A caminho de Budapeste

-O pedido de auxílio do governo português aos parceiros comunitários, tem aspectos positivos, apesar das duras contrapartidas. Começando pela descida na taxa de juro, e sabendo à partida que os governantes, actuais e próximos, não irão utilizar o dinheiro na modernização do parque automóvel do Estado ou empresas públicas, nem obras faraónicas absolutamente desnecessárias. Era tempo de arrumar a casa, quem ganha 1000, não pode sistematicamente gastar 1500, como vinha acontecendo. Irá doer? Certamente que sim, mas não existia alternativa a arrumar as contas, diminuindo o Estado. Temo apenas que os funcionários públicos, os menos culpados da situação, paguem a maior parte da factura, ao invés de serem privatizadas algumas empresas deficitárias, sem razão para existir, extintos ou fundidos alguns institutos públicos ou Direcções-gerais, que albergam grande parte dos boys and girls, titulares de cartões partidários, responsáveis pelo calamitoso estado a que chegámos…

 

Comments

  1. .. De facto, impunha-se que, de fora, neutro —digo eu!—, viesse alguém capaz de implementar as medidas que a promiscuidade tem impedido. As cumplicidades e os “arranjos” viciaram, de tal modo, o “jogo”, que penas um “árbitro” equidistante poderá proceder aos ajustamentos inevitáveis. Até que ponto e de que modo?… No meu entendimento, pior é que não poderá ficar; porque as coisas não só ameaçavam manterem-se, havia a garantia de que iriam degradar-se.

    Quanto à posição dos funcionários públicos, como se calculará, há os capazes e interessados, e há os que faziam e fazem do Estado um abrigo, o ponto de partida para outros horizontes; onde, garantido o salário e a pressão baixa, podiam e podem dedicar-se a outrso negócios. Isto é verdade.

    Não me admiraria, sim, é que fossem os mais dedicados, ou muitos dos mais dedicados, a pagar a “factura”, porque, normalmente, os que gozam do privilégio das “aberturas” são parte integrante de um “regime de trocas”, beneficiando, por isso, da recomendação, para qualuer feito, dos seus superiores.

    Depois —como também é sabido—, a admissão no funcionarismo público é tudo menos transparente. Os concursos e as promoções acontecem através de processos inquinados, com as vagas já preenchidas antes que os concursos aconteçam, fazendo, destes, meras figuras de estilo. Aliás, o processo é muito semelhante ao que contempla os “boys”.

    Não me parece que as coisas sejam tão negras, a não ser para os que têm vivido muito acima das suas possibilidades, e, pior ainda, sem disciplina a de trabalho. Dou um exemplo:

    Telefonei, há cerca, em 21 de Março, para o Museu Nacional de Soares dos Reis, fazendo o pedido de uma entrevista com a Directora. Do outro lado, propuseram-me que fizesse o pedido por e-mail.

    Eu já sabia o que iria acontecer… mas acedi, e fiz como me foi indicado. Até hoje, não recebi qualquer resposta. Sei, pela chegada do recibo, que a senhora leu o meu e-mail no mesmo dia, às 23,54.

    Entretanto, tendo em vista o mesmo projecto —supranacional—, escrevi para a Saatchi, a galeria inglesa, muito conhecida on line. Fi-lo no último Domingo, 3 de Abril, à noite… Bem!, Segunda-feira, 4, no dia seguinte, portanto, de manhã, às 9, 40, estavam a responder-me:

    Dear Rodrigo,

    Thank you for your email and your interest in the Saatchi Gallery.
    Your proposal is very interesting and we appreciate the time you have taken to put together this idea. Unfortunately, the Saatchi Gallery has got many exhibitions lined up for quite a while (you can view on our homepage http://www.saatchi-gallery.co.uk/ .
    We have a tight schedule of exhibitions therefore the chance to put into action your project isn’t possible.
    We wish you the best of luck with your artwork and any future projects.
    If you have any shows coming up, please feel free to send us an invite.

    Best wishes,

    Admin

    Como se pode ver, a resposta não é positiva, porque, positiva, é, já em si, a resposta.
    Devo acrescentar, ainda, que o projecto não tem, para mim, expectivas económicas; é, antes, a possibilidade de, no âmbito da Pintura, defender uma tese. Não pedi nem peço dinheiro para a sua concretização; peço, apenas, que uma estrutura com capacidade lhe dê corpo.

    É esta diferença de tratamento, logo à partida, que está na origem do ânimo, ou da sua falta, para o trabalho. Não é posível manter as pessoas interessadas e estimuladas para conceberem e darem corpo a projectos, se as instituições não respondem, por estarem enfeudadas à sua “clientela” ou, pior ainda, por não quererem ter trabalho. Como se pode ver, a crise não justifica tudo; não há crise que nos impeça de dar uma resposta. Há, a crise de princípios; a crise de interesse; o tédio a que as pessoas se habituam, porque o salário lhes chega sem esforço, fácil. Nenhum país se aguenta, com funcionários desta índole.

  2. O Rodrigo Costa mete-se com portugueses na expectativa de que lhe saia gente séria e idónea; provavelmente vai ao engano. Desengane-se!

    • Cro Dario Silva,

      Eu não vou ao engano nem alimento expectativas. Sou português há tempo suficiente para não me equivocar. O que faço é, apesar de tudo, dar o benefício da dúvida, para, quando chega a hora de eu falar, poder fazê-lo com conhecimento de causa… E porque há, tem de haver, portugueses sérios e idóneos, mas que, por uma razão ou por outra, não estão em lugares de decisão… Talvez, mesmo, por serem sérios e idóneos.

      Portugal definha não porque não tenha pessoas capazes, mas porque o terreno está pejado de perversos e de medíocres que atacam e se apossam, desalmadamente, de todos os espaços. Eu diria que Portugal corre o risco de desaparecer —ou desaparecerá mesmo— vitimado pela esperteza saloia.

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