Um concurso armadilhado

O que aconteceu nesta fase do concurso de professores é muito simples: deliberadamente montou-se uma perfeita aldrabice para, entre a injustiça e a confusão, aparecer um Ramiro Marques a escrever:

Nuno Crato, em silêncio, deve tirar uma conclusão do episódio: pôr fim aos concursos nacionais, entregando aos agrupamentos de escolas a tarefa de recrutar professores para preenchimento de necessidades transitórias.

Após este comerciante (que não deve ter ganho pouco dinheiro com os seus blogues publicitários à custa da luta dos professores contra a avaliação de desempenho da socióloga Rodrigues, dedicando-se agora à defesa intransigente da privatização das escolas públicas, lá deve ter novos negócios em mira), outros virão. Para quem está fora do assunto: as denúncias do que se vai passando nas escolas onde as direcções, ou os municípios, têm autonomia na contratação de professores, para todos os efeitos funcionários públicos, colocam a coisa ao nível da Madeira: ele é parentes, conhecidos e outras amizades. Enfim, o expectável.

O que está em causa é muito simples: funcionários públicos contratam-se através de concursos transparentes, ordenando-os com critérios claros, ou funcionam exclusivamente pelo factor c(unha). Nestas coisas os neo-cons (ler em francês) ultrapassam em muito Salazar, que ainda obrigava os procedimentos a algum decoro. O resto é areia para os olhos.

Cultura: a vez da autonomia controlada

O secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas, certamente em consonância com o primeiro ministro, declarou em conferência de imprensa o seu amor pela autonomia artística. No entanto

O secretário de Estado defendeu, por outro lado, que a programação destas entidades deverá ser discutida com o seu gabinete e que os resultados de bilheteira serão tidos em conta. “Vamos valorizar os resultados das bilheteiras nos cinemas e nos teatros”, disse. Mas, sublinhou, isto “não porá em causa nem um milímetro da autonomia artística” daquelas entidades. Trata-se de uma “questão ética”  –  “não acho justo que uma companhia, um encenador ou produtor não manifeste preocupação com as questões de público.”

A nova estrutura, que foi explicada em detalhe pelo secretário de Estado, extingue a OPART (que agrupava a CNB e o São Carlos) e cria estas cinco EPE, que terão gestão financeira centralizada no ACE. “A gestão deve ser entregue a especialistas de gestão para que as EPEs se possam concentrar na programação”. Quanto à necessidade de discutir o conteúdo desta programação, Viegas frisou que “não significa impor” alguma coisa. “Defendemos um repertório de primeira linha para os teatros nacionais e queremos ser informados sobre o que vai ser feito”, afirmou.

E se o secretário de estado, ou alguém por ele, não concordar com as opções tomadas? A autonomia mantém-se? E como é que não se altera um milímetro a autonomia artística se a programação fica condicionada pelas “questões de público”?

Admito que FJV pretenda, com estas medidas, quebrar alguns círculos viciosos que há muito se instalaram nestas estruturas. Escusa é de falar em autonomia artística.

Cavaco foi outra vez às vacas

“Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”, contou Cavaco Silva.

É admirável a capacidade de análise bovina de Cavaco. Depois do episódio da ordenha temos a novidade das vacas sorridentes, não confundir com a conhecida marca de queijo, rir e sorrir não é bem a mesma coisa. Em próximos prados é bem possível que venha a gabar os quadrúpedes que não fazem buracos ou a docilidade dos ruminantes incapazes de um motim.

Uma vez vi uma vaca que chorava, e cheguei a puxar de um lenço para lhe aparar as lágrimas. Estarei a caminho de me converter ao cavaquismo?

O Jardim impede que se veja o matagal

Nos últimos dias, e justamente, Alberto João Jardim tem estado na berlinda, e, na sua fuga em frente, usa o voto dos eleitores como garantia ética, à semelhança do que fez o sr. Silva quando ganhou as eleições. Aqui, no Aventar, não conseguimos fugir a tão candente tópico. Carlos Moreno, entretanto, vem lembrar que há muitos outros buracos orçamentais, tantos que já caímos dentro deles e ainda não nos avisaram.

Com a rapidez do costume, as anedotas sobre a Madeira já nasceram. Olhem em volta: se virem algum presidente da câmara a rir muito alto é porque deve ter alguma coisa a esconder. Os ansiosos por mais austeridade disfarçam o mais que podem e agradecem, também eles, a Jardim.

Sempre pela Madeira

Sempre pela Madeira, sempre, sempre. Custe quanto custar.

 

Júlio Resende 1917/2011

Júlio Resende, o pintor, morreu hoje aos 93 anos. Como sempre acontece com os grandes artistas, a morte pode pouco contra a obra, que permanece.

Viagens

Um blogue sobre viagens, hotéis, aviões, low-cost, descontos, escapadas, fins-de-semana, enfim: como descansar viajando em época de crise.

Que tem um sedentário como eu a ver com isso? o gozo de ver os novos voos do nosso José Freitas. Antes de embarcar faça o check-in.

O último a saber

O “desvio colossal” das contas da Madeira escondido pelo PSD regional estava, pelos vistos, no segredo dos deuses. No caso, da santíssima trindade Jardim-Cavaco-PGR. O marido, que é como quem diz o pagante contribuinte, foi, como sempre é, o último a saber.

(Manuel António Pina, JN 20Set2011)

O cidadão Aníbal, segundo a imprensa, já sabia do enorme buraco ilhéu, antes de convocar as eleições que deram a maioria à Direita. Calou-se, cometendo o crime de ocultação; estará o cidadão Aníbal acima da Lei, não vindo a ser punido pelo crime? E o representante do Ministério Público junto da secção regional madeirense do Tribunal de Contas, que também se calou perante um crime de denúncia obrigatória, também sairá impune?

Decididamente, a república das bananas estende-se já do arquipélago ao Terreiro do Paço. Cavaco junta mais uma mancha às nódoas que já lhe conhecíamos – ele, que deveria ser uma referência nacional; a Justiça, na vertente MP, carrega mais um episódio de descrédito, a somar ao imenso labéu que a cobre.

Resta aos cidadãos manifestarem a sua revolta, por todos os meios. A desobediência civil ganha todos os dias novas justificações morais.

Carlos de Sá


O medo

Esta excelente dissertação de Mia Couto (encontrada neste post do Paulo Granjo) sobre o medo e os seus efeitos na sociedade impressiona e revela muito sobre a natureza humana, limitada e sonhadora ao mesmo tempo. Mia Couto tem razão, porque podemos construir um mundo melhor se tivermos a capacidade de enfrentar os nossos medos, olhando-os nos olhos e confrontando-os com os nossos sonhos. E quem diz o mundo, diz também o seu país, a sua cidade, a sua família…

O medo também afecta os políticos. Nota-se muito agora pela subserviência dos políticos europeus à liderança alemã. Nota-se também muito pela liderança autista alemã, à qual falta a confrontação às suas ideias e ambições, até para poder ter uma liderança um pouco melhor e tornar novamente a Europa na referência mundial onde muitos outros países do mundo possam encontrar a inspiração para o seu próprio desenvolvimento.

Mas o medo afecta em primeiro grau o comum cidadão. Como diz Mia Couto, citando Eduardo Galeano, “Os que trabalham têm medo de perder o trabalho, os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quando não têm medo da fome têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.” Mia Couto ainda acrescenta: “Há quem tenha medo que o medo acabe”. Muita gente, acrescento eu.

Se queremos realmente criar um mundo melhor para nós temos de perder o medo. Temos de querer que a nossa voz se oiça. Somos suficientemente responsáveis para não haver razão nenhuma para termos medo. E quem diz medo, diz também vergonha. Não é vergonha nenhuma querer um país melhor ou um mundo melhor: é um orgulho!

Por isso, o próximo dia 15 de Outubro é o dia de não termos vergonha de dizer-mos o que queremos para Portugal, para a UE e para o mundo. É o dia dos cidadãos saírem à conquista da sua própria vida. Como muito bem ilustra a Gui, é o dia de não termos medo! É o dia de termos orgulho em nós próprios.

 Hakeem

grandes buracos

O avarento ou a escola da mentira dos governantes

a cristmas carol

Harpagón

Estamos enganados. Os séculos que vivemos não são o XXI, é o XVII. Harpagón governa-nos. Não estamos no ano 2011, estamos em 1668, a data em que Jean Baptiste Moliére criou a personagem referida antes, este pai de Elisa e Cleanto, [Read more…]

A Seguir:

O blogue Polaroid.

Promete boas fotografias, essa é que é essa!

Acabou-se a Teta*, Alberto João Jardim

Diz a Visão esta terça-feira que se acabou a teta na Madeira; pelo menos é o que me parece estar escrito: “detetado“, que é como quem tira a teta a um mamão.

Só espero que largar a mama assim de repente não traga complicações a Alberto João Jardim e o faça bolsar jarros de pesporrênciap’ra fora.

* Post inspirado aqui; as minhas desculpas ao usurpado leitor.

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