

O que dizer dos hospitais? São atendidos pelos melhores licenciados em medicina, mas estes licenciados são poucos para tanto público. Ser atendido num hospital pode demorar de três a cinco horas, para cinco minutos de atenção. Atenção, por vezes, extremamente simpática, como me tem acontecido, mas outras muito classistas.

Os favores e trocas existem entre o pessoal hospitalar. É preciso um troco de simpatias, uma invenção, para sermos atendidos pelo sistema público. Nem falar do privado. A atenção que tive hoje, por 2,35€, no sistema privado seria 250€. Com a crise económica que vivemos, quem pode pagar essa importância?

Observei mais de 300 utentes à espera de serem chamados, corredores cheios de pessoas, para os poucos médicos que entregam a sua saúde, saber, serenidade, espalhados por todos os hospitais do país.

Comentava este assunto com a minha mulher, e ela, que bem conhece Portugal, comentou que, pelos menos assim havia saúde pública, especialmente em época de crises.

Admito as senhoras e senhores médicos. Morar o dia inteiro em prédios que são hospitais, mal pintados, sem lugar para descansar as horas de espera. Bem como a simpática atenção de médico a utente.

Há os que entram no sistema privado. Há os que entregam o seu patriotismo a nacionalidade para trabalhar em péssimas condições.

Tenho morado em muitos países, apenas na Espanha e Portugal tenho observado a pobreza franciscana do sistema hospitalar.

Deve ser tudo o que o Estado possa usufruir para uma população tão grande e tão católica, que, as vezes se encomendam a Nossa Senhora de Fátima em vez de irem a um hospital. Pelo menos era o que comentava una senhora: foi ao seu Centro Médico, entrou sã e saiu doente. Apenas foi capaz de acender velas a uma imagem de Fátima, para sarar.

Pelo menos para um Etnospicólogo como eu, faz destas esperas intermináveis, trabalho de observação participante…

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