Um país a afundar

Um barco que há muito começou a meter água, a afundar, encalhado, em agonia. Assim é, assim está Portugal! Como a maioria dos portugueses, senão todos, sinto que caminhamos para o abismo.

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Os políticos não se entendem, criticam, acusam, e nada fazem para tirar o país desta crise sem fim. A oposição conseguiu finalmente o que queria: derrubar o Governo e obrigar o país a recorrer à ajuda externa, sem pensar nas consequências que isso trará para o país, para os portugueses.

Sinto que, para os políticos de hoje, o que interessa é chegar ao poder, custe o que custar. Nem que isso implique arrastar os portugueses para a miséria, onde muitos já se encontram. O PSD não apoiou o PEC IV, levando à demissão do Governo, o que a meu ver, veio agravar ainda mais a situação económica do país – as principais agências de notação financeira baixaram a classificação da dívida pública e dos bancos portugueses, que por sua vez, “fecharam a torneira” ao Estado, tornando insustentável a governação.

Com isto, são os portugueses da classe média/baixa os que mais sofrem. Se ainda existe classe média! O poder de compra é cada vez menor. Aumentam os impostos, os combustíveis, os transportes, a electricidades, os bens essenciais. Em contrapartida, baixam os salários, são reduzidas as deduções no IRS, e aumenta a fragilidade social.

Conhecendo, infelizmente, a triste realidade de muitas famílias, são cada vez mais frequentes os casos de fome, em agregados onde nunca faltou nada. E onde já faltava, agora nada há. Custa ouvir alguém dizer que faz apenas uma refeição por dia, porque do ordenado ou reforma que recebe, pouco sobra para comer, quando se tem casa para pagar, electricidade, gás, telefone. Custa ouvir dizer que vai ser posto na rua, porque não consegue pagar a casa, custa ouvir dizer que não tem comida para dar aos filhos, custa ouvir dizer que é obrigado a trabalhar mais de 40 horas por semana, sem dias de folga e receber apenas um salário mínimo. Custa, custa muito.

Ou muito me engano ou aproximam-se dias ainda mais difíceis para todos nós. Embora comece a esgotar, esperança e força para lutar, é o que nos resta.

Fernanda Alves

(Jornalista)

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