para elisa

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 a minha neta.

 O Senhor leitor queira desculpar, mas torno, como esse a quem estimo, o meu amigo fraterno, Daniel Sampaio, a falar de netos. O motivo é simples, a vida é um eterno retorno. Não um retorno de uma alma[1] que vai embora e volta a aparecer noutro corpo, como acreditam muitas pessoas, especialmente os Kiriwina da Nova Guiné[2].

Para os que crêem em almas, é evidente. Não tenho essa sorte, pelo que sempre os meus descendentes estão perto de nós e dedicamos, como diz o meu sábio amigo, pelo menos, um dia da semana, para sermos avós a sério. Como? Como cronista quer neste blogue quer na imprensa escrita. Não é o caso de Elisa que, brevemente, vai ser irmã. Novo ser que é, ainda, um projecto de bebé em formação pelo amor e paixão dos seus pais, os

[1] Alma é um termo que deriva do latim anǐma, este refere-se ao princípio que dá movimento ao que é vivo, o que é animado ou o que faz mover. De anǐma, derivam diversas palavras tais como: animal (em latim, animalia), animador…

Filosófica e religiosamente definida como um ser independente da matéria e que sobrevive à morte do corpo, que se julga continuar viva podendo o seu destino ser a beatitude celestial ou o tormento eterno.

Segundo este ponto de vista, a morte é considerada como a passagem da alma para a vida eterna, no domínio espiritual.

A grande maioria das religiões, cristãs e não-cristãs, concorda em linhas gerais com esta definição. O conceito de uma alma imortal é muito antigo. De facto, as suas raízes remontam ao princípio da história humana.

[2] Na vida tribal dos Kiriwina, a magia possui uma função primordial, pois as actividades económicas a horticultura, a pequena caça, a pesca, a construção de canoas e as condições atmosféricas estão envoltas de magia.

A magia encontra-se muito difundida entre os nativos e um exemplo dessa “natureza geral” está na magia da horta que é realizada pelo towosi (mago da horta) e consiste numa série de ritos complexos e elaborados cada qual acompanhado de uma fórmula. Todos os ritos constituem uma estrutura onde se insere o trabalho hortícola., como diz Malinowski no seu texto de 1911: Baloma ou o espírito nas Ilhas Trobriand de Noca Guiné. Texto em:  http://carinafagiani.blogspot.com/2008/04/malinowski-baloma-os-espritos-dos.html

Elisa também é britânica. Entretanto, é a melhor sonata de Ludwig van Beethoven W 0 O 59, escrita para a mulher que amava, Elisa[3] ou Für Elise. Essa rapariga que já é amada, cuidada e tratada com todo o carinho pelo seus pais e avós, tal como o seu (futuro) irmão.

É dito que comemorar antes do tempo da nascença, dá azar. Será para os que têm espírito de fé, mas não para os que amamos desde o primeiro dia em que os quatro avós ficaram a saber que ia nascer, que devia nascer, uma outra pessoa descendente que nos deve perpetuar. Será de olhos azuis como o seu pai. De pele branca transparente, como a sua mãe. De paciência e devoção ilimitada para os outros seres humanos, como esses quatro avós. É já uma festa. Quando temos descendentes, nós, avós, respeitamos a criança e os seus afazeres. Enquanto está no seio da mãe, é o pai quem toma conta dela e da criança, com amor e dedicação. Com amor a esses pais que vivem as parte mais alegres da vida, essa doce espera.

[3] A partitura original ou autografada desta bagatela para piano foi presenteada, pelo compositor, a Therese em 24 de Abril de 1810 e esteve durante algum tempo em seu poder. A data está na partitura autografada, mas ao certo não se sabe se teria sido Beethoven quem a colocou lá ou se teriam sido outras pessoas. Portanto, é um dado discutível. Therese, por pensar que Beethoven não seria o seu melhor marido (pois Beethoven era muito autoritário e desorganizado), casou, mais tarde, em 1816, com o barão von Drosdick. Com o tempo, a partitura original extraviou-se. Por outro lado, também se sabe que, em 1822, Beethoven emendou o seu rascunho preliminar, guardado nos seus arquivos, para uma possível publicação e que, devido ao seu falecimento, não se chegou a realizar. Ou por erro do editor (de facto, a caligrafia caótica de Beethoven foi a causa principal de muitos erros nas primeiras edições das suas obras) ou para não se saber a quem esta peça foi dirigida e oferecida, isto é, para não se dar quaisquer pistas acerca do verdadeiro nome da senhora, ou seja, de Therese Malfatti, o certo é que a cópia da partitura autografa ou, se quisermos, a sua publicação póstuma (realizada pela primeira vez em 1867) tinha o nome ou, então, o pseudónimo alemão de «Für Elise» que, em português, é «Para Elisa». É evidente que não se trata de Elisa alguma, mas, sim, de Therese. Tudo indica que fosse um erro do editor.

Por outro lado, também sabemos que Maria Therese Brunsvik

(1775-1861), aristocrata de origem húngara possuia uma copía do manuscrito.

Raúl Iturra



Comments

  1. Filipa says:

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