Educação: a diferença entre PS e PSD está sobretudo no D

As propostas contidas no programa do PSD já foram analisadas pelo Paulo Guinote em vários textos, hoje. Também o Paulo Prudêncio já deu a sua judiciosa opinião. O Rui Correia usa aqui a clarividência do costume.

Uma vez que o PSD é, ao que parece, um dos dois partidos que poderá vir a formar governo, impõe-se, também na Educação, procurar descobrir as diferenças entre a prática do PS e as propostas do PSD. Ora, a verdade é que, numa primeira leitura, há pontos comuns, pela negativa, como se pode notar neste texto do Público.

Assim, limito-me, para já, a confirmar:

– a tendência para o cercear da democraticidade nas escolas, mesmo que o discurso programático vá no sentido contrário, tal como acontece no discurso do PS (Maria de Lurdes Rodrigues chegou a defender que o fim da escolha dos directores pela maioria da escola era um aumento de democraticidade);

– a continuidade na criação de mega-agrupamentos, numa lógica puramente economicista, confundindo-se contabilidade com gestão e contrariando ideias sensatas;

– a insistência na participação excessiva das autarquias e da sociedade civil, o que, na realidade, concede demasiados poderes a leigos e abre as portas das escolas às pequenas politiquices locais;

– a perversão do que é fundamental em Educação, através da implantação de metas de aprendizagens;

Seja como for, é evidente que todos os que se interessam por Educação (tema que abrange, também, os problemas da condição docente) deverão analisar com pormenor as propostas daqueles que poderão vir a governar o país, mas as primeiras impressões levam-me a entrever que o caminho que começa a ser trilhado não vai em direcção a melhorias, vai em direcção ao PS.

Jamais a RTP desceu tanto…

-Há apenas alguns dias, escrevi um post, questionando se a transmissão do casamento do herdeiro da coroa britânica, seria serviço público. Quando eu pensava que era impossível à RTP descer mais baixo, eis que a deficitária estação pública de televisão, resolve entrar no mercado dos reality show. Esteve bem Miguel Guilherme logo a abrir o programa, afirmando que este seria o primeiro reality show pago pelo contribuinte. A parte do serviço público deve ser terem ido resgatar ao desemprego Luís Pereira de Sousa… Se a RTP fosse uma televisão privada, mudava de canal e assunto encerrado, mas pensar que um cêntimo sequer dos meus impostos serve para isto, deixa-me indignado, enquanto cidadão.  Privatização já!

Tudo o que os finlandeses não querem nem precisam saber sobre Portugal.

Estou em crer que os Finlandeses se estão a marimbar para Portugal. Como, aliás, a maioria dos portugueses. Há muito tempo que os autóctones deixaram de gostar do país, dos governantes, das instituições e de si próprios. Somos, com certeza, um dos países com a menor auto-estima da Europa. Ou mesmo do mundo. Em nações mais pequenas, mais miseráveis e mais periféricas luta-se pela manutenção da independência. Por cá, entregaríamos de bandeja o território à Espanha, abdicarímos em qualquer momento da nossa cultura e venderíamos (vendemos) o nosso património a quem der mais. De resto, já nos entregámos de corpo e alma a políticos ávidos. Há 37 anos que os barões de dois partidos repartem entre si os despojos de um navio que só não naufraga porque depois não haveria o que saquear.
Um país onde uma maioria  ainda cospe para o chão, onde certos indivíduos constroem a casa maior do que a do vizinho apenas por vaidade, que desrespeitam todas as regras elementares da sã convivência e ainda se gabam disso é um triste exemplo da falta de amor-próprio. Os psicólogos o explicarão melhor, mas quem não gosta de si, dificilmente terá força e vontade para singrar, para vencer desafios ou para produzir o que quer que seja.
Depois, um país onde as pessoas consideram a corrupção como um salutar e normal truque para ultrapassar a legalidade e contornar obrigações sociais elementares (como respeitar o mérito) diz muito sobre a forma como nos vemos ao espelho. Somos, aliás, os primeiros a dizer mal de nós, a rebaixarmo-nos e a reprovarmo-nos perante o Outro. Somos capazes de fazer graças com todos os assuntos, por mais tétricos ou vulgares que sejam, como se o humor fosse um lenitivo. E é, de facto. Enquanto rimos, esquecemos que a maioria da população se divide entre uma pequena elite pedante, um conjunto de aspirantes (os doutores) e uma vasta massa de iletrados, cuja ambição maior é a de que o seu clube de futebol some vitórias. Enquanto os nossos humoristas ridicularizam os governantes, desculpabilizam a gravidade dos seus actos, transformados em burlescos gracejos que se esquecem com uma risada.
Dirão: mas cada uma destas enunciações são chavões comuns a muitos paises. É certo, por exemplo, que um país como a Finlândia terá os seus maus políticos, os seus ladrões e os seus santos, os seus reality-show e público que os aplauda.
Mas esse país, tão novo, sem o peso dos 800 anos de história, sem praias nem sol, sem ter inventado a via verde ou sequer ter levado novos mundos ao mundo, não está na bancarrota, nem precisa de convencer o mundo que, apesar da desgraça, já foi grande. Efectivamente já fomos grandes. Mas tudo isso que interessa, quando hoje somos pequenos – pequenos territorialmente e pequenos geopolíticamente?
Olhando para o gráfico acima, que assinala já a vitória a um, ou ambos, dos/os responsáveis pelo estado em que estamos, nem vale a pena questionar a democracia, nem a sua validade num país mal habituado a liberalidades. Apenas perguntar: mediante aqueles valores, e o estado em que nos encontramos, valerá a pena voltarmos a ser grandes se sendo pequenos já nos infligimos tão grande mal?

Programa Eleitoral do PSD:

Podem ler AQUI toda a documentação oficial já publicada pelo PSD no tocante ao seu Programa Eleitoral.

Agora façam lá um vídeo para os ingleses

O vídeo What The Fins Need To Know About Portugal que o FMS aqui publicou é sem dúvida excelente. Sucede que além da Finlândia estar com pouca vontade de financiar os nossos banqueiros, agora temos a velha “aliada”:

O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse hoje que o Reino Unido está relutante quanto a ajudar financeiramente Portugal in Público

O político conservador afirmou mesmo que se o Reino Unido participar no resgate a Portugal será “a resmungar” já que nunca se comprometeu com essa ajuda. I

Querem um desenho?

Façam lá um vídeo para os ingleses, mas tirem aquela tolice de termos abolido a escravatura no séc. XVIII, na prática só o fizemos no séc. XIX e por pressão da Inglaterra que se tinha deixado dessas coisas.

Temos é uns números muito jeitosos de financiamento da Revolução Industrial britânica, em particular a curiosidade de em todo o séc. XVIII só num ano não ter havido mais navios ingleses do que portugueses nos nossos portos, fora o contrabando.

Mas a pérfida Albion quer lá saber da História. Já agora, àqueles que agora choram pela falta de solidariedade europeia, pergunto o que disseram quando contribuímos para o pacote de financiamento (na prática de enterramento, é certo) à Grécia. Estas coisas googlam-se, e têm por vezes muita piada.

Os três tristes e os Homens da Luta


– Não é uma canção para representar Portugal na Eurovisão – afirma o Calvário.

– A RTP devia “enviar canções com um cariz mais étnico” – tossica o Cid.

– Onde é que estão os poetas e os músicos do meu país? – pergunta a Oliveira, Simone.

Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Três representantes do nacional-cançonetismo* (enfim, o José Cid nem tanto) aflitos só pode ser bom sinal. A Luta é Alegria. No ano de Portugal na UEFA, vamos ver se a inteligência repete o feito na Eurovisão.

Circo já temos, e pão não vai haver. Siga para bingo.

* Nacional-cançonetismo, expressão consagrada na década de 70 para designar o que hoje chamamos pimba.

IURSócrates em acção:

Marco António Costa (vice-Presidente do PSD): “O PS e o seu governo são um Titanic na política portuguesa

O PSD que acaba com o SNS, afirma e reafirma o evangelista José Sócrates. Uma mentira mil vezes repetida….tenta e tenta e tenta. A seguir vai dizer que o PSD quer acabar com o sistema de justiça prejudicando os pobres. E que a seguir o PSD vai acabar com a primeira liga e logo depois com o sistema político democrático e com a europa e proibir a final da liga europa com clubes portugueses e a venda da bimby e……

Programa do PSD / Legislativas 2011:

Redução do número de deputados dos actuais 230 para 181;

Reduzir o número de entradas na Função Pública: entra um funcionário por cada cinco que saiam;

Fim dos Governos Civis;

Redução de 50% no número de assessores;

Diminuir para máximo de três o número de administradores em empresas do Estado;

Redução de quatro pontos percentuais na Taxa Social Única (superior no caso das empresas exportadoras);

Obrigatoriedade de o Tribunal de Contas fazer uma avaliação de todos os organismos que recebem dinheiros públicos;

Criação um gabinete de apoio junto dos juízes e sentenças simplificadas para crimes menos graves;

Em actualização Aqui, Aqui e Aqui.

Não chacotem o Ricardo Rodrigues,…

…Deputado da Nação, ou podem ficar sem um gravadorzinho e levar um processo em tribunal.

Ando a pensar desviar (surripiar, aliviar, abafar, aligeirar) um leitãozinho à moda da Bairrada, daqueles com muito molho à base de pimenta e especiarias. Se ficar com hemorróidas ou, até, se sentir o cólon irritado -coisa que, como se sabe, enxovalha, envergonha, embaraça e constringe- processo o sítio desviado.

Comigo não chacotam.

Quando muito, dada a natureza das coisas, chacoalham.

A caminho de Dublin (faltam 10 dias)

Estátua de Molly Malone junto à Grafton Street


Um dos maiores símbolos de Dublin é Molly Malone, com diversas estátuas e painéis evocativos por toda a cidade.
Molly Malone foi uma peixeira do século XVII, com banca instalada no centro de Dublin. Era conhecida de toda a população pela sua jovialidade e pela alegria contagiante que demonstrava. Morreu muito jovem, com uma febre alta que não se conseguiu debelar, em 13 de Junho de 1699.
Apesar de a sua existência ser mais lendária do que verídica, a Câmara de Dublin não hesitou, durante as comemorações do primeiro Milénio da cidade, em 1988, em oficializar 13 de Junho como o «Molly Malone Day».
Quanto à canção,foi registada pela primeira vez em 1883 em Cambridge. Alguns autores associam a sua origem a uma antiga canção folclórica, outros autores fazem recuar as suas origens até 1790, ano em que aparece uma música com o verso «sweet Molly Malone». Das versões mais recentes, destaque para as que foram assinadas pelos míticos Dubliners e por Sinead O’Connor.

Letra completa:
In Dublin’s fair city,
Where the girls are so pretty,
I first set my eyes on sweet Molly Malone, [Read more…]

Dicionário do futebolês – “fair-play” e desportivismo

Mesmo os desconhecedores da língua inglesa usam correntemente este termo. Julgo que, se fosse pedido a algum que indicasse um significado, poucos se lembrariam de ‘desportivismo’, por exemplo. Já nos meus tempos de petiz, estava habituado a ouvir dizer ofessaide e não foi fácil habituar-me a perceber que era o mesmo que fora-de-jogo.

Trata-se de uma expressão ligada à ética. Ora, todos sabemos que a ética, na futebolândia, é como as sondagens: vale o que vale. Se for em nosso benefício, está certa; se servir o adversário, é um corpo estranho, entre o vírus e a bactéria.

O desportivismo é, de qualquer modo, algo que os nossos adversários nunca conseguem alcançar, porque são uma gente mal formada, sem educação, incapazes de um gesto de, lá está!, fair-play. É isso, aliás, que serve para explicar por que razão é que, por vezes (muito raramente, claro), também somos forçados a não praticar o fair-play: como os nossos oponentes são, sem excepção, uns facínoras da pior espécie, torna-se necessário ignorar a ética por razões estritas de sobrevivência no meio dessa selva onde é tão difícil ser-se bem-intencionado.

É por isso que um desarme de um jogador de outra equipa será sempre violentíssimo e um pontapé na cabeça de um adversário desferido por um dos nossos não passa de uma acção compreensível, porque, provavelmente, já tinha havido provocações num jogo qualquer da oitava jornada de há três anos.

Quantos jogadores seriam capazes de fazer o que faz Di Canio no vídeo que se segue?

 

 

las calles (ruas) narran

las calles narran

…para mi joven hermana, Dra. Blanquita Iturra de Toro…psicoanalista

 Fue apenas una casualidad. La calle de aldea que muestro, es más un adorno que una casualidad, a pesar de corresponder a esquinas de las calles de la quinta en que vivíamos en Santiago de Chile. Un barrio antiguo, con una quinta rodeada de calles que tenían historia. La propia calle de la quinta, tenía una historia. No era por acaso que se

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Cartas a Sócrates – [5]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Temor, amor, é o que sinto despojada de ti, é não saber de que são feitas as tuas lágrimas ou se choras ou em que pensas quando adormeces ou se ris quando estás só.

 Temor, amor, é tudo o que desconheço e o que desconheço, bem sabes, és também tu (amor).

Amor, se eu te conhecesse, conheceria também os teus segredos, os teus anseios, os teus receios, um mundo só teu devastado – não, não é importante conhecer, nem conhecer-te para saber que o mundo e tu são admiravelmente mais belos e desejáveis: desconhecidos, adivinháveis.

PS.: #ILoveSocrates deeply 🙂

Publicado no F-Se! 


Cartas a Sócrates – [4]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Sei apenas, amor, que o tempo pára imóvel e o espaço abre em lume a tua presença, quando – só – amor, espero esse lume, nada mais.

Mas, é com um cuidado atento que desço uma máscara, amor, indiferente, enquanto a vida cresce subitamente mais plena e alimenta a sede de apenas diante de ti ser, também, esse lume.

E não é raro – obrigada –, amor, ter de desviar os olhos ou inclinar o corpo para longe.

Como queima esse lume?! E como irrompe graciosa a vida nesse lume interiormente, dentro, cada vez mais fundo removendo a escuridão e o terror, amor.

E tu? amor – bem sabes que não espero nada, nada mais, e que nada tenho senão o lume.

PS.: #ILoveSocrates much more 🙂

Publicado no F-Se! 

Cartas a Sócrates – [3]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Acordo, amor, sem urgência para que a noite caia novamente.
E o dia começa a doer enquanto aguardo impotente que passes
desprendido e dos teus lábios a voz se forme som disparado de
encontro a mim, amor.
Aí, amor, um novo acordar eclode iluminando o obscuro receio
de já não me reconheceres ou de que me comeces a amar,
também, obscuramente, desastrado e débil, amor, face aos
momentos sem distância separando-nos.
E delicadamente revisitados (amor), esses momentos, seriam
adormecidos sem urgência de acordar dolentemente para um
novo dia em que aguardarias que passasse e a minha voz
formasse nos meus lábios um som disparado de encontro a ti
amor, iluminando-te, sem precipitação e sem receio.

PS.: #IloveSocrates 🙂

Publicado no F-Se! 

Cartas a Sócrates – [2]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando saio, amor, à tua procura, é um mundo visivelmente
 novo que anseio. (Só tu me retiras do meu recolhimento e me
abres secretamente o desconhecido.). Saio todos os dias e todas
as noites, amor, sabendo que não me procuras, que não sentes a
privação nos meus gestos desastrados e incorruptos: à tua
procura. Não pressentes a minha voz, amor, somente delicada
para ti? Não, não reparas nem ouves os meus apelos
definhando tímidos, enfraquecendo à tua mercê, amor? Porque
não me procuras, amor?, eu que me abandonei e abandono
todos os dias e todas as noites para te encontrar diante de mim
abandonado à minha procura, procurando, procurando
inevitáveis amor.
Porquê amor? É forçoso que esta procura seja apenas

docemente desesperada e perdida enquanto saio todos os dias e
todas as noites não sabendo nunca que mundo desconhecido
anseias? Porquê, amor, desconheço?


PS.: #ILoveSocrates + 🙂

Publicado no F-Se!

Cartas a Sócrates – [1]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Acontece anoitecer, amor, sem suspeita aos teus olhos –
o meu corpo peregrino vai tombando no seu caminho: solitário,

triste e vazio, como vazios, tristes e solitários ficam os meus
olhos exilados do teu aparecer. E apenas a chuva generosa
o reconforta, amor, de sucumbir distante e inacontecido. Essa
água abundante é a única presença toldando e embriagando,
quando já sem forças regresso, lentamente, sem querer revisitar
os acontecimentos de mais um dia inútil e gasto à espera do
possível (des)embaraço. E açulada pela minha fraqueza, amor,
acontece anoitecer amortecendo para fugir ou para reter o que é
possível. Como se fosse possível saberes ou adivinhares que
anoiteço com uma mordaça que me impede de dizer tudo o que
poderia acontecer se doente não estivesse (amor), se em tudo
pudesse ser diferente ao teu lado, anoitecendo em silêncio. O
silêncio à tua volta – voltada do avesso para acontecer,
anoitecer amor junto a ti.


PS.: #ILoveSocrates 🙂

*Publicado no F-Se!

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