Elogio a Paulo Bento

Quando Paulo Bento veio substituir a nada saudosa personagem que anteriormente ocupava a cadeira de seleccionador nacional, torci o nariz. Confesso que, se dependesse de mim, Paulo Bento não seria o actual treinador da selecção.

Enganei-me. Estava demasiado habituado à figura de Paulo Bento treinador do Sporting, belicoso, excessivamente interventivo, semeador de discórdias. Mas Paulo Bento, seleccionador nacional, mostrou ser o homem certo para o lugar, distendido, arredado dos focos mediáticos, com uma panóplia de bons jogadores à sua disposição com quem não tem que lidar no dia-a-dia, sem medo de errar a cada passo e, por isso, proibir-se de ousar.

Paulo Bento pegou num lote de jogadores descrentes e derrotados, e levou-os ao primeiro lugar do seu grupo de apuramento. Devolveu-lhes alegria, criou uma equipa, livrou-se de jogadores de segunda linha, e, ao contrário da triste personagem precedente, pô-la a jogar de acordo com o talento prometido pela soma das partes.

Moral da história em véspera de eleições: uma boa vassourada é muitas vezes necessária. A Federação Portuguesa de Futebol teve, nesse cenário, muito mais sorte do que o povo português e podia escolher um entre dezenas de treinadores nacionais e estrangeiros. O povo português, pelo seu lado, só tem dois treinadores efectivamente candidatos a treinar o país. Se uma vassourada é bem-vinda, a possibilidade de escolha é demasiado curta. Por mim, o treinador que aí vem também não se sentaria na cadeirinha do poder. Desta vez temo não me enganar.

Estamos perdidos…

É uma premonição. Por outras palavras, fazer uma síntese do que tem acontecido nestes dias, falaria de fatalidade.

As curtas horas antes de se abrirem os comícios pata a corrida às eleições legislativas, tenho esse sentimento, referido antes: uma premonição. Nós, os do lado esquerdo dos partidos que correm, nós, os materialistas históricos, como é habitual, vamos perder. Como diz um filme que um dia vi intitulado Este País não é para velhos, mudava o título pelo de Este país não é para revolucionários como nós. Queremos igualdade, procuramos auto governo ou governo de freguesia, essas ideias de Babeuf de 1785, inspirador de Marx e de todos nós que o conhecemos e usamos as suas ideias, como Marx, como Allende. [Read more…]

Dia de Reflexão

Estou a reflectir, mas pouco.

Se me puser a reflectir mesmo, à séria, se pensar em tudo o que implica delegar através do voto, se pensar nesta gente que afirma representar-nos na dita democracia representativa, não voto em ninguém e mudo de país.

A democracia quando nasce não é para todos

Terminou a campanha eleitoral: a polícia destruiu o acampamento no Rossio, espancou e efectou 3 detenções. Roubo de material de som e máquinas fotográficas. Presença da Polícia Municipal de António Costa.

O PS despede-se do poder assegurando à direita que sabe manter as ruas limpas de protestos, ou seja, evitar conflitos sociais. Deixem-nos ficar com uma pastazinha no governo, deixem… imploram a Passos Coelho.

Diz-se esta gente de esquerda.  Não passam de capachos da direita. António Costa, não passas de um Sócrates II. Ao mesmo baixo nível.

Salvador Allende e José Sócrates, dois antigos socialistas?

josé sócratessalvador allende

É-me quase impossível não comparar estes meus dois governantes: um, nascido ao começo do Século XX, em 1908, em Valparaíso, Chile, filho de família burguesa e profissional. O segundo, de família também burguesa, menos acomodada que a do primeiro.

O primeiro referido, era Salvador Allende. Enquanto corria para as eleições presidenciais do Chile de 1952, a sua primeira tentativa, que perdera para o candidato Carlos Ibáñez del Campo, por uma estreita margem de votos – Ibáñez obteve 44% Allende 38%, conco anos mais tarde de esta primeira corrida a Presidência da Sua Excelência, nascia José Sócrates no Porto, Portugal a 6 de Setembro de 1957 e foi

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Declaração de voto

São duas as razões que me levam a escrever apenas hoje este post. Em primeiro lugar porque considero absurdo a existência de um dia de reflexão, mesmo que continue indeciso sobre o destino que darei amanhã ao meu voto. Felizmente que os blogues não estão obrigados a cumprir tal disparate. À semelhança das Presidenciais, a vontade é mesmo não ir votar, só que amanhã tenho a possibilidade de contribuir para que Portugal se veja livre do híbrido, mistura de Pinóquio e Calimero que nos conduziu até aqui durante os últimos 6 anos, alheado da realidade, apostando num modelo de desenvolvimento baseado no investimento público, que enriqueceu apenas as construtoras do regime, possibilitou lucros aos Bancos e parasitou o Estado de boys and girls. [Read more…]

E o meu voto vai para…

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