Sócrates julga que o Ministério das Finanças traduziu o Memorando

José Sócrates em debate com Jerónimo de Sousa, afirmou com alguma convicção que o memorando teria sido traduzido e disponibilizado aos portugueses. Mas o Minitério das Finanças não fez esse trabalho. Quem o fez foi a equipa do Aventar com a colaboração dos seus leitores. Pode ler, não graças ao governo, nem aos partidos, nem sequer à comunicação social, seguindo este link.

O Público refere que o governo preferiu dar aos portugueses apenas uma versão reduzida. Mas, enfim, nem isso é verdade, o que existe no site do MdF é apenas uma apresentação e um discurso, onde se tomam as liberdades de comunicação normais deste governo.

para a colecção

Faça a sua Declaração de Voto: porque é que vai votar, ou não, num partido ou candidato

Entramos nas horas finais de campanha e o Aventar continua a dar voz ao (e)leitor, convidando-o a expressar-se e a influenciar, se possível, os resultados finais. Pronuncie-se, tenha uma palavra a dizer, a tribuna é sua. Participe numa iniciativa que consideramos ter sido um sucesso, a julgar pela participação dos leitores.

Porque devemos votar ou não votar, porquê num certo partido e não noutro, porquê num certo candidato em vez de outro? Dê a sua opinião.

O caso Dominique Strauss-Kahn, haja calma

Primeiro uma divulgação precipitada: um militante da direita francesa tuítou a notícia da detenção do pré-candidato presidencial antes da polícia nova-iorquina ter piado, com o detalhe, errado, de que esta teria ocorrido no hotel.

Agora começam os alibis:

Parece-me ligeiramente precipitado dar DSK por culpado do que também pode ter sido uma armadilha, que interessa à política francesa, mas também a outras (o próximo homem do FMI não vai ser europeu, e convém não esquecer que a especulação financeira tem atacado sobretudo a Europa). Para já veio ao cimo o verdadeiro personagem Dominique. Como muita gente tem repetido, alguém que faz às mulheres o mesmo que o FMI tem feito aos povos.

PS e Educação: seis anos de ruína

A Educação não é um tema que, efectivamente, preocupe a maioria dos portugueses. Esse facto, entre muitas outras coisas, tem permitido que, no Portugal democrático, o défice educativo seja pornográfico, independentemente das muitas melhorias que se têm verificado.

Nos últimos seis anos, no entanto, conseguiu-se, até, o milagre de acabar com muito do que ainda ia funcionando nas escolas e o que era bom passou a medíocre e o que era mau passou a péssimo. Os dois governos dirigidos por Sócrates conseguiram alcançar o improvável: tomar uma larga maioria de medidas prejudiciais à Educação, algo comparável a falhar constantemente um alvo colocado a um metro de distância.

Os seis anos de políticas, por assim dizer, educativas corresponderam a uma acumulação de medidas lesivas da Educação apresentadas como modelares, graças a uma máquina publicitária que debitou avanços milagrosos, ao mesmo tempo que criava a hagiografia de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues, exemplares lídimos do marialvismo político. Domar os professores e reduzir o défice a qualquer preço foram as bases das políticas educativas do PS.

O bombardeamento da Educação foi de tal modo gigantesco que se torna difícil apresentar uma visão de conjunto. Deixo aqui algumas notas dispersas, na esperança de contribuir para uma reflexão apurada até 5 de Junho. Peço desculpa se abuso da auto-citação, ao remeter para escritos mais antigos guardados noutro lugar na blogolândia, mas a verdade é que ainda não mudei de opinião.

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A caminho de Dublin (faltam 2 dias)


Dublin é música, música e mais música. Uma característica que faz de Dublin uma cidade fantástica.
Em grande parte dos pubs do Temple Bar e do centro da cidade, há música ao vivo todas as noites. Música tradicional irlandesa, entenda-se. Em alguns desses pubs, há música durante todo o dia.
Como a minha cultura a este nível não é grande, ficar-me-ei pelos meus gostos pessoais através de 2 exemplos.
Os Dubliners. Banda mítica, foi fundada em 1962 e, desde então, tem vindo a renovar o seu elenco. Muitos dos elementos fundadores já desapareceram. Têm sido dos principais embaixadores no mundo da música tradicional da Irlanda.
E Davy Spillane. Nasceu em Dublin em 1959 e toca a música tradicional do seu país utilizando como instrumento o uilleann pipe. Conheci a sua música num concerto que deu na Ribeira do Porto no início dos anos 90. Um concerto que marcou um dos momentos mais importantes da minha vida…

O relatório das PPP (II)

No post anterior partiu-se do número de PPP lançadas no período 1985-2010 para se dissertar sobre a tese “todos iguais”. Para melhor se caracterizar as PPP, apresentam-se agora mais alguns dados.

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Tu, Ministro da Cultura? Tem juízo, pá!

Qualquer indivíduo que tenha assistido a três festivais de verão e visitado duas exposições acha-se com uma cultura superior à média. Ouvindo e gostando dos violinos de Chopin pode ser-se secretário de estado. E se, por acaso,  se tiver folheado a Ulisseia e visto As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos estáse apto para ministro da cultura.

A cultura, com a honrosa excepção de Carrilho, é uma espécie de florzinha para pôr na lapela, uma coisa onde há uns coquetéis e é agradável aparecer para ver quem está e ser visto. E os ministros, mais rissol, menos rissol, têm-na tratado assim, de acordo com este entendimento.

O resto, os sítios onde não há rosé nem canapés de camarão, é composto por hordas de tipos que protestam e gritam alto, dá-se-lhes uns subsídios para os calar, arranja-se umas bolsas, mas só aos que gritam mesmo alto. Os outros ignoram-se e pronto. De vez em quando, de preferência nas alturas em que aparecem altos dignitários estrangeiros e se faz uma cimeira, organiza-se uma inauguração de encher o olho e aí está: com este programa não se faz pior que os anteriores ministros, no mínimo faz-se igual.

Até hoje, os governos foram mantendo o ministério, apesar de subfinanciado. Era uma flor cara, mas pronto, dava para ostentar junto à gravata ou ao colar de pérolas, fazer figura de inteligente e gozar o deslumbramento do poder. Agora, Passos Coelho afirma que vai acabar com a Cultura, perdão, com o ministério e será ele próprio, além de primeiro-ministro, ministro da cultura. Não podia ser mais esclarecedor sobre a sua interpretação. Com ele, nem para flor a cultura serve.

Estação de Águas de Moura

A Estrada Nacional 10 junto à Linha do Sul, Abril de 2011.

O imaginário das crianças: Os silêncios da cultura oral – Capítulo VI

Capítulo VI

Eu sou homem e mando. Eu sou mulher e obedeço. Meninos e meninas.

 O comando da ordem social

“Gostava de ir como a Bertita, toda de branco como se fosse noiva. Pai, deixas-me?”, perguntava a “pequena do pai”, na medida em que ela pensava que ele mandava e decidia; e, ainda, porque era dele que dependia a celebração de um ritual associado a uma crença de Vilatuxe pouco praticada em casa. A conversa passou-se há quase 20 anos, numa aldeia galega onde pai e filha eram moradores conjunturais. E girou à volta de uma crença confessada em público e posta em dúvida em privado. A pequena, aliás, sabia que o pai pouco se importava com esses assuntos e que, adulto como era, pouca atenção ia dar ao seu pedido. Assim, com um misto de confiança que [Read more…]

Os três documentos do memorando da troika

Possivelmente já leu, pelo menos na diagonal, o memorando da troika que traduzimos aqui no Aventar e este é assunto que, talvez, já lhe cause enjoo. Mas sabia que o memorando de entendimento entre o Governo e o FMI-BCE-CE é composto por três documentos? E que um deles foi o que permitiu a Louçã dar um arraial de porrada a Sócrates no debate da passada semana?

Até agora, praticamente só se tem falado de um deles, do documento “Portugal: Memorando de entendimento sobre  condicionalismos específicos de política económica” [MoU, abreviatura para Memorandum of Understanding]. Mas o próprio MoU refere os outros dois documentos, a saber o “Technical Memorandum of Understanding”  [TMU, Memorando Técnico de Entendimento] e o Memorandum of Economic and Financial Policies [MEFP, Memorando de Políticas Económicas e Financeiras].

E o que são estes dois documentos? [Read more…]

Sinais do tempo

A prova de que o país está em recessão é o facto de Catroga ainda não ter uma linha de merchandising

Ouvido no elevador

No que diz respeito ao FMI, a empregada do hotel de NYC conseguiu resistir melhor do que toda a extrema esquerda europeia

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