Hipocrisias

 

Os media portugueses estão ao mesmo nível intelectual do senhor que me vende bananas e cerejas na mercearia do bairro. O que diz a notícia é:

O título da notícia é: Britânicos querem gregos na Bancarrota. Tem tudo a ver. E mais, o artigo de Boris Johnson que é referido é claramente distorcido. Boris Johnson diz uma coisa que já várias pessoas disseram (e eu nem sequer gosto dele):

All it would take, say the European elites, is for the government of George Papandreou to discover a crazed Thatcherite zeal that inspires them to sell every Greek asset from the Port of Piraeus to Olympic Airways to the remaining marbles of the Parthenon. That should do it, they say. That should keep the show on the road. Will it work? I have to say I now doubt that very much indeed.

The trouble is that the Greek austerity measures are making the economy worse. Unemployment is now officially at 16 per cent, though the rate among under twenty-fives is approaching 40 per cent. Productivity is crashing under the weight of strikes and unrest, and debt is now more than 160 per cent of GDP, compared to 60 per cent debt to GDP in the UK.

Ou seja, a opinião de Jonhson é obviamente discutível mas não há no artigo nenhuma espécie de mesquinhez. Jonhson no mínimo é um iludido. Está a dizer a um grego aquilo que um inglês faria. É impensável para um inglês ser governado por factores estrangeiros. Tem sido assim desde 1530. Os gregos que cometerem erros atrás de erros durante os últimos anos. A saída do euro, que eu não defendo, é do ponto de vista de um britânico o mais acertado.

Os comentários do expresso são ainda mais hilariantes, cheios de preconceitos e teorias da conspiração. Gosto quando mencionam a História de Inglaterra. Foram de facto, um país de corsários e sacanas e reis paranóicos. Mas esquecem-se do resto. Deviam de facto pensar nela e ver o elemento comum. Ou ao menos, ouçam o Rule Britannia que isso já fornece umas quantas pistas.

Coisas Práticas: definições políticas

Francisco José Viegas, escritor, jornalista, editor e novo secretário de estado da cultura, reuniu crónicas num livro e chamou-lhe Dicionário de Coisas Práticas.

No final final da apresentação acrescentou duas definições que, supostamente por razões práticas, não couberam no dicionário: uma é que um ministério (qualquer um, dada a generalidade da afirmação) é um gueto. Outra é que uma secretaria de estado é, afinal de contas, um jogador que pode não abrir o jogo (pelo menos para já).

Reconheço que aprecio o imaginário “série B” de FJV. Todos sabemos, nem que seja pelas aventuras de Jaime Ramos, que com o jogo aberto é mais difícil fazer bluff.

A democracia grega

Os gregos não inventaram a democracia, quanto muito os atenienses criaram a palavra democracia para designar um regime em que menos de 10% da população decidia democraticamente da sua vida e aproveitava para decidir a vida dos outros.

Posto isto, com o notável contributo de governos locais corruptos, da Alemanha, da França, seus bancos e indústria de armamento, os gregos arriscam-se a inventar uma outra democracia, que começa nas ruas e pode acabar com a dividocracia.

Olhai para isto portugueses, já falta pouco.

Também na saúde o mercado funciona, e viva o empreendedorismo

Tenho de dar a mão à palmatória: qual Serviço Nacional de Saúde, o sistema de seguros de saúde é muito melhor, mais barato (dada a generosidade das seguradoras, essas grandes entidades filantrópicas) e eficaz. Aos que o criticam lançando atoardas sobre as pessoas que não conseguem pagar um seguro de saúde, deixo o exemplo de James Varone, desempregado, com uma hérnia a precisar de tratamento urgente, e sem seguro para isso. Demonstrando as vantagens da iniciativa privada e do empreendedorismo, James Varone dirigiu-se a um banco com uma folha onde escreveu: “isto é um assalto, dêem-me um dólar“, e o problema ficou resolvido com a chegada da polícia,  a sua detenção e envio para uma cadeia, onde os cuidados de saúde são poucos mais gratuitos.

Infelizmente um dólar é apenas um dolár, foi condenado por um pequeno delito e não passará tempo suficiente na choça para o tratamento prolongado de que necessita. Pois que para a próxima seja mais ambicioso, e peça mil dólares, já deve chegar.

O mundo das crianças V – os problemas que as guerras europeias causam no Chile

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Puerto Varas - Colónia Alemã Sul do Chile

Parte de um capítulo do livro que escrevo para Aventar

A guerra civil espanhola foi um preambulo instigado pelo mais sanguinário ditador do mundo, o criador do genocídio para ocultar crimes de guerra, à maneira de Franco. A diferença estava em que o ditador da Espanha não queimava aos seus prisioneiros: os enterrava vivos. Genocídio e morte em vida, eram praticamente o mesmo crime. O ditador alemão, austríaco de nascimento e registo, como todo o mundo sabe, era filho de um trabalhador alfandegário. Líder político alemão nasceu a 20 de Abril de 1889, na cidade austríaca de Braunnau, filho de Alois Hitler e Klara Pölzl. . Responsável por um dos maiores genocídios da História, desencadeador da 2.ª Guerra Mundial (1939-1945) e mandante do extermínio de cerca de 6 milhões de judeus. Sem concluir os estudos de segundo grau em Linz, mudou-se para Viena (1908), onde o sonho de se tornar pintor foi truncado quando não conseguiu ingressar na Academia de Belas-Artes. Em 1913, muda-se para Munique, Alemanha, fugindo do alistamento no Exército de seu país. Com o início da 1.ª Guerra Mundial, em 1914, alista-se no Exército alemão como voluntário. Ferido em combate, recebe a condecoração da Cruz de Ferro. Em 1919, filia-se ao Partido Operário Alemão (DAP), rebaptizado em 1920 como Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) e apelidado de “nazi”. No ano seguinte, passa a chefiar o partido. Preso em 1923, após uma tentativa de golpe de Estado – o Putsch de Munique –, escreve o livro Mein Kampf , que me português significa “Minha Luta”. Suas ideias se baseiam no nacionalismo, no anticomunismo, no anti-semitismo e na crença na superioridade da raça ariana. Seu objectivo é construir um novo Estado (3º Reich) capaz de promover a autonomia económica da Alemanha, libertando-a do Tratado de Versalhes. Em 1930, torna-se cidadão alemão. Assume o poder como chanceler em 1933. Bane partidos políticos, prende opositores, reintroduz o serviço militar obrigatório e dá início à expansão militarista alemã. Ordena a invasão da Polónia em 1939, provocando a 2.ª Guerra Mundial. Manda judeus para campos de concentração e anexa vários países da Europa. Derrotado, em Abril de 1945, com as tropas soviéticas cercando Berlim, suicida-se no bunker da chancelaria [Read more…]

Vieux Farka Touré na Linha do Comboio

E faz boa música também.

 

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