A doença

a doença

Há quem pense que estar doente é o sal da vida: não é preciso trabalhar, por baixa não prolongada, as entradas salariais não diminuem, as queixas de não se estar bem elevam a piedade dos outros, até ao dia em que, por ser prolongada, a piedade acaba dando lugar ao cansaço e é-se enterrado em vida. Fica-se só e sem albergue, sem pessoa que acuda, separado dos outros porque a perturbação mental ou corporal, não lhes é agradável, apesar de se querer ter amigos que acompanhem e aprendam a andar a passo lento, esse que a doença permite. A vida segue o seu curso, as pessoas passeiam e fica-se em casa à espera, à espera da mão que nos resgate da solidão das solidões: de se ser um ser à parte e ser uma perturbação para os outros.

Enfermidades há muitas, todas passíveis de cura. Excepto a que leva à morte. Doenças de que se foge mais rápido pelo silêncio que acorda em nós o ser humanos que, em certo dia, acabará por não estar connosco. É mais simples habituar-se à distância antes de esta ser eterna. Eis o motivo que leva todo o ser humano a entrar calado e a sair mudo da presença do doente: não se sabe o que dizer, foge-se dos sentimentos e da companhia do próximo cadáver. Está-se tão habituado à sua presença, que é melhor se habituar-se a essa eterna distância antes que a materialidade da vida faça realidade o que se teme.

Não falo de forma simples. Falo, por precisar. Ainda hoje, tive um diagnóstico que me espantara. Pensava eu, estar curado das minhas doenças, e acaba por não ser assim. É a desilusão das ilusões. Volta tudo à fase inicial: começar a preparação do corpo para o dia anunciado, dias intermináveis que desejamos passem depressa, devido à nossa imobilidade em relação aos passeios e divertimento com os outros. Inventamos ritos e dizemos que estamos sempre bem, apenas muito ocupados com os nossos trabalhos.

O amor acaba. Era divertido guiar, namorar, seduzir e sermos acarinhados.

Integorro-me, melhoria para quê? Quem já foi enterrado em vida, falta-lhe apenas ser sepultado para a eternidade.

Sim senhor, sim senhor! Estou farto dos interesses de desconhecidos, e do abandono ao mais mínimo pretexto a que somos condenados, e tempos de cólera raiva e não dessa raiva de bactérias que nos mata minuto a minuto.

Sim senhor, viver para a solidão, apenas os nobres da Cartuja de Parma essa narrativa de Standhal.  Stendhal foi editado pela: Globo Editora , na categoria Literatura Estrangeira / Romance

“A Cartuxa de Parma” é considerado um dos maiores romances do escritor francês Stendhal. Narra as aventuras amorosas vividas pelo protagonista na Itália da era napoleónica. O livro é uma apologia da liberdade de espírito e da leveza, do ímpeto e da energia individuais, que Stendhal identifica na ensolarada Itália. O romance é considerado por muitos críticos literários como um romance análogo ao O Príncipe de Maquiavel (Século XVI), mas retratando a Itália do século XIX. A criação de A Cartuxa de Parma foi, em muito, inspirada em leituras de documentos sobre famílias antigas da Itália, como a família Farnese, que Stendhal teve acesso em suas inúmeras passagens pela Itália, como cônsul. O Romance tem como protagonista Fabrício Del Dongo, um jovem aventureiro, de família nobre e de poucas ambições. Assim como Julien Sorel, protagonista de O Vermelho e o Negro, Fabrício é admirador de Napoleão e essa admiração constitui um dos aspectos sócio – históricos apresentados na obra, pois mostra uma Itália que sofre as consequências sociais da restauração da monarquia em territórios que pertenceram anteriormente ao Império Napoleônico, como os territórios do Piemonte. É a corrida de amores de Fabrizio, o que faz dele um homem solitário, porém doente.

Penso que é tudo. A doença, é a morte em vida.

Excepto acrescentar que Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal (Grenoble, 23 de Janeiro de 1783Paris, 23 de Março de 1842) foi um escritor francês reputado pela fineza na análise dos sentimentos das suas personagens e pelo seu estilo deliberadamente seco.

Doente, porém…

Giacomo Puccini Madame Buterfly Un bel dia viendó Callas 

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