Elogio a Paulo Bento

Quando Paulo Bento veio substituir a nada saudosa personagem que anteriormente ocupava a cadeira de seleccionador nacional, torci o nariz. Confesso que, se dependesse de mim, Paulo Bento não seria o actual treinador da selecção.

Enganei-me. Estava demasiado habituado à figura de Paulo Bento treinador do Sporting, belicoso, excessivamente interventivo, semeador de discórdias. Mas Paulo Bento, seleccionador nacional, mostrou ser o homem certo para o lugar, distendido, arredado dos focos mediáticos, com uma panóplia de bons jogadores à sua disposição com quem não tem que lidar no dia-a-dia, sem medo de errar a cada passo e, por isso, proibir-se de ousar.

Paulo Bento pegou num lote de jogadores descrentes e derrotados, e levou-os ao primeiro lugar do seu grupo de apuramento. Devolveu-lhes alegria, criou uma equipa, livrou-se de jogadores de segunda linha, e, ao contrário da triste personagem precedente, pô-la a jogar de acordo com o talento prometido pela soma das partes.

Moral da história em véspera de eleições: uma boa vassourada é muitas vezes necessária. A Federação Portuguesa de Futebol teve, nesse cenário, muito mais sorte do que o povo português e podia escolher um entre dezenas de treinadores nacionais e estrangeiros. O povo português, pelo seu lado, só tem dois treinadores efectivamente candidatos a treinar o país. Se uma vassourada é bem-vinda, a possibilidade de escolha é demasiado curta. Por mim, o treinador que aí vem também não se sentaria na cadeirinha do poder. Desta vez temo não me enganar.

Comments


  1. Pelos vistos não tem grande jeito para opinar sobre treinadores.

  2. A. Pedro says:

    Acontece, Carlos Alberto, acontece. Mas cá estou eu, de livre vontade, a assumir o meu erro.

    Se me voltar a enganar faço a mesma coisa e até digo que fui presunçoso por achar que, desta vez, não me engano.

  3. Konigvs says:

    O Sporting é um completo cemitério de treinadores portugueses. Se por um lado aposta em treinadores portugueses jovens o que até é positivo, depois por outro cede à pressão de os mandar embora quando muitas das vezes são os menos culpados.
    Paulo Bento chega à seleção e basicamente não inventa, coloca os melhores jogadores nos sítios onde estes devem jogar, e nota-se que conseguiu criar empatia e motivar o grupo. Scolari podia não ser um prodígio de rigor tático mas escolhia os jogadores com queria trabalhar e motivava-os de tal tal forma que conseguiu dos melhores resultados de sempre, e ainda teve o condão de conseguir de fazer o milagre de unir o povo todo em redor da sua bandeira e da equipa das quinas.
    Mas mais uma vez os adeptos portugueses mostraram a sua face pequenina de gente com complexos de inferioridade e propensão para o suicídio. Em pleno jogo e na frente do marcador a assobiarem a equipa. Que coisa mais reles de se ver. É nestas coisas que se pode analisar os comportamentos coletivos das pessoas, e por aqui se vê que nunca sairemos da cepa torta, só sabemos dizer mal, criticar, atirar pedras e apontar o dedo, quando não fazemos nada para que as coisas possam correr melhor.

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