E outro, para a colecção…

O blogue da cultura socialista

blogue da cultura socialistaQuem passe pelo Portal do Governo poderá facilmente ficar com a impressão de estar a visitar o blog de uma secção distrital do PS, tal é o nível de propaganda socialista que ele contém. O que não surpreende, pois o dinheiro «é do Estado, é do PS do Governo Socialista».

Agora outra coisa é, factualmente, o blog oficial do Ministério da Cultura divulgar o programa eleitoral socialista. Isto é uso de dinheiro público para propaganda sem sequer existir a preocupação de fazer de conta que se trata de actividade governativa (vide, por exemplo, as Novas Oportunidades).

via esquerda.net

Mas é um actor ou um governante que vamos eleger?

imageO Sócrates é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que nunca sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele não teve,
Mas todas as que ele não tem.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a ilusão,
Esse comboio de corda
Que se chama eleição.

 

* resultado de se estragar o poema Autopsicografia de Fernando Pessoa

Também sou Português, Para Além de Portista

Com orgulho escrevi ontem sobre a vitória do FC Porto na Liga Europa e também sobre a magnífica equipa do SP Braga.
Para não estragar a festa (a minha) não me quis debruçar sobre os aspectos que me surpreenderam e dos quais não gostei.
Aconteceu no fim do jogo.
Já o árbrito tinha apitado para o fim do encontro e todos os elementos afectos ao FC Porto festejavam, quando acabou por acontecer o, para mim, impensável.
Os jogadores do SP Braga subiram as escadas para, um a um, receberem a medalha de finalista vencido. Apesar de tudo com um sorriso nos lábios, os jogadores do Braga lá foram receber a medalha, inchados com a  sua presença numa final europeia. Eles todos, vestidos com o seu equipamento amarelo de que se sentiam naturalmente orgulhosos. [Read more…]

Rocío

E enquanto George Bailey corre a cidade em desespero, e Rocío se encolhe no sofá, reconfortada na sua tristeza, eu penso como seria o dia de hoje na rua Preciados se Rocío nunca tivesse nascido, se não houvesse esta tarde em que coincidimos nos grandes armazéns e eu a deixei fugir para sempre sem saber que a inventei.

ler nas cousas lindas que a Carla Romualdo continua a escrever.

São cravos, senhor, são cravos. E apodrecem.

A única coisa que me atrai nas revoluções, é a carga anímica. É o romantismo! É o imaginar que o colectivo tudo consegue, quando sai à rua! Vejo o Maio de 68, os combates nas ruas de Paris, os estudantes e aquela bela aristocrata francesa (a Caroline de Bendern) encavalitada, envergando a bandeira da libertação. E sonho com revoluções diárias, com o uso daquela extraordinária força para, todos os dias e todas as horas, construirmos um mundo melhor, mais justo e mais solidário. Infelizmente, uma multidão tão facilmente usa os punhos para depor governos, como para linchar “criminosos”. E o romantismo acaba aqui. Pior, só sai à rua por egoísmo, quando se acaba o emprego, tem fome ou lhe falta dinheiro para comprar o novo modelo de telemóvel. As revoluções são como os cravos que estão outra vez em moda: ou se plantam num vaso e se regam ou, cortados, murcham, apodrecem e deixam de ser importantes.

Dominique Strauss-Kahn e a empregada de hotel

Ainda não escrevi uma linha sobre o caso Stauss Kahn e não é hoje que o vou fazer, do ponto de vista da culpabilidade ou inocência deste. De resto, nunca me pronunciei sobre casos em julgamento e, para mim, todos são inocentes até prova em contrário.

Admito que alguém como DSK, pelo lugar que ocupa e pelas ambições políticas que tem (ou tinha), seja alvo de uma cabala que vise a sua destruição. Também não ignoro a sua fama pública de conquistador nem o facto de, como li algures, haver mulheres jornalistas que se negavam a entrevistá-lo a sós.

Significativo, parece-me, é o facto da defesa de DSK ter passado rapidamente de uma alegação de inocência absoluta a uma argumentação que envolve sexo consentido, mas apenas após recolha de ADN e confrontação com alegadas “provas forenses”.

Ainda assim, e mantendo a presunção de inocência, esta notícia não deixa de ser perturbadora; quando a defesa de um dos homens mais poderosos do mundo se prepara para arrasar a credibilidade de uma simples empregada de hotel, consegue-o, de uma forma ou de outra, quanto mais não seja por questões de status, vizinhança e relacionamentos pessoais.

A estratégia é natural e conhecida: se, numa questão de consentimento ou não consentimento, a alegada vítima não for credível, provavelmente estará a mentir.

Resta saber se a justiça americana se consegue colocar acima de preconceitos deste tipo e se tudo não se resumirá a uma luta entre David e Golias. É que, generalizando, um qualquer indivíduo pode simultâneamente ser não credível e vítima. E ter razão na acusação, portanto.

E se privatizássemos a ideia de Ministério da Cultura?

 

 O ministério da Cultura é, como todos os outros, apenas a extensão de um governo. Independentemente de quem está à cabeça, se existe ou não, não passa de uma filial político-partidária. É certo que existiram consulados ministeriais mais activos do que outros. O de Manuel Maria Carrilho, apesar de muitas críticas, conseguiu dinamizar a  cultura pública e os seus múltiplos organismos. Mas por muito que se discuta, discute-se o irrisório, a banalidade. Gabriela Canavilhas desfila pelos salões, sorri, distribui gracejos. Umas pianadas. Talvez isso faça dela uma excelente ministra: o existir, apenas. Como até há bem pouco, o ser-se directora de Museu, para cujas habilitações concorriam, em primeiro lugar, aquelas damas que sabiam tocar piano e falar francês, Canavilhas encarna o papel na perfeição. O resto são fait-divers. O Ministério da Cultura é, antes de mais, a sopa dos pobres: para quem circula lá dentro como cliente de um partido ou, cá fora, dos artistas que aceitam todo o tipo de subsídios, desde que isso os mantenha a trabalhar. O MC não passa de uma extensão da Segurança Social.
E, por isso é que se discute uma banalidade: para quê tanta tinta sobre se irá existir, ou não, um Ministério da Cultura, se tudo o que se passa neste Ministério é, isso sim, e no mínimo discutível?
Por que não privatizar a ideia do Ministério? Por que não, traçar uma estratégia de verdadeira dinâmica nas extensões que dele dependem? Conferir estatuto de verdadeira independência a certas organismos como ao Igespar ou aos Museus Nacionais, por exemplo. Como é possível que o Igespar, cuja função é superintender e salvaguardar o património nacional esteja submisso aos interesses político-partidários frequentemente financiados pelos favores da construção civil e do asfalto? O património e o ambiente (outro ministério aberrante) deviam reger-se por fundos próprios, na directa administração de instituições público-privadas com poderes muitos específicos que o próprio Estado só pudesse contestar a nível judicial. Caso contrário, as situações como as do Tua, em que alguns arqueólogos, pressionados pelas chefias, chumbaram o interesse histórico e patrimonial de uma linha férrea centenária, continuarão a suceder-se.
A ideia de um ministério meramente formal, que exista para cortar fitas, distribuir benesses e prémios a uma elite endogâmica é que devia ser discutida, e não se o PSD vai extinguir o ministério. Nós sabemos – conhecemos muito bem, aliás -, qual são as estratégias do PS e do PSD para a cultura. Ambos os partidos estão no poder há tempo suficiente para perceber que qualquer um deles e cada dos seus apaniguados encaminhados para o MC não entendem, nem precisam entender o alcance e o valor da cultura. Bom, e talvez tenham alguma razão.
Os livros e o teatro não dão votos, nem passam cheques. Mas aí já teríamos que discutir os gostos do “povo”. E o povo, afinal, é quem mais ordena.

afinal estamos num filme da Disney!

Cravos nas ruas de Madrid

Primeira manifestação de bom gosto: a geração à rasca no resto da península chama-se Indignados. E a poesia já está na rua:

Además, muchos llevan ramos de claveles recordando a la revolución portuguesa. Argumentan que si la policía carga se defenderán con flores.

Ana Marcos

Puerta del Sol, texto lido a 18 de Maio

Pedem-nos propostas, os que nunca tiveram propostas.
Pedem-nos programas políticos os que guinam sistematicamente os seus programas políticos.
Pede-nos transparência quem nunca nos contou nada. Quem nunca nos perguntou nada.
Pedem-nos propostas, os que têm milhões e milhões aos que têm barracas e insegurança, papelão e desemprego, dívidas e mais dívidas.
Pedem-nos propostas porque o poder já não são eles, o poder somos nós todos.
Pedem-nos propostas porque têm pressa, têm pressa porque têm medo.
Mas nós não temos pressa, porque o tempo agora já não é o alheio. O tempo é nosso.
Temos paciência porque sabemos que isto vai crescer.
Temos paciência porque não temos medo.

Roubado no 5Dias

Estação do Pocinho

Primeiros momentos da década de 70, no actual terminus da Linha do Douro; à esquerda, duas locomotivas de via larga são abastecidas, à direita, dentro da via métrica, a locomotiva da CP E41 prepara-se para outra viagem até Duas Igrejas-Miranda, ao longo de 105 km num Portugal nos confins do Império.

Amar o Porto, tão só.

Por isso, ao olhar orgulhoso para mais uma vitória histórica do meu Porto e rumar para o meio da multidão, do meu Povo, nos Aliados senti pena. A pena de não ter visto em Dublin, ao lado dos autarcas de Braga, do Presidente da sua câmara, o seu colega do Porto. Um sentimento justificado e sublinhado ao olhar para os Aliados e espreitar para a NOSSA casa e vê-la fechada, como que envergonhada. Uma vergonha não de si mas daqueles que ainda a ocupam não compreenderem o seu significado.

Qualquer um pode ser Presidente da Câmara Municipal do Porto mas não é um qualquer que ficará no coração dos Portuenses. Uma coisa sei de Pinto da Costa: estará para sempre no coração dos Portistas e no da maioria dos Portuenses.

Ler o resto AQUI

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