Pormenores…

A família, inglesa, vive em Portugal há mais de dez anos, dizia o jornal.

O marido acabara de sair para ir trabalhar, bateram à porta e a senhora foi abrir. Eram três indivíduos fardados, ela pensou que fossem do exército.

Não demorou muito a perceber que se tratava de um assalto e, aqui, poupo ao leitor os pormenores tal como a lista de bens subtraídos.

Chegada a polícia a senhora declarou que falavam uma língua desconhecida que não lhe pareceu ser a portuguesa.

Quando se vive num país estrangeiro é conveniente atender a algumas minudências.  Não falo de reconhecer as fardas militares, mas saber identificar a língua local é capaz de ser um pormenor que pode, uma vez ou outra, vir a dar jeito.

Ensino na promiscuidade de PPP dissimulada

Pum! Pum! Pum! – dei três murros no tampo da mesa e exclamei : “Que merda de país é este!”. Ontem, ao assistir ao ‘Prós e Contras’, na RTP1.

O ex-juiz do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, publicou o livro  “Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro”, em Outubro de 2010, acentuando que PPP (Parcerias Público-Privadas) têm efeitos perversos no uso de dinheiros do Estado e, consequentemente, dos contribuintes . Da direita à esquerda,  políticos e cidadãos aplaudiram a denúncia. Os discordantes, se é que existiram, não tugiram, nem mugiram.

Os “contratos de associação” entre Ministério de Educação e estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, digam o que quiserem autores de laboriosas teorias, não passam de fórmula dissimulada de Parceria Público-Privada´.

Os citados “contratos de associação” foram estabelecidos ao abrigo de enquadramento legislativo existente desde 1980.

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Ainda a propósito da letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!”

Antes de mais nada: os agradecimentos por ter publicado no Aventar a letra da canção dos Deolinda “Que parva que eu sou!” deveriam ser endereçados a quem fez a transcrição. Infelizmente encontrei-a por mero acaso e indecentemente limitei-me a fazer corte-e-cola sem atribuir os devidos créditos, sendo que agora, espalhada viralmente como se encontra, é impossível corrigir o disparate.

Igualmente por mero acaso dei com este comentário no blogue Cravo de Abril:

Afonso Gonçalves disse…

Uma canção que olha apenas para o umbigo da juventude da pequena burguesia que agora vê a gasolina mais cara e a prestação do carro em falta. Ainda há pouco tempo, riam-se dos marxistas como dinossauros atrasados, agora fazem estas figuras tristes!

Como estão longe de J. Afonso, J.M. Branco e do Fausto.

Pobre música e pobre letra.

E não posso deixar de responder alto e bom som: que parvo que ele é.

Ora expliquem-me lá onde está aqui a “pequena burguesia” preocupada com a gasolina e a prestação do carro. Para alguns idiotas o proletariado é que é, e não pode ter estudos para ser escravo. É desta esquerda que a direita precisa para continuar a fazer de nós parvos.

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Eu vejo este povo a lutar

Anda tudo tão entretido com o Egipto (não confundir com “Egito” que é nome de pessoa, ainda por cima de poeta) que nem se repara no rei da Jordânia que demitiu o governo (antes que o demitam a ele, 1 de Fevereiro é um bom dia para regicídios) e na Síria que já tem a sua revolução marcada para 6ª feira.

2011 começa com um Janeiro a saber a Abril. Dá-me a nostalgia, privilegiado que fui por ter vivido uma revolução na adolescência,  “eu vi este povo a lutar“, e dão-me em cima com os viciados em pânico do costume: os ocidentalistas.

Os ocidentalistas tremem de medo perante o islamismo (como se as religiões não fossem todas iguais e crentes no mesmo deus), os mercados andam aflitos com o petróleo. Já os vi a arrancar o cabelo porque Portugal podia virar a Cuba da Europa (uma tolice pegada: URSS e EUA tinham o seu tratado de Tordesilhas e as jangadas de pedra são um conceito tecnologicamente muito avançado e por enquanto impraticável). É sempre assim. Eu gosto do povo a lutar.

Uma faísca incendiou a pradaria, como dizia o camarada Mao, o incêndio é muito mais rápido do que foi o último movimento revolucionário comparável, o que culminou no derrube do Muro de Berlim. Dali só podem vir coisas boas, porque o que ali estava tinha que ser derrubado. O mundo está a ficar melhor.

ahahahah! não sejas mau para mim…

Escolas com contrato de associação – uma tragicomédia em dois ou três actos, no máximo

O Aventar pratica a pluralidade. Imagine o leitor que até adeptos do Futebol Clube do Porto há por aqui, o que prova que não é possível ser-se mais tolerante. No meio desta pluralidade, houve três de nós (dois são do FCP, mas enfim…) que se têm vindo a dedicar, mais amiudadamente, à árdua tarefa de denunciar a existência de algumas escolas que traem o que está estipulado nos contratos de associação que assinaram. A pluralidade do Aventar pratica-se, igualmente, na caixa de comentários e as críticas feitas pelos três aventadores têm suscitado um debate animado que, sem dúvida, engrandece o blogue, mesmo quando houve lugar a alguma agressividade e a alguns mal-entendidos, a par de outras contribuições mais cordatas, mesmo que discordantes. Entretanto, apercebi-me de que há um défice de texto dramático neste n(v)osso blogue e resolvi juntar tudo: as pequenas dramatizações que irei publicar terão o objectivo de sintetizar algumas opiniões nossas e satirizar as reacções de alguns comentadores. Para representar os aventadores criei o Antunes (que não é mais do uma lyoncificação dos nomes João José Cardoso, Ricardo Santos Pinto e António Fernando Nabais); para representar os comentadores mais irados, fiquei-me por um festivo “Comendador”, até pela paronímia. Espero que alguns não gostem e que levem a mal. [Read more…]

Beliape, um caso de estudo do capitalismo português contemporâneo

Os trabalhadores despedidos e com salários em atraso da Beliape, uma fábrica de frangos em Cucujães, acusam seguranças ao serviço da administração de o terem atacado com petardos. A reportagem no Ionline dá conta do pânico entre os que tentam evitar o habitual roubo da maquinaria depois de encerrada a fábrica. Foram atacados depois desta reportagem da RTP ter sido emitida:

No blogue O Informador, claramente de alguém que trabalhou na empresa, escrevia-se a 1 de Novembro de 2009:

Recentemente a Beliape foi vendida a uma empresa/grupo/entidade ou pessoa… Ninguém sabe e a informação não sei onde se encontra! Pelo menos ninguém se apresenta como “o patrão”, “o gerente” ou “o accionista”.

O mesmo informador publicou um vídeo com estas imagens:

As fotos mostram frangos criados pela empresa que morreram à fome. Milhares de frangos, sem peso ideal para serem vendidos, foram abatidos e mantidos em decomposição por alguns dias nas suas instalações do matadouro. Mais tarde (bem mais tarde – Madrugada) foram encartados em sacos de plástico, colocados num camião não identificado e incinerados no passado fim de semana.

Clique para ver o vídeo, se tiver estômago para isso. [Read more…]

A Falta de Memória nas Redacções

Este programa já tem alguns anos, mas continua tão actual como no dia em que foi transmitido. Os jornalistas seniores foram removidos das redacções. Isto permite por um lado poupanças nos respectivos salários, por outro lado lado resulta também numa nova geração de jornalistas mais fáceis de moldar pelos interesses de cada momento. Aqui chamam-se os bois pelos nomes num raro momento de franqueza pública sobre estes assuntos.

Parte 1

(As partes 2 e 3 estão disponíveis a seguir.)
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Populismo Básico, Lacão

O sr Lacão, deputado, socialista, político há muitos anos e Ministro dos Assuntos Parlamentares, descobriu agora o que já milhares de pessoas bramaram em altos berros e o povo Português está farto de saber. Nem mais nem menos do que não serem precisos tantos deputados na AR, porque afinal na sua maioria não estarão lá a fazer alguma coisa que se veja. Há quatorze anos prevista na nossa Constituição a redução em cerca de cinquenta deputados e reclamada ainda antes disso por muita gente, vem este senhor, agora, que até convém dizer aos Portugueses que se está muito preocupado com o que se gasta, dizer esta coisa como se a tivesse acabado de inventar. Entende o sr Ministro que esta não é uma questão de menor importância, claro, tendo dito:

-“Penso que é preciso fazer alguma coisa para revitalizar a credibilidade dos políticos na nossa sociedade e desde logo fazê-lo com sentido de austeridade no Estado”. [Read more…]

os técnicos informáticos

…para Bruno Sousa, que me assiste todo senhor… como ele é e Ricardo Santos Pinto também

um ténico informática que me assiste

Há apenas duas palavras que definem um técnico informático: são de utilidade pública!

Há muitos saberes, há muito ciência que podem existir na nossa cabeça, incluindo o famoso multiplicador de investimentos, criado pelo meu colega de Cambridge, Sir John Maynard Keynes. Fórmula difícil de entender, apenas ele sabia a chave para o investimento, incluído ao meu amigo, o seu discípulo Lord Kaldor. Quem ao entender: Y C cY I G A = + + + [Read more…]

No Terreiro do Paço e em Dallas

Há quase cinquenta anos, um misterioso tiroteio em Dallas, tornou possível testemunhar quase em directo, o assassínio de um Chefe de Estado. Na ocasião, John Kennedy – uma das mais colossais fraudes mediáticas do passado século – foi abatido aos olhos de uma população chocada e incrédula. As imagens do acontecimento, são igualmente o testemunho da normal aflição de Jackie Bouvier Kennedy que desvairada, rasteja pela parte traseira da limusina presidencial. O pânico daquela mulher, a cabeça estilhaçada do presidente e a tragédia interiorizada por um povo inteiro, remete-nos para aquele outro dia, pouco mais de meio século antes, quando o landau preto, transportava a família real portuguesa. Os mesmos sons de tiroteio, as correrias apavoradas dos atónitos espectadores da matança, a coragem abnegada de cocheiros, polícias e de alguns populares. Mas neste caso, o que a memória colectiva registará para sempre, foi a atitude de uma mulher que erguendo-se na carruagem, teve o braço firme que faltou ao governo, à policia e à população que escapou amedrontada. Dª Amélia não fugiu nem procurou proteger-se. Mais do que a própria vida, defendeu os seus e com a esta demonstração pública de abnegada coragem, honrou o trono e a sua pátria de eleição.

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