O programa eleitoral da troika

anónimoEnquanto traduzia parte do memorando da troika, houve alguns aspectos que me foram deixando de boca aberta. Um deles foi a abundante existência de datas concretas para se atingirem objectivos específicos, os quais eram precedidos de algumas indicações sobre como a eles chegar. Sendo este um programa para 3+1 anos, estamos perante um verdadeiro programa de governo, onde os nossos ministros serão menos do que secretários executivos e os deputados, esses então, ainda terão um papel menor do que o presente coro de aplausos e de muito-bens.

Surpreendeu-me este estabelecimento de milestones no memorando da troika não pela sua existência, que considero fundamental em qualquer planeamento sério, mas pela habitual ausência de algo semelhante (já nem digo tão exacto) nos programas eleitorais dos nossos partidos, que não passam de meras balelas logo ignoradas depois da eleição.  Num país onde as promessas eleitorais contassem, o programa eleitoral seria claro quanto às metas apresentadas e quanto à forma de as atingir. No presente contexto de promessas vãs, perco a cabeça e voto num programa concreto, no da troika. A carteira há muito que se foi, que se vá o resto.

O Farsola: Bandex volta a atacar

Cada vez gosto mais dos Bandex. Era mesmo isto que nos faltava no comentário político, em vídeo, e musicado. Acabado de publicar. Ainda cheira a baba de caracol.

Frente a Frente José Sócrates e Paulo Portas

Paulo Portas sente-se um pequeno reizinho e deve sorrir quando, ao espelho, acerta o risco do penteado. Ainda que o detestem, Passos e Sócrates, andam com ele ao colo.

Portas cresceu como político e sabe bem que, no quadro actual de futuro governo de maioria, o CDS vale mais do que a percentagem que virá a obter nas eleições vindouras. Por isso mesmo, Paulo Portas debateu com (como fez questão de vincar) o candidato José Sócrates. Este dirigiu-se ao sr. deputado.

Paulo Portas, com voz colocada e mantendo o registo, rebateu a cassete PS com imagens elucidativas sobre, por exemplo, a dívida externa portuguesa.

Sócrates, com aquela vozinha de menino de coro que se lhe conhece, já se dirigia ao dr. Paulo Portas entremeando com sr. deputado. Este respondeu-lhe com voz de futuro ministro: – Candidato José Sócrates, o problema não começou há seis semanas, mas sim há seis anos. O candidato José Sócrates vive na estratosfera.

– O sr. regressou agora à realidade, disse Sócrates, e sempre ignorou as necessidades orçamentais, preocupou-se apenas com a sua imagem eleitoralista. Rejeitou sempre as nossas políticas realistas.

– Sr. candidato, respondeu Portas, para dois candidatos debaterem têm que viver na mesma realidade e o sr. não vive na mesma realidade que a maioria dos portugueses. O sr. fez o PEC IV e faria o V, o VI, etc. porque se esqueceu do BPN, esqueceu-se do BPI…

– O Sr. também se esqueceu dos submarinos, dr. Paulo Portas, atalhou Judite de Sousa. [Read more…]

Os casos aos quais o Ministério Público decide abrir inquérito

 

Pinto Monteiro resolveu abrir um inquérito a três agências de rating internacionais. Se os inquéritos feitos dentro de portas demoram eternidades e acabam habitualmente por ser inconclusivos, nada leva a crer que este inquérito feito num âmbito internacional seja diferente – muito pelo contrário. Mas pronto, dá muito jeito à tese da crise vinda de fora, agora que se caminha para a campanha eleitoral.

Agora o que estou para ver é se o MP também também vai abrir um inquérito ao caso em que «os juízes do Tribunal de Contas se queixam de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros». Uma história rocambolesca a ler no TVI24.

Busca, facho, busca

O Luis Rainha encontrou uma curiosa página na net, que lhe inspirou este desabafo:

Adoro tiranetes sempre com a boca cheia de “liberdade” mas que na volta gostam mesmo é de castrar as liberdades dos outros. Agora, andam por aí estes cromos armados em paladinos de umas tais “ideias grandes”. Que implicam, na maioria das suas “propostas”, proibir alguém de fazer alguma coisa. Aborto, divórcio, casamento homossexual, eutanásia, procriação medicamente assistida; os alvos do costume, em suma.


Soltámos os perdigueiros cá da casa. Ora bem, o endereço pertence a uma senhora chamada Adriana Telles de Menezes. A senhora chamada Adriana Telles de Menezes é proprietária de mais páginas, como a Plataforma Resistência Nacional e o Grupo de Amigos de São Josemaria (não, não linko, por causa do mau cheiro). Não parece tratar-se de um pseudónimo de Isilda Pegado, mas anda lá perto. E fica tudo explicado.

Troika a privatizar!

O memorando da troika, do qual o ‘Aventar’, em iniciativa inédita na blogosfera e com o sentido  de servir o interesse público, publicou a tradução integral, em 2. Regulação e supervisão do sector financeiro, refere explicitamente, no ponto 2.5 Caixa Geral de Depósitos (CGD), várias orientações, de que destaco o seguinte segmento:

Isto (aumento de capital, nota minha) incluirá um plano temporal mais ambicioso para a já anunciada venda do sector de seguros do grupo, seguir um programa para se desembaraçar das subsidiárias que não façam parte do seu núcleo e, se necessário, a redução das actividades no estrangeiro.

Nicolau Santos, director-adjunto do ‘Expresso’, na coluna semanal ‘Cem por Cento’ do suplemento de Economia do mesmo semanário, escreve no ponto 7 um texto que ouso subscrever:

Para compor os seus rácios, a Caixa Geral de Depósitos será reduzida apenas à sua actividade financeira, vendendo todas as outras áreas (seguros e saúde), a sua actividade internacional e possivelmente várias das suas participações nacionais. As empresas portuguesas, estratégicas ou não, ficam agora desprotegidas face ao avanço de investidores internacionais. E dado os valores irrisórios a que se encontram, o mais certo é que todos os designados centros de decisão nacional passem para mãos estrangeiras…

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Bilhetes Braga Dublin

Acompanhe o SC Braga à Final da Liga Europa – Partida e regresso ao Porto no dia 18 de Maio’11

Ou aproveite para conhecer um dos “metros ligeiros” de mais surpreendente sucesso na Europa, o Luas (“velocidade”). E, já agora, o DART (coisa mais feia, cruzes).

Pensem nisto antes de votarem a 5 de Junho:

Legado do Governo PS de Sócrates:

1 – Pior dívida pública dos últimos 160 anos (mesmo não incluindo PPPs e empresas públicas).
2 – Pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (duplicou em 6 anos)
3 – Maior dívida externa dos últimos 120 anos
4 – Dívida externa bruta em 1995 de 40% do PIB
5 – Dívida externa bruta em 2010 de 230% do PIB
6 – Dívida externa líquida em 1995 de 10% do PIB
7 – Dívida externa líquida em 2010 de 110% do PIB
8 – DÍVIDA PÚBLICA em 2005 = 82.000.000.000€
9 – DÍVIDA PÚBLICA em 2010 = 170.000.000.000€
10 – Últimos 10 anos = 3º país do mundo com PIOR CRESCIMENTO ECONÓMICO (atrás do Haiti e Itália)
11 – Últimos 10 anos = 4º país do mundo com MAIOR CONTRACÇÃO de DÍVIDA.
12 – Actualmente no 4º lugar do TOP dos PAÍSES DO MUNDO EM RISCO de BANCARROTA
13 – Em 2011 só PORTUGAL, Grécia e Costa do Marfim estarão em recessão no MUNDO
14 – Em 2012 só PORTUGAL estará em recessão no MUNDO.

Programa do PSD para a saúde, privatiza filho, privatiza

Lá tenho de repôr aqui o vídeo onde com grande frontalidade esta senhora do BES explica em 25 segundos porque passa pela cabeça de um orangotango entregar a gestão dos centros de saúde a privados.

Curiosamente o FMI no memorando diz exactamente o contrário, no que toca aos hospitais:

Melhorar os critérios de selecção e adoptar medidas para garantir uma selecção mais transparente dos presidentes e membros dos conselhos executivos dos hospitais. Os membros serão obrigados por lei a ser pessoas de reconhecida competência na gestão da saúde e administração em saúde.

Quando li isto lembrei-me da inimputável Leonor Beleza, que transformou a gestão profissionalizada da saúde numa coutada para filiados. Recordo-me de um senhor que passou de merceeiro a gestor de um pequeno hospital, que assim se apoia o comércio local.

Com este programa o PSD consegue que Sócrates vire Lázaro, levanta-te e anda, e pelas sondagens acima ele caminha. Não há pachorra.

A campanha negra do Financial Times

Só pode ser campanha negra. Wolfgang Münchau escreveu um editorial onde afirma que Sócrates mentiu ao país, que a gestão da crise em Portugal tem sido apavorante, que optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até o último minuto e que o anúncio do memorando de acordo com a troika, na semana passada, foi um dos destaques tragicómicos da crise.

[… A] gestão de crise em Portugal tem sido, e continua a ser, apavorante.

José Sócrates, primeiro-ministro, optou por retardar a aplicação de um pacote de resgate financeiro até ao último minuto. O respectivo anúncio na semana passada foi um dos destaques tragicómicos da crise. Com o país à beira da extinção financeira, ele regozijou-se na televisão nacional de ter conseguido um acordo melhor do que o da Irlanda e da Grécia. Além disso, ele afirmou que o acordo não causaria muita dor. Quando os detalhes surgiram alguns dias depois, pudemos ver que nada disso era verdade. O pacote inclui cortes de gastos selvagens, congela salários da função pública e pensões, aumentos de impostos e prevê uma profunda recessão de dois anos.

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Portugal 1 – Finlândia 2, em vídeos

Confesso envergonhado, e muito, que papei o vídeo que choramingava aos filandeses sem grande sentido crítico. “É sem dúvida excelente”, escreveu o idiota que há em mim, embora anotando alguma falta de rigor histórico quanto ao esclavagismo.

Primeiro não era um erro, são muitos, como já foi desmontado. Depois a pseudo-operação de solidariedade com a os filandeses durante a Guerra do Inverno não foi popular mas sim governamental, com a costumeira sacanice do Salazar.

A resposta finlandesa é mais curta, mas acerta em cheio (dispensava a parte das gajas boas):

Thank you for the sardines!  gozam eles. E com razão.

A caminho de Dublin (faltam 9 dias)


Dublin é uma cidade de pubs. Centenas de pubs espalhados pela cidade com uma característica em comum: o ambiente que neles se vive.
Os pubs de Dublin são exactamente como a imagem que temos deles: muita alegria, muita música ao vivo, muita cerveja. Os mais importantes ficam no quarteirão do Temple Bar, mas o mais antigo fica algumas centenas de metros adiante, junto ao rio Liffey.
É o Brazen Head. Existe desde 1196 – é obra. O ambiente é semelhante aos da maioria, mas ali respira-se história. Uma história de mais de mais de 800 anos.
Quanto ao Temple Bar propriamente dito, foi «beber» o nome ao quarteirão que aí existia desde o séc. XVI. É composta por diversas salas, fechadas e ao ar livre, e todos os dias apresenta música tradicional irlandesa ao vivo. Deve ser o mais animado pub de Dublin e um dos mais bonitos.

A Hora da Missa

O comboio em Aveleda, à hora da missa, 07 de Maio de 2011.

Cartas a Sócrates – [6]; As Minhas Cartas São Mais Bo-ni-tas que as de Catroga :)

Quando o tempo tiver passado, amor, excedendo-nos na sua

composição, talvez haja alguém que compreenda a negação

bastando-se, sem dúvida, sem hesitação.


E do meu pesar somente a vergonha me impede de não negar,

também, amor, este sentimento deslizando puro desejo de te 

afirmar (amor): minha doce enfermidade sem remédio, sem

pudor refreando o desassossego, o cuidado, a negação. 

PS.: #IloveSocrates Indeed 🙂

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