A praia de Mangualde não é para parolos

A prática de ir a banhos, marítimos, começou nos arredores de Lisboa e ao longo do século passado foi-se espalhando pela nossa defunta faixa costeira. A genial ideia de fazer da areia uma churrasqueira de pele humana, entremeada com uns mergulhos no pobre Atlântico, é responsável pela maior atentado ecológico e paisagístico da nossa história. Onde havia dunas, areais, paisagem, hoje temos apartamentos, bares e consumidores compulsivos de protector solar.

Como todos os que amam o Mar, odeio as praias, tal como estão desde a década de 70. Ainda me recordo delas, local de trabalho dos pescadores da arte da xávega, da praia sem toldos, chapéus e outras barracas, mas já recordo pouco. [Read more…]

Quer comprar o estádio de Leiria?

Agora dizem que querem vender o estádio por causa da Troika, mas eu gostava que dissessem porque razão o construíram (por falar nisso, José Sócrates -sempre ele, o mago das contas para os outros pagarem- foi o impulsionador da construção destes elefantes brancos quando tutelava o desporto no governo de António Guterres).

Em Portugal cidade nenhuma pode ver a vizinha ter uma coisa sem o desejar também. Se uma lança uma marina, a cidade ao lado constrói uma maior, se uma autoriza um centro comercial, a vizinha autoriza dois e ambas dão, alegremente, cabo do comércio local, se se fala em TGV aparece logo quem proponha paragens de dez em dez quilómetros.

O mesmo se passou com os estádios, com as cidades a competirem entre si para terem, cada uma, o seu. Se a UEFA autorizasse, ter-se-ia construído um estádio por jogo já que não é possível jogar-se apenas meia-parte em cada estádio pois, se pudessem, era o que tinham feito, com Viseu, Pombal, Chaves e Santiago do Cacém, por exemplo, degladiando-se pelo “maior e mais moderno estádio do mundo”.

Está claro que, passada a euforia, em Chaves plantar-se-iam batatas e em S. do Cacém tomates que as pessoas veriam crescer comodamente instaladas nas bancadas. [Read more…]

Futuros magistrados apanhados a copiar tiveram todos dez

É este o título de uma notícia veiculada no Público. Aparentemente, não havia data para fazer novo exame e, então, decidiram aprovar toda a gente.

Os meus parabéns aos srs. magistrados! Assim, fico com a certeza de que possuem as qualidades humanas e inteletuais necessárias para a evolução do país!

Ainda as escutas…

Na sua página do Facebook, o excelente Professor Azeredo Lopes, actual presidente da Direção Executiva da Entidade Reguladora da Comunicação, deixa-nos a seguinte reflexão:

“É hoje habitual na conversas telefónicas, sobretudo quando falo com agentes públicos ou políticos, que se dê, talvez não como certo mas pelo menos como possível ou até plausível, que a conversa está a ser escutada. O que conduz a que, quantas vezes, se interpele directamente o possível “escutante”. O mesmo, quando falo com pessoas ligadas a grupos de comunicação social. Será esta sensação ou convicção normal num Estado de Direito Democrático?”

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Alto e pára o baile!

Agora é moda em dicursos políticos fazer passar uma espécie de mensagem subliminar de que a culpa do país ter chegado ao ponto a que chegou é de todos nós, para apelar à mobilização do povo face às adversidades.

Ora, nada como atribuir a culpa a toda a gente, para que ninguém seja culpado.

Se nos dessem alguns dos muitos milhões que enriqueceram alguns e desgraçaram todos nós, então talvez fosse de aceitar a sociedade na culpa. Doutro modo, razão tem o senhorio do Vasquinho, na Canção de Lisboa: “Ou comem todos ou há moralidade” (ao 8º minuto do vídeo).

O desmembrar do SNS

Portugal gasta cerca de 8,7 do PIB na saúde e o SNS abrange aproximadamente 98% da população. Em contrapartida os EUA gastam 11,7% e só 75% da população tem acesso a cuidados de saúde. A nível internacional o SNS é considerado o 11º melhor sistema de saúde pública sendo que os nossos indicadores de saúde, tais como a esperança de vida à nascença e mortalidade infantil, são melhores do que os americanos. Contudo, hoje, no fórum da TSF, debateu-se “o estado da saúde”, que é como quem diz na linguagem cifrada da comunicação social, alardear depoimentos para a propaganda justificativa do desmantelamento do SNS. Quase apostava, de alguns dos depoimentos que ouvi, serem de encomenda. No meio da “seriedade” dos mesmos, se a audição me não pregou uma grande partida – e, nesse caso, lá terei de recorrer também ao SNS – queixava-se um deles a seco e sem delongas aos microfones da TSF: “ó minha senhora, cortaram-me o pénis sem me avisarem e cegaram-me há três anos, só agora recuperei 10% da visão”. Deixando de lado o problema da visão – ver para crer, não é? – e ficando-me pelo pilar do depoimento, da próxima vez que este cavalheiro recorrer à urgência de um hospital queixando-se de uma dor de cabeça os clínicos não estarão de modas e… cortar-lhe-ão a cabeça. Terá graça ouvi-lo depois na TSF a relatar o sucedido.

Enxadas para que te quero!

Torna-se cada vez mais notória, a falta de consistência demonstrada pelos agentes políticos. Cada mês, cada desígnio, cada semana, cada objectivo. Se há uns tempos se falou no mar, agora volta-se o olhar para a agricultura, coisa tão sólida e viável a curto prazo, como a chegada a Orion.

Cavaco Silva foi um entusiasta de um certo tipo de modernização que passava antes de tudo, pelo obliterar de um passado que abusivamente confundia com atraso. Esse passado era uma montra de exposição de produtos agrícolas, de têxteis e pescas. Desapareceu. Trocaram-se alfaias agrícolas por jeeps e os filhos dos lavradores passaram a gerir cafés e croissanterias na periferia das grandes cidades. Idem quanto à frota pesqueira que virou Pescanova, pois no que aos têxtis se refere, as importções Zara, Mango ou Pull & Bear fizeram o resto.

Não se pode fazer passar a ideia de facilidade no regresso ao campo. As vilas estão despovoadas de gente jovem e aquilo que se investiu no autoestradismo militante, poderia ter sido aproveitado para criar as condições destinadas a garantir a permanência de gentes e actividades. Essa era a modernização desejável, até porque teria uma componente industrial – a tal maquinaria que denota a modernidade tão evocada – muito acentuada. É que sendo Portugal um país tradicional, a sua razão de ser aí está, precisamente naqueles sectores que Adam Smith nos apontava há mais de duzentos anos. No  entanto, torna-se impossível a satisfação de um capricho – porque é disso mesmo que hoje politicamente se fala – para agradar a potenciais estômagos roncantes de fome. Em suma, o medo vai-se instalando e para o contrariar, apresentam-se promessas recheadas de batatas, nabos ou grelos.

O novo governo bem poderá ir preparando o caminho que sem dúvida será longo e quase imperceptível. Talvez os bisnetos de Cavaco Silva tenham as condições materiais, anímicas, para esse regresso à terra. Por enquanto, contentemo-nos com A Portuguesa que, tal como ontem muito bem dizia Adriano Moreira, faz soar o necessário “sobre a terra, sobre o mar”. Sem isto, nada feito.

Educação e as Autarquias Locais:

Nesta altura em que se discute os cortes impostos pela Troika e uma eventual reformulação espacial dos concelhos, é de sublinhar o trabalho que algumas câmaras municipais continuam a fazer na Educação, sobretudo no que toca a equipamentos e recursos humanos e saber o que será feito no futuro.

O novo Ministro da Educação terá pela frente um verdadeiro desafio que ninguém, de bom senso, pode invejar. Terá, de certeza, de fazer mais com menos. Por isso mesmo, vai precisar (e muito) da ajuda das câmaras municipais.

Nos casos que melhor conheço (Maia, Felgueiras e Vila Nova de Gaia) o trabalho já realizado e o contratualizado via QREN, permite afirmar que a parceria entre o Ministério e as Autarquias é o caminho a seguir. No caso da Maia, o seu parque escolar foi totalmente renovado. Em Felgueiras entre obras já inauguradas e outras lançadas, o seu parque escolar caminha, igualmente, para a excelência. Por sua vez, Gaia, o maior concelho do Norte em termos populacionais (e aquele que está, neste momento, com o maior valor de investimento bruto em Educação) continua a apostar na Educação.

Aliás, Marco António Costa, ainda esta semana, o reafirmou: “O vice-presidente da câmara municipal de Gaia, Marco António Costa, assegurou esta noite que a educação “é um setor prioritário” no concelho, assumindo o “compromisso institucional” de que o continuará a ser “nos próximos anos”. (SIC/Lusa)

Garantindo, até, que “sempre que for necessário fazer opções por exiguidade financeira, entre um investimento numa escola ou outro qualquer investimento, a prioridade será sempre nas escolas.

Em suma, o próximo responsável governamental desta pasta terá de contar e procurar fazer a ponte com as autarquias locais, de molde a garantir o sucesso. Não será por falta de boas escolas que não se terá uma educação pública de excelência. Não será por falta de vontade e empenho dos autarcas que não se cumpre o objectivo de excelência do ensino público.

Os Donos do Regime.

Agora sim, começamos a ter uma percepção mais nítida do quadro intitulado “Centenário da República”. Aos poucos, primeiro com a ajuda da Fundação Mário Soares, depois com a colaboração de alguns académicos, a Maçonaria foi-se apresentando como principal obreira da República em Portugal. Hoje escancara as portas, não é só obreira. É dona. Em Mafra até já se comemoram os 100 anos da dita associação. Como historiador, nada tenho a questionar sobre os fins e a utilidade de uma agremiação secreta, que existe, como muitas outras, com objectivos bastante claros mas sob posições nem sempre honestas. Já cidadão e indivíduo crítico, não consigo compreender para que serve este género de ajuntamento, às escondidas, com rituais francamente apalhaçados. É que para mim, a solidariedade ou o bem pratica-se às claras e a fraternidade deve ser uma qualidade inerente a todos, não apenas a um restrito grupo de iluminados que se consideram donos da liberdade. A solidariedade num grupo como a maçonaria, restritiva através do seu código e dos juramentos, em que só os irmãos partilham de uma sabedoria metafísica, causa-me muitos engulhos. É que quase sempre, nestes casos de redes ideológicas e partidárias, etc, uma mão lava a outra e as duas lavam muita coisa, desde dinheiro à honra. E vem à lembrança casos como o das Binubas, na I República, do Ballet Rose na Segunda e hoje, nesta III República, o famoso enredo Casa Pia. Ou ainda, mais recentemente, em França, o caso Jack Lang, ao que parece abafado graças a uma rede de solidariedades várias…

Nuno Gomes, adeus Benfica

O Benfica, de novo transformado em porta-aviões onde aterram e levantam vôo jogadores aos magotes, não renova contrato com Nuno Gomes.

A política de contratações benfiquista, cada vez mais errática e disposta a mudar boa parte da equipa em cada início de época, esquece, assim, um dos maiores símbolos do clube.

Contestado por muitos, o currículo de Nuno Gomes fala por si e, como contra factos os argumentos escasseiam, obriga a calar boa parte dos seus detractores.

Não querendo arrumar já as chuteiras, Nuno Gomes está agora livre para procurar outro clube onde terminar uma carreira que devia e merecia ser terminada no Benfica.

Boa sorte e obrigado, Nuno Gomes.

Mais um a sair do armário

Depois dos anteriores a quem lhes bastou dois dias depois das eleições para descobrirem que, afinal, não vivíamos no idílio, eis que agora é o Observatório da Saúde que alerta para as ditas taxas moderadoras serem co-pagamentos e para os enormes tempos de espera por certas consultas. Vamos ver quem se lhes seguirá.

Agricultura e tempo

 

 Os tempos mudam como o comércio. Estamos falidos, mas sabemos como nos defender. O que era agricultura´hoje em dia é jardinagem de plantas exótica que vendem como um raio de luz 

Ao longo do tempo, durante milhares de anos, a horticultura, a fruticultura, as ervas e as plantas, têm sido a base da dieta, têm sido a base do sustento dos seres humanos. A jardinagem, no começo dos tempos da agricultura, não era uma actividade usada de forma sistemática. Comia-se do que a natureza dava, como prova Roy Lewis no seu livro The Evolution of Man, 1960, Editora Hutchinson, versão portuguesa intitulada Por que como o meu pai? Editora Hagá, 1992, com versão francesa do mesmo ano, editado por Actes Sud: Pourqoi j’ai mangé mon père, pergunta afirmativa nas versões britânica e francesa, mais duvidosa na portuguesa, facto que me parece natural. O nosso País tem sempre duvidado dos seus afazeres, como temos observado recentemente na guerra política que se tem desenvolvido na nossa República nos anos recentes. A agricultura britânica e francesa, foram prósperas não apenas por ter boa

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