Para onde vão os nossos impostos?

Compilo neste post alguns dados sobre a despesa do Estado.

Administrações Públicas: despesas por tipo , 1995 – 2010 Administrações Públicas: despesas por tipo , 1995 – 2010

Administrações Públicas: despesas por tipo , 1995 – 2010. Gráfico 1: 2010; Gráfico 2: evolução temporal
Fonte de Dados: INE–MFAP; Fonte:
PORDATA; Última actualização: 2011-04-06

A seguir, uma animação a mostrar a evolução do gráfico 1 no período 1995-2010:

despesa 1996-2010

As primeiras evidências são

  • As transferências correntes aumentaram continuamente
  • As despesas com pessoal estabilizaram em 2003

Donde parece se poder concluir que o actual problema da despesa já não se deve ao tamanho da administração pública. Mas o problema da despesa é uma realidade, como se pode ver nos gráficos seguintes.

Estado: stock da dívida directa Estado: stock da dívida directa em % do PIB

Gráfico 1: Estado: stock da dívida directa  Gráfico 2: Estado: stock da dívida directa em % do PIB
Fonte:
PORDATA

Em valor absoluto, a dívida directa do Estado tem aumentado continuamente e, a partir de 1996, até se observa uma curva de crescimento em forma exponencial. Já em função do PIB, há comportamentos variáveis neste período mas, novamente, de 2000 em diante, retomou o caminho crescente.

O que são transferências correntes?

Sendo as transferências correntes o item que mais cresceu, sem mesmo ter parado de crescer, no período 1995-2010, importa perceber o que inclui esta rubrica. De acordo com o Decreto-Lei Nº 26/2002 de 14 de Fevereiro, «entende-se por transferências correntes os recursos financeiros auferidos sem qualquer contrapartida, destinados ao financiamento de despesas correntes ou sem afectação preestabelecida.» Este mesmo decreto também explicita o que são despesas correntes (ver página 14  deste documento).

Leituras

Comments


  1. Mas se transferências correntes são financiamentos de despesas correntes. E se despesas correntes são:

    »Despesas com o pessoal».
    «Aquisição de bens e serviços».
    «Juros e outros encargos».
    «Transferências correntes».
    «Subsídios».
    «Outras despesas correntes».
    «Aquisição de bens de capital».
    «Transferências de capital».
    «Activos financeiros».
    «Passivos financeiros».
    «Outras despesas de capital».
    «Operações extra-orçamentai>

    Isto não significa que o estado está a engoradar astronómicamente mas atravês da criação de entidades, direcções, institutos e etc?

    • jorge fliscorno says:

      Será uma leitura possivel, parece-me. Há um aspecto que não percebi bem nos dados da PORDATA. Neles, a despesa com pessoal tem uma rúbrica própria mas as transferências correntes incluem despesas com pessoal. Não sei como conciliar estes dois dados.

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