Desalavanca-me toda, querido!

A personagem de Jamie Lee Curtis, de Um Peixe Chamado Wanda, tinha a particularidade de ficar excitada sempre que ouvia qualquer língua que não a inglesa. Pergunto-me se a mesma personagem resistiria aos encantos do economês de Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal. Como pode uma mulher não gemer quando ouve um homem dizer coisas como “A desalavancagem tem de se fazer através de ‘stocks’, alienação de ativos, de modo a não prejudicar a economia”? Como poderia ela sufocar um grito rouco quando ouvisse sussurrar “O processo de desalavancagem de fluxos sacrifica o financiamento da economia e o crescimento e, logo, o balanço dos bancos pela qualidade. Nessa altura, entra pela janela o que tinha saído pela porta.”?

No que me diz respeito, já ficaria contente se, um dia, um economista com responsabilidades de qualquer tipo de governação fizesse previsões acertadas. A esse, mesmo preso dentro deste corpo heterossexual, dar-lhe-ia ouvidos.

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As hipocrisias nacionais

Na Madeira mente-se em legítima defesa, significando isto que se pode gastar dinheiro sem para isso se ter legitimidade. Na verdade, isso nem é exclusivo da Madeira, bastando olhar para os ajustes directos para se perceber que a prática tem historial. A Parque Escolar, por exemplo desdobrou obras para caberem nos ajustes directos, em clara violação da lei. Tal como na Madeira, as diversas autoridades vieram sacudir a água do capote com o habitual “fomos enganados, de nada sabíamos”.  A diferença limita-se à arrogância com que AJJ vem declarar que foi de propósito e como passa pelos pingos de chuva sem se molhar: ganha votos na Madeira, onde passa por herói e talvez um dia lhe seja aplicada uma multa simbólica. Neste buraco madeirense, apenas uma coisa me intriga. Tendo a Madeira 267.938 habitantes (dados Censos 2011) e atendendo a que não se fez uma fogueira com notas de euro, para onde foram os 1,11 mil milhões de euros gastos para além das restantes transferências autorizadas (as quais, só por si, já foram uma pipa de massa)?

Quanto às hipocrisias nacionais, contava Ana Sá Lopes no último Contraditório (minuto 15:50) o episódio de, no último orçamento, estar Teixeira dos Santos no Plenário a atirar-se aos gastos da Madeira quando, ao mesmo tempo, estava Jorge Lacão a negociar com Guilherme Silva a introdução de mais despesa. Tudo isto é muito vitoriano: desde que não seja público não faz mal. Só que agora é preciso justificar aumento de impostos e há contas a pagar… Quantos casos destes haverá por este país fora? Sobre este mesmo tema, transcrevo ainda o editorial do Público de hoje. Tal como nele se escreve, «a repetir-se, esta farsa só ressurgirá como tragédia».

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Legítima Defesa

Isto é um assalto…

…mas é em legítima defesa.

Olé?!

Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

Na Madeira uma vaca quando morre é madeirense

A título excepcional, podem ser admitidos ao uso da marca Produto da Madeira, os seguintes produtos: a) A carne fresca de bovino proveniente de animais vivos adquiridos no exterior desde que estes permaneçam para acabamento no território da Região Autónoma da Madeira, desde a data da confirmação do seu desembarque, pelo menos 4 meses;

Portaria n.º 27/2011 de 22 de Março

Apanhado neste vídeo.