A Magistratura da Vergonha:

Um dia pode acontecer com a nossa mulher, a nossa filha, a nossa irmã, a nossa mãe. E nessa hora um tipo perde a cabeça, desgraça uma vida e vai a tribunal onde, não duvido, em três juízes apenas um, um José Manuel Papão, terá a coragem de na sua declaração de voto afirmar: “quem deveria estar sentado no lugar do réu era a nossa magistratura por não ser justa, por absolver os culpados e condenar as vítimas”.

O António Fernando Nabais aqui no Aventar e o Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada já escreveram sobre o tema. Eu sigo-lhes o exemplo no Albergue. Para que todos saibam a vergonha de Justiça que se pratica em Portugal. Para que ninguém continue a calar. Para que acabe, de uma vez por todas, esta pouca vergonha.

Uma violação sem violência

 

Médico absolvido de violação porque não foi muito violento

 

aqui escrevi sobre um acórdão do Tribunal da Relação do Porto relativo a um caso de violação. Mais uma vez, a realidade parece ultrapassar a ficção: o dito Tribunal não considerou violento o comportamento de um homem que agarrou a cabeça de uma mulher para a obrigar a fazer sexo oral e que a empurrou contra um sofá para manter relações. Note-se que os actos descritos foram dados como provados e acrescente-se que o homem é psiquiatra e a mulher era sua paciente e estava grávida.

Digam lá: não considerariam inverosímil um filme que tivesse um enredo destes?

O centrão das contradições

PS e PSD têm demonstrado ser uma e a mesma coisa, em termos de resultados finais para os portugueses: falta ou consciente propósito de ignorar uma visão estratégica, depauperamento do tecido económico do País, os resultados da ilusão de vida fácil à custa do crédito barato e, para remate final, a cedência dogmática às reivindicações de poderosas corporações (advogados, médicos, juízes, pilotos da TAP e outras a que a ordem alfabética me conduziria).

Hoje, como quase diariamente, foi mais uma jornada de contradições e demagogias. Exemplos:

  1.  O pin…cel Catroga diz que “a sua geração nos últimos 15 anos só fez porcaria”  -15 ou 30 anos Dr. Catroga? V.Exa. não se lembra de o governo que integrou, como Ministro das Finanças cavaquista, ter dado carta branca  ao colega Mira para, em desrespeito pelo interesse nacional,  retalhar a alienar a CUF/Quimigal segundo interesses adversos  ao País? Nem sequer se dignaram ouvir accionistas privados; a Sociedade Nacional de Sabões Lda. que detinha 34% da Sonadel foi uma entre vários;
  2. António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado de Guterres (1999-2000, XIV Governo Constitucional),  ao Jornal de Negócios  sobre os 20% a atribuir aos comandantes da TAP, pela privatização, diz “Nesta matéria, no PSD responde o seu presidente”. Assim, tal qual, como o “Lavar de mãos de Pilatos”.
  3. O Prof. João Duque – e que Prof., senhores! – afirma: “A taxa de 6% não é nada má”, No mesmo jornal, e em simultâneo, Nogueira Leite assevera: “As taxas de juros que Portugal vai pagar à UE são muitíssimo difíceis” – a divergência seria despicienda se ambos não fossem conselheiros de Passos Coelho para a área da ‘Economia e Finanças’. Enfim…

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Os apaga-fogos do Reichstag

Os bombeiros do belo edifício do  Reichstag decidiram-se a defender aquilo que tudo indica ser do interesse da Alemanha, ou seja, o chamado “resgate a Portugal“. O mais surpreendente consiste na sugestão de Gysi, antigo membro do SED da anexada RDA, quando propõe um novo Plano Marshall destinado aos países em risco de colapso.

Tendo sido o Plano Marshall um dos cavalos de batalha da luta que Estaline travava contra os vitoriosos Aliados do Ocidente, os novos tempos parecem fazer dissipar as nuvens de outrora e Gysi está absolutamente certo, quando se insurge contra os esmagadores juros que serão impostos a Portugal. Sincero ou piedoso impulso, ou apenas um recurso na luta política parlamentar alemã – os “bons” e os “maus” -, esta sugestão vem ao encontro dos nossos interesses. Oxalá pudesse ser implantada, mas no extremo Ocidente da península europeia, não se vislumbra um único agente político com credibilidade para gerir um hercúleo plano que deverá ser rapidamente implementado.

Governo renegocia SCUT e ficam 58 vezes mais caras

O meu colega FMS já se referiu ao assunto. A questão diz-se em poucas palavras mas não se compreende com muitas ou nenhuma. Escandaleira, chama-lhe o FMS. Concordo e acho brando. Pulhice, desgoverno, insensatez, irresponsabilidade, ignorância, estas são as expressões mais leves que me ocorrem e fiquemos por aqui.

O Governo conseguiu, renegociando, tornar o negócio original 58 vezes mais caro para os cofres públicos.

Como, ultimamente, são milhões para aqui e milhões para ali até perdermos o fio às contas, faça-se o seguinte raciocínio – o pacote da Troika é de 78 mil milhões, dizendo que chega para pôr as contas em ordem (o que é duvidoso). Só neste negócio o governo malbarata 10  mil milhões, com esta agravante:

O documento da auditoria ainda não foi aprovado pelo Tribunal de Contas, que por isso se recusou a comentar o caso ao Correio. Ontem a TVI também tinha noticiado esta auditoria, dizendo que os juízes se queixaram de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros, porque lhes terão sido sonegadas informações.

É urgente impedir esta gente de continuar a desgovernar.

Manuel António Pina é Prémio Camões

O poeta, ficcionista, dramaturgo, cronista e jornalista Manuel António Pina irá receber o 23º Prémio Camões. Apesar de ser autor de uma obra poética assinalável em quantidade e qualidade,  tornou-se mais conhecido, recentemente, na qualidade de cronista, graças à lucidez com que tem zurzido os portuguesinhos que poluem Portugal, sem nunca prescindir do rigor formal que só num cultor irrepreensível da língua se pode aliar a um sarcasmo certeiro e descontraído.

Muito provavelmente, Marinho e Pinto, o tonitruante Bastonário da Ordem dos Advogados, não dará os parabéns ao premiado, também ele um licenciado em Direito. Entretanto, a cultura portuguesa poderá continuar a usufruir do privilégio de ler uma voz que a engrandece. Em casa do autor, os gatos continuarão embalados pelo ciciar beirão que os trinta anos de Porto não apagaram.

o outro acordo