Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

Comments

  1. maria monteiro says:

    educação para todos? bem só se o ensino privado católico deixar

    «Em 1975, o padre António Crisóstomo, que era o superior da casa, percebeu que os tempos tinham mudado, a casa estava vazia, e eram poucos os que vinham para cá”, continuou. Assim, “propôs ao D. António Ribeiro que o seminário liceal passasse a funcionar como uma escola que recebesse os alunos da zona. Apareceu, então, o Externato em 1975, com a aprovação do Cardeal D. António Ribeiro e com o aplauso da população”, refere o actual director pedagógico.

    À frente da direcção desta escola católica desde 1986, o padre Cerca reconhece que o crescimento do Externato, que este ano recebe 1615 alunos, foi necessário não apenas para responder às necessidades mas, confessa ao Jornal VOZ DA VERDADE, “para impedir a criação de uma escola pública do Estado”. “Para que não se justificasse aqui uma escola do Estado, nós tínhamos de responder às necessidades. Por isso fomos crescendo procurando manter a qualidade”, sublinha… »

    http://www.jornalw.org/index.php?cont_=ver2&id=2088&tem=1&lang=pt

    • lidia sousa says:

      Que subsidio do Estado recebe este Externato dito privado?. Queriam 90 Euros mensais por aluno mas parece que estão a regatear 85 Euros. Com o dinheiro dos outros tambem eu faço obra. Se o Padre Cerca pedisse dinheiro ás grandes Empresas, que não querem de modo nenhum fazer mecenato, a não ser para os musicais do LA FERIA e outros que tais. Aí sim o padre merecia louvores. Agora sacar do orçamento, para evitar uma escola publica e poder catequizar as crianças à vontade. Já parece o JARDIM, escondeu as dividas para o Governo do “contnente” não saber e ir sacando mais massa.

  2. Se isto já é mau, imaginem como será quando acontecer isso com o sistema nacional de saúde.

  3. Por um momento pensei que falasse do meu país, Brasil.

    “….obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol…”.

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