A Procissão

Da capela da Senhora das Candeias à igreja de Tadim, esta noite.

O relatório das PPP (I)

PPP lançadas entre 1985-2010
PPP- 1985-2010

PPP lançadas por governos PS
PPP lançadas por governos PS

PPP lançadas por governos PSD
PPP lançadas por governos PSD

Por não terem sido divulgados os respectivos valores, faltam nestas tabelas o valor de 10 PPP lançadas em governos PS e de 8 lançadas em governos PSD.  A contagem está, porém, correcta.

Fonte: Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, Relatório PPP, Julho 2010

É fala comum dizer-se que PS e PSD são duas faces da mesma moeda, o que tem constituído uma forma de marketing político do PS (“se somos a mesma coisa e os outros estão impreparados, mais vale apostarem em nós” ) e do PCP e do BE (“votem em nós, deles já sabem o que esperar”).

Mas será que assim é de facto?

Como se sabe, estamos na bancarrota e ainda no passado mês quase que não houve dinheiro para pagar salários. Como é que aqui chegámos? Porque ao longo de décadas gastámos mais do que produzimos. Mas esta constatação ainda não é a resposta completa, já que é preciso olhar para a razão de se ter gasto este dinheiro. Para isso importa compreender como se têm ganho eleições neste país e, aqui, entram as obras públicas. Desde Cavaco Silva, não houve eleição onde não se prometesse mais obras públicas. Se nos governos Cavaco Silva houve fartura de dinheiro comunitário, já a partir de Guterres começou a torneira dos dinheiros europeus a fechar-se, pelo que se começou a fazer obra a crédito. Os eleitores foram dando vitórias à obra feita sem olhar à factura. Hoje queixam-se do FMI mas este não estaria cá se o país não tivesse contraído as dívidas que contraiu.

As responsabilidades por estarmos na banca rota não iguais, bastando olhar para a quantidade de obra feita sem dinheiro para tal. Dizer que são todos iguais é passar uma esponja nas irresponsáveis nódoas de governação que têm sido cometidas.

Ódios?!

sondagem da Intercampus para PÚBLICO e TVIO spin master da actualidade pretende lançar na arena mediática a ideia de que quem se opõe à sua visão de governação o faz por ódio. Por ódio?! Será que correr para fazer empréstimos a juros exorbitantes para conseguir pagar salários tem algo a ver com ódio? 36.8% dos sondados parecem concordar com esta abordagem. Pois que tenham o que merecem. Só lamento que a minha carteira tenha que contribuir para estes desvairos (como este da Parque Escolar , só para citar um).

Depois do FMI nunca, chegou a reestruturação jamais

Não se compreende portanto que alguém, fingindo-se muito indignado, possa dizer alto e bom som – “reestruturação jamais” – sem corar de vergonha. Se uma coisa é certa – e acerca dela nem sequer há divergências entre economistas de esquerda e de direita – é que com estas perspectivas de recessão e estas taxas de juro, a dívida das periferias não é pagável. É matemático: a dívida explodiria.

(…)

Na realidade, o que se passa é que alguém anda a querer ganhar tempo. Tempo para quê? Talvez para limpar dos balanços dos bancos o lixo tóxico (títulos de dívida pública e privada grega, irlandesa e portuguesa). Alguém anda a querer “repatriar” a dívida para que o “corte de cabelo” quando vier não o afecte. O tempo que esse alguém anda ganhar, para nós é tempo perdido. O que estão á espera para articular posições com a Grécia, a Irlanda e a Espanha (e outras vozes razoaveis na UE)? Ainda acham que podemos ser contaminados por algum virus mediterranico?

A ler: Reestruturação, jamais? José M. Castro Caldas.

Também para memória futura.

Capitalismo à portuguesa

A reportagem da TVI – Portagens nas Scut ruinosas para o Estado é um edificante exemplo do empreendedorismo nacional. Encostadinhos ao estado, sem riscos, vivendo de rendas. Passeando-se entre o governo e os negócios. Sempre foi assim. São os Donos de Portugal.

Mais uma sondagem, mais uma corrida, mais uma viagem

As empresas de sondagens devem esfregar as mãos de contentes. Nos últimos dias ele é sondagem dia sim, dia não.

Alguns dados são mais ou menos idênticos entre as sondagens recentes, outros variam de empresa para empresa, de dia para dia. Vejamos: umas vezes com o PSD na frente, outras com o PS, a diferença entre os dois partidos tem sido mínima, dentro daquilo a que se chama empate técnico. O CDS sobe e vai precisar de mais táxis. A CDU mantém a constância a que se habituou e o BE arrisca-se a ser [Read more…]

será que a fé de Fátima nos salva desta falência?


Ave Maria de Fátima

…o meu protesto…

É bem sabido que não sou um homem de fé, nem ateu nem agnóstico, que é já um sentimento de acreditar na eternidade como uma forma de vida de outro mundo. Bem como sabemos que não há sociedade que não tenho sentimentos religiosos ou um sistema de venerar uma divindade, que não se vê, mas que está em todas partes.
O melhor exemplo é o Buda do Nepal, que não apenas acredita na divindade, bem como na reencarnação e vivem assim em paz com todos os seres humanos ou animais, que acabam por ser também humanos e diversas etapas de desenvolvimento para a perfeição
O Dalai Lama, é o melhor exemplo dessa procura. Ou a etnia Massim do Arquipélago da Kiriwina, ma Oceânia da Melanésia, seres humanos que alimentam aos seus mortos, por meio da alma comum, denominada Baloma. Ou a divindade Pillán dos Mapuche do Chile, entidade sagrada que leva todos os domingos a almoçar com os seus defuntos, no cemitério local. Em criança, assisti ao velório de uma Picunche, membro do clã [Read more…]

Fátima: O regresso a casa


Num destes dias em que Portugal mais parecia um país oficialmente católico, tantas foram as horas de transmissão em directo de Fátima, vi imagens de arquivo da Irmã Lúcia, a maior inutilidade que o nosso país já conheceu. Não por culpa dela, entenda-se: enfiaram-na num convento e ali ficou em clausura durante mais de 60 anos sem produzir nada de louvável para a sociedade.
Terminadas as cerimónias de Fátima, milhares de peregrinos preparam hoje o regresso a casa. Para o ano, lá estarão de novo. Não chegando a perceber que embarcaram na maior patranha que a história da Igreja Católica já produziu.

Catenária

Linha de Évora, Abril 2011.

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo IV

Capítulo IV

Vejo e não entendo, pergunto e não sabes. O processo de aprendizagem

Tu fazes, eu observo

Quando falava deste tema a um conjunto de antropólogos de outro país, um deles disse: “o professor pensa que os pequenos são como Kant, racionais; mas os pequenos, se alguma coisa os caracteriza, são serem ignorantes e terem de obedecer ao que nós, os pais, mandamos.” Calei-me. Não quis responder ao dito académico que de certeza ama o seu pequeno, mas não lhe consegue atribuir mais conhecimento e saber que o que ele tem adquirido no seu doutoramento universitário. Que o pequeno não tenha aprendido [Read more…]

Obrigado J. Mário Teixeira:

Julgo não estar a cometer nenhuma inconfidência: quando o aventador J. Mário Teixeira, amigo de longa data e de memoráveis tertúlias, me solicitou uma pequena ajuda na campanha para a reeleição de Marinho e Pinto como Bastonário da Ordem dos Advogados, imediatamente aceitei.

Não sendo advogado não deixo de ser um espectador do que se passa à minha volta. A solicitação do Zé Mário entroncava em dois motivos óbvios justificadores da minha decisão: a velha amizade com o Zé Mário e a minha admiração por Marinho e Pinto. A frontalidade é algo que admiro numa pessoa. A forma clara e sem papas na língua como transmite as suas ideias e a coragem da sua postura pública, aliadas à dita frontalidade, fazem de Marinho e Pinto alguém que sempre gostei de ouvir e que genuinamente admiro – o que não impede discordância em determinados momentos ou temas.

Por isso, confesso, estava ansioso por ouvir Marinho e Pinto sobre a famosa sentença da vergonha. Tal como esperava, ele foi igual a si próprio, frontal e claro:

O bastonário da Ordem dos Advogados , António Marinho Pinto, diz que esta decisão “se enquadra na melhor tradição jurisprudencial do macho ibérico”.

Meu caro José Mário Teixeira, algum tempo já passou sobre a reeleição de Marinho e Pinto. Digo agora aquilo que na altura indirectamente te disse e faço-o agora desta forma pública: obrigado por me teres permitido ajudar, de forma minúscula, na campanha de Marinho e Pinto. É uma espécie de medalha ter estado do lado certo da barricada e hoje, ao ler o i, mais certeza tive.

A alguns amigos e, sobretudo, a alguns “camaradas ideológicos” que ficaram absolutamente surpreendidos (um ou outro indignados) pela minha modesta colaboração, só lhes posso dizer que é por esta e por outras de igual calibre que admiro Marinho e Pinto e que tomaria, novamente, a mesma decisão. Não julgo as pessoas por serem de direita ou de esquerda, mas por serem, ao longo da sua vida, bons exemplos a seguir. É o caso.

Obrigado Zé Mário.