Estamos perdidos…

É uma premonição. Por outras palavras, fazer uma síntese do que tem acontecido nestes dias, falaria de fatalidade.

As curtas horas antes de se abrirem os comícios pata a corrida às eleições legislativas, tenho esse sentimento, referido antes: uma premonição. Nós, os do lado esquerdo dos partidos que correm, nós, os materialistas históricos, como é habitual, vamos perder. Como diz um filme que um dia vi intitulado Este País não é para velhos, mudava o título pelo de Este país não é para revolucionários como nós. Queremos igualdade, procuramos auto governo ou governo de freguesia, essas ideias de Babeuf de 1785, inspirador de Marx e de todos nós que o conhecemos e usamos as suas ideias, como Marx, como Allende.

Palavras que levaram a Grachus Babeuf à guilhotina pelos jacobinos, o seu partido, a Marx a pobreza extrema e a ser vilipendiado pela burguesia, até pela que se auto denomina socialista, a Allende à morte pela sua defesa do povo – apenas este 1 de Junho, após autópsia, a incógnito de si a sua morte tinha sido suicídio o assassínio pelos rebeldes mancebos da força militar do Chile, ficamos a saber que ele matara-se só, das suas agalhas, do seu desejo de evitar uma guerra civil em defesa da sua pessoa e dignidade. Modestamente eu, fui a observar como era o socialismo em liberdade: campo de concentração e pré-fuzilamento todos os dias, tanto, que nem medo sentia. Apenas que acabaram de vez para a minha paz e a da minha pequena família, confesso aristocrata, mas três de nós sem dinheiro nem herança, ainda menos Senhor Conde. Nem me lembro como fui a viver com os rotos do Chile, advoguei para eles, os defendi, até sermos expulsos da família. Tornei a minha Grã-Bretanha, resgatado pelo meu Catedrático e chefe, Sir Jack Goody e a Embaixada Britânica.  Foi-me permitido tornar ao Chile 24 anos depois, de visita e condecorações.

Porque a minha história privada no meio deste texto? Por que confessar que o meu único irmão, fugido por ser Secretário de Estado da Reforma Agrária e a morte o perseguia, mas que, voltado ao Chile, passou a ser o dirigente das Juventudes comunistas, sempre a recear um tiro de morte, que hoje em dia, seria estranho, num país socialista materialista histórico, com uma burguesia destemida de nós e amancebada pelos 20 anos de ditadura e todo o que se sofreou. Na minha visita ao Chile em tempos de Allende, fui eleito Presidente de um partido de esquerda, o Mapu, e a família, amigos e vizinhos nunca mais falaram comigo.

Eis porque digo, perdemos. A burguesia de colete não perdoa: persegue, encarcera, legisla para si e são apoiados por todos os Belmiro de Azevedo deste país, as Manuela Ferreira Leite, que nunca desfila, desta vez, no procura de votos, andou as centenas de quarteirões, para ganhar votos para o seu partido, o candidato que, três dias antes de se realizarem as eleições, começou a formar o seu ministério, em conjunto com o seu compincha tão cristão como ele, Paulo Portas. Muito embora, como acontece nestes dias, ontem já começou a andar para trás e quer uma maioria absoluta, sem convénios com ninguém em dependência dos caprichos de outros partidos, ainda que semelhantes em doutrina, programa, classe e hierarquia. Esses que querem ser Condes e Duques, porque a sua procedência de meio pelo, nota-se no comportamento.

Nada digo do meu candidato. Começou a corrida empatado com quem se presume já, Primeiro-ministro. Desceu quase 20% nas intenções de voto. Vamos deixar em paz o menino.

Apenas me consola um de tantos aforismos, essa característica de Portugal, que até acredita em milagres. O aforismo diz que não se deve lançar foguetes antes da festa, porque a pode arruinar.

Será? É preciso esperar…o ditame das urna s, porque até hoje, quem leva a dianteira, são as sondagens. Escrevi ontem que depende da cor do partido e da equipa de sondagem, quem é que leva a vantagem nesta triste corrida…

Comments

  1. Artur says:

    Com o seu curriculum já era para ter outro tipo de sabedoria…desperdiçou as oportunidades que teve…


  2. Tem de se acalmar. Ninguém encarcera nem fuzila a não ser na sua imaginação.

    Agora que o povo sofre às vossas mãos, isso sofre.

    http://supraciliar.blogspot.com/2011/06/votar-ps-entregar-os-nossos-filhos-ao.html

  3. Paulo Martins says:

    Bonitas imagens (as das palavras),
    Obrigado!

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